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Opinião

Cenário internacional , ainda não indica melhoria de preços , do leite

por Redação Conexão Safra

em 25/01/2016 às 0h00

4 min de leitura

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O mercado internacional continua dando sinais que indicam que os preços podem demorar um pouco mais do que o esperado para uma recuperação. Tanto do lado da produção, quanto do lado da demanda e o nível de estoques, indicam que ainda deve demorar para uma recuperação mais sustentável de preços.

Produção ainda cresce nos principais mercados produtores e exportadores

Apesar das fortes quedas de preços do leite na maioria dos países mais relevantes na produção e exportação de lácteos no mundo, a produção agregada deles ainda segue maior do que em 2014, basicamente pelo crescimento observado na União Europeia e nos Estados Unidos. O gráfico 01 mostra a variação do volume de produção de janeiro a novembro (2015 vs. 2014) e 0 percentual de variação dos volumes.

Gráfico 1. Variação (em milhões de litros e %) da produção de leite em países selecionados &ndash, Janeiro a Novembro (2015 vs. 2014).


Fonte: elaborado pela equipe do MilkPoint Mercado a partir de diferentes fontes

O crescimento europeu de cerca de 2% sobre 2014 (que significa cerca de 2,7 bilhões de litros adicionais de janeiro a novembro de 2015) é explicado pela liberação das cotas de produção em abril de 2014 e pelo consequente crescimento, bastante acelerado em alguns países (Irlanda cresce 13% e Holanda 6% sobre os volumes produzidos em 2014). Nos Estados Unidos, apesar da queda de quase 29% dos preços ao produtor entre 2015 e 2014, o crescimento da economia local e a melhor relação de preços com milho e soja naquele mercado explicam um crescimento de 1,2% até novembro, representando cerca de 1 bilhão de litros adicionais. O crescimento destes 2 gigantes da produção mais do que compensa a queda de 1,4% de janeiro a novembro na Nova Zelândia, grande exportador mundial de lácteos e onde o volume acumulado de queda até novembro foi de cerca de 260 milhões de litros de leite (na verdade, já temos dados de janeiro até dezembro de 2015 na Nova Zelândia e a queda total de produção em 2015 totaliza 300 milhões de litros de leite no ano. Considerando apenas o período da safra 2015/2016, a queda de produção é da ordem de 2,8%)

Demanda ainda patina nos principais importadores

China e Rússia, os dois principais importadores de lácteos do mundo, seguem comprando volumes bem menores inferiores que há 12 meses. A tabela 01 mostra os volumes de compra chineses para leites em pó e a tabela 02 as compras russas de manteiga, leite em pó desnatado e queijos.

Tabela 1. Importações chinesas de leites em pó &ndash, 2015 vs. 2014.


Tabela 2. Importações russas de derivados lácteos &ndash, 2015 vs. 2014.


A redução dos volumes importados pelos chineses (-53 mil toneladas de leite em pó desnatado e -318 mil toneladas de leite em pó integral) representa um volume de cerca de 3,2 bilhões de litros de leite fresco equivalente, e a diminuição das compras russas equivalem a 1,2 bilhões de litros de leite fresco. Ou seja, juntas, China e Rússia deixaram de comprar cerca de 4,4 bilhões de litros de leite!

E, como consequência, os níveis de estoques aumentam…

Este desequilíbrio que ainda persiste entre oferta e demanda no mercado mundial de lácteos vem fazendo aumentar os volumes estocados. Na Europa, o programa governamental de compra de excedentes de leite em pó desnatado acumulava, em novembro/2015 (último dado disponível), cerca de 56 mil toneladas de leite em pó desnatado. Nos Estados Unidos, os estoques de desnatado atingem números superiores a 80 mil toneladas de produto, além dos volumes estocados de queijos e manteiga.

Assim, os atuais níveis de preços internacionais, que assustam e desestimulam produtores e indústrias nos diferentes mercados, não aparentam reação mais significativa no curto prazo.

Por Valter Bertini Galan

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