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A Colômbia propôs nesta quarta-feira (10) que países produtores de café formem uma associação para deter maior influência no mercado cafeeiro, conforme produtores de todo o mundo se reúnem no Brasil para discutir a sustentabilidade econômica da produção de café.
“Precisamos de ação, pois o problema é claro: há 25 milhões de cafeicultores que mal conseguem cobrir seus custos de produção ”, disse Eugenio Velez, diretor da federação de café da Colômbia, na cerimônia de abertura do segundo Fórum Mundial dos Produtores de Café.
Velez sugeriu que os países presentes ao fórum, que inclui representantes das Américas Central e do Sul, da Ásia e da África, unam forças para tentar impor algum tipo de limitação de oferta como um caminho para impulsionar os preços, considerados inadequados por agricultores.
Os valores do café atingiram seus menores níveis em 12 anos em maio. Eles chegaram a ter alguma recuperação, mas seguem em níveis considerados historicamente baixos e abaixo dos custos de produção.
Cafeicultores no fórum criticaram torrefadoras, afirmando que elas continuam a vender café processado a preços altos, mas a cada ano pagam menos aos produtores.
O economista Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, apresentou um estudo a respeito da situação dos cafeicultores globalmente, sugerindo a criação de um fundo mundial para financiar melhorias tanto na produção quanto nas condições sociais.
Sachs sugeriu que governos de nações produtoras, doadores internacionais e grandes processadoras de café em países desenvolvidos, como Nestlé, JDE, Lavazza e Starbucks, ajudem a financiar o fundo.
“O café é claramente um negócio muito lucrativo para as torrefadoras, mas isso não está funcionando para produzir desenvolvimento sustentável, então há um quebra-cabeças ”, disse Sachs.
Ele afirmou que o fundo poderia desenvolver as produtividades agrícolas como maneira de reduzir os custos de produção, e ao mesmo tempo melhorar os padrões de vida em países produtores.
Organizadores do fórum disseram que levarão a proposta a presidentes de países produtores para iniciar um movimento em direção à criação do fundo.
A proposta colombiana para uma associação de países produtores, por sua vez, tem menos chances de avançar.
Maior produtor do mundo, o Brasil, por exemplo, não é um apoiador.
“Nós tivemos isso no passado, e não funcionou ”, afirmou José Marcos Magalhães, um dos organizadores do fórum, referindo-se ao Acordo Internacional do Café, que se dissolveu nos anos 1980.
Magalhães acredita que produtores precisam ter um melhor conhecimento a respeito de como o mercado trabalha, para que possam fazer melhores acordos quando o preço subir. (*Reportagem de Marcelo Teixeira)




