Opinião

Seca….. Problemas e soluções ao nosso alcance

EDIMAR GONÇALVES CARVALHO é produtor rural, técnico agrícola e empresário

por Redação Conexão Safra

em 03/02/2016 às 0h00

4 min de leitura

Seca….. Problemas e  soluções ao nosso alcance

pube
– Os problemas:

A Região do Caparaó Capixaba não está diferente das demais regiões do estado, pois estamos passando por uma deficiência hídrica provocada pela diminuição das chuvas nos últimos cinco anos e agravada pela falta de iniciativa de nós, produtores, e dos órgãos governamentais competentes.

A diminuição da produção das lavouras ano após ano vem deixando nossos produtores descapitalizados, sem condições de reinvestir e, em muitos casos, não conseguem nem quitar as dívidas pois tiveram quedas nas produções (em média de 30%) e corte nos preços de venda em média de 20% devido o produto final ter ficado com qualidade inferior. Este ciclo vem se repetindo há cinco anos consecutivos e tem provocado o empobrecimento dos nossos produtores e consequentemente de toda a Região do Caparaó.

No caso dos produtores de leite, o custo para produzir alimento para o gado tem subido constantemente e o preço do leite não acompanha, já tem produtor fechando a conta no final do mês no vermelho.

Com a diminuição das pastagens está acontecendo uma venda excessiva de animais jovens e descarte de matrizes, em pouco tempo não teremos em nossa região animais para abate, iremos importar carne e isto aumentará o preço para o consumidor…

– As soluções:
Podemos dividir as soluções em dois grupos:
a emergencial e a
sustentável, não existe uma melhor que a outra, no momento precisamos das duas!


– Solução emergencial:

Consiste em socorrer os produtores que estão à beira da falência, prorrogando e parcelando as dívidas, fornecendo alimentos a preço de custo para manter o mínimo do rebanho, fornecer água com carros pipas para os animais e até mesmo para o consumo humano nas propriedades, enfim são ações que possuem um cunho mais social, pois a situação está crítica…

– Solução sustentável:

Esta trabalha com estratégia, planejamento, ações que trarão retorno a curto, médio e longo prazos e dependem, além da vontade política, do engajamento com as comunidades, educação ambiental e do envolvimento de todos. Podemos citar algumas ações
que estão dando certo e não são difíceis de serem implantadas.

1ª) Correção do solo, através de uma análise com profundidade de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm. Podemos identificar as necessidades de utilização de calcário e/ou gesso agrícola nestes terrenos, que se bem corrigidos se tornarão mais férteis e com condições para as raízes das plantas se aprofundarem mais, com isso tendo possibilidade de buscar umidade nas camadas mais profundas do solo, se tornando mais resistentes à deficiência hídrica.

2ª) Construção de
caixas secas às margens das estradas, com o intuito de armazenar as águas das chuvas, pois desta forma evitaremos erosão, buracos nas estradas, assoreamento de rios, enchentes, … e quando esta água for penetrando no subsolo lentamente após as chuvas, estaremos aumentando o volume de reserva de água no lençol freático, aumentando as águas das nascentes que ainda existem, retornando algumas que já são consideradas extintas.

3ª) Utilização de cobertura morta nas lavouras e plantio consorciado com braquiária, protegendo o solo contra a incidência direta do sol e erosão provocada pela força das gotas de chuva que destroem a estrutura do solo e arrasta a camada superficial que é a mais rica em matéria orgânica essencial para a vida do solo.

4ª) Plantio consorciado de pastagens e ou lavouras com outras espécies de culturas como madeiras ou frutíferas com o objetivo de obter mais renda sobre a mesma área, pois uma cultura ajuda a outra, pois tanto o café quanto o gado se tiver um sombreamento em torno de 30% , terá uma variação térmica menor a nível de solo, ou seja, durante o dia vai esquentar menos e durante a noite vai esfriar menos, e isto faz com que tanto as plantas como os animais consumam menos energia para se manter, assim sobra energia para transformar em maior produção.

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