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O preço do café iniciou fevereiro em queda, conforme apontam levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Até janeiro, o movimento de desvalorização estava associado às condições climáticas favoráveis em importantes regiões produtoras, com registro de chuvas em volumes considerados adequados para o desenvolvimento das lavouras.
Entretanto, nas últimas semanas, novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ampliaram a pressão sobre as cotações. A projeção indica que a safra 2026/27 pode alcançar volume recorde no Brasil, superando a marca registrada na temporada 2020/21, até então a maior já colhida no país. Caso se confirme, será o primeiro recorde após cinco temporadas.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a expectativa de maior oferta contribui para o recuo do preço do café no mercado interno. Ainda assim, os analistas ponderam que o cenário pode favorecer a recomposição dos estoques, que vêm sendo comprometidos nos últimos anos devido ao equilíbrio apertado e, em alguns momentos, deficitário entre oferta e demanda global.
Mesmo com a perspectiva de produção elevada, o Cepea avalia que não há indicativo de excedentes expressivos no curto prazo. Isso porque o consumo internacional segue sustentado, o que tende a absorver parte relevante da oferta adicional prevista.
Diante das quedas recentes, produtores optaram por reduzir o ritmo de comercialização. As negociações permanecem praticamente paralisadas, à espera de melhores condições de mercado. Por outro lado, a baixa disponibilidade de café no mercado spot tem dificultado a formação de lotes por parte de exportadores, que relatam desafios para atender demandas imediatas.
O comportamento do preço do café nos próximos meses dependerá da confirmação das estimativas de safra e da evolução da demanda internacional, fatores que continuam a influenciar diretamente a dinâmica do setor.





