Mais lidas 🔥

Inovação no campo
Nova variedade de banana chama atenção de produtores no ES

Rio Grande do Sul
Azeite brasileiro atinge nota máxima e é eleito o melhor do mundo em concurso na Suíça

Chuva de um lado, seca de outro
El Niño de 2026/2027 pode repetir a força e os impactos do fenômeno de 2015/2016?

Desenvolvimento rural
Mais de 161 mil mudas impulsionam produção no Norte do ES

Produção artesanal
Valença, no Rio de Janeiro, conquista 13 medalhas no Mundial do Queijo

Nos últimos anos, nós, capixabas, passamos a ter orgulho de comer proteína produzida por uma marca nossa, a Uniaves. Resultado da união de pequenos produtores de nossa região serrana, notória fornecedora de hortigranjeiros, a Uniaves resolveu o problema da lei do limite dessa produção dispersa e passou a fornecer para o mercado nacional. Cresceu, mas somente conseguiu atingir a metade de sua capacidade instalada.
De repente, o feitiço se repetiu: a lei do limite bateu à porta da Uniaves na hora de produzir em sua capacidade máxima e chegar ao mercado internacional. Então, foi a vez de entrar em ação outra lei, a da incorporação. E é assim que a marca orgulho capixaba, tão saudosos que somos da perda da Garoto que nos representava, vai para as mãos de outra gigante, a Pif Paf, sediada no Estado vizinho de Minas Gerais.
Somente juntas as duas serão capazes de chegar ao exigente mercado internacional, cada vez mais demandando proteína para consumo humano. Assim, o frango nosso de cada dia vai cada vez mais se “comoditizando” e nós, pobres terceiro-mundistas, vamos ter de consumi-lo a preços de Primeiro Mundo.
Assim como já acontece com a proteína bovina e, mais recentemente, com a suína, que saiu da fogueira inquisitória do “faz mal para a saúde” para ganhar status de excelente fonte do primeiro nutriente de nossa dieta. Na mesma toada vai o ovo. Qualquer pessoa que vá ao mercado sabe que as carnes bovina e suína dobraram de preço nos últimos 12 meses e que frango e ovos estão no mínimo 50% mais caros.
Na lógica do feitiço do capitalismo internacionalizado nós somos consumidos. Sem dó nem piedade, o que me faz lembrar uma historinha doméstica. As crianças ainda eram pequenas quando, morando em Colatina, numa casa de quintal, resolvemos comprar 12 pintinhos e criá-los. Cuidamos e alimentamos até virarem frangos.
Depois de uns 40 dias, confrontamo-nos com nossas leis do limite. Primeira, a partir dali, se não fossem incorporados à nossa dieta, incorporariam nosso salário – cada vez consumiriam mais ração e converteriam em menos carne; segundo, negócio e emoção não andam juntos. Minha mulher abateu as aves e colocou no freezer, mas ninguém conseguia comê-las porque criamos relação afetiva com os animais – eram os pets de nossas crianças.
A Uniaves se vai e não adianta chorarmos. Negócios não comportam apegos emocionais. A partir de agora, é a lei do limite. Ou incorpora ou é incorporada para continuar a crescer. Do contrário, toma o caminho do buraco, que alguns chamam de estagnação – mas ninguém fica parado, ou se avança ou se recua. Incorporada à Pif Paf, a Uniaves bate asas e sai do chão para repetir o feitiço de sua própria origem.
José Caldas da Costa é jornalista e geógrafo, especialista em Psicologia Positiva e Desenvolvimento Humano




