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Entre setembro de 2024 e janeiro de 2025 foram registrados sete roubos em propriedades rurais das regiões Norte e Noroeste do Estado. Em Boa Esperança, foram três casos em menos de 30 dias, dois deles em uma mesma propriedade e com um intervalo de apenas 10 dias. Na lista de itens levados pelos assaltantes estão carros, caminhões, dinheiro, celulares, motos, armas, equipamentos, produtos usados nas lavouras, café e pimenta-do-reino.
“A polícia conseguiu recuperar parte do material levado, mas ainda assim o prejuízo chega a R$ 300 mil. É uma situação inexplicável, não tenho nem palavras para dizer o sentimento de ter a propriedade invadida”. A fala é do produtor assaltado duas vezes, em Boa Esperança, que preferiu não se identificar.
Além da subtração de bens das propriedades, em alguns casos os produtores e familiares foram agredidos e feitos reféns durante horas. Foi o que aconteceu com um fazendeiro da comunidade de Nativo, em São Mateus, em setembro, que levou um tiro, e um senhor de 80 anos que foi espancado durante o assalto à sua fazenda às margens da ES-320, na zona rural de Ecoporanga, em novembro.
O diretor da Cooperativa Agropecuária da Bacia do Cricaré (Coopbac), Erasmo Negris, disse que a sensação de insegurança no campo é muito grande. Para ele, um dos motivos para o aumento dos furtos e roubos em propriedades é o preço elevado do café e da pimenta-do-reino.
“A sensação de insegurança no campo é uma realidade que os produtores rurais convivem há muito tempo. O número de casos só vem crescendo com o passar dos anos e, certamente, a valorização dos produtos agrícolas, como é o caso do valor pago na pimenta e no café, são um chamariz a mais para bandidagem”, esclarece.
Segurança particular
Os produtores têm investido cada vez mais em aparatos de segurança. “Cerca de 35% do meu trabalho hoje é feito no interior. O mais comum é a instalação de câmeras e alarmes na entrada das propriedades, armazéns e locais onde são guardados os implementos agrícolas, mas já instalei câmeras até em poços de piscicultura, para evitar que os ladrões roubassem os peixes dos tanques”.
O relato é do empreendedor Samuel Gonçalves Moreira, que trabalha há mais de 10 anos com a instalação de equipamentos de segurança privada em São Mateus. A cerca de seis anos, Samuel conta que disparou a procura do serviço por parte dos produtores rurais de São Mateus e vários outros municípios vizinhos.
O que dizem as autoridades
Por meio de nota a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) informou que desde 2022 está em execução o Plano Estadual de Segurança Rural, com foco no combate aos furtos e roubos, além de outros tipos de crime, contra os trabalhadores e produtores do campo.
Desde então, todo ano, a Polícia Militar realiza a Operação Colheita, que vai de abril ao final de novembro, com objetivo de aumentar o patrulhamento nas áreas rurais do Estado.
A nota esclarece ainda que diversas unidades da PM contam com a Patrulha Rural, que fazem operações específicas, blitze periódicas, além do policiamento comunitário, o que fortalece a presença da PM nas regiões agrícolas para combater os crimes e criar um ambiente mais seguro para os produtores e suas propriedades.
Com relação aos casos citados no início da matéria, a nota diz que o roubo de pimenta em 28 de janeiro, em Boa Esperança, foi elucidado, com a prisão do suspeito e recuperação de materiais furtados na propriedade. Em relação ao caso, também em Boa Esperança, do dia 2 de janeiro, em que houve roubo de pimenta, quatro suspeitos foram identificados e presos em operação, e todo o material, além da carga de pimenta-do-reino, recuperados.
Também por meio de nota a Federação de Agricultura do Espírito Santo (Faes), disse que tem realizado um trabalho contínuo de orientação aos produtores rurais, lideranças do setor, presidentes de sindicatos, associações e cooperativas, incentivando o aproveitamento do apoio oferecido pelo Governo do Estado no fortalecimento da segurança no campo.
Esse esforço ganhou força a partir de 2022, quando foi iniciado um projeto estratégico que resultou no Plano Estadual de Segurança Rural junto à Sesp. Desde então, foram promovidas reuniões com representantes do Estado, além de ações fundamentais como a orientação quanto à formalização de boletins de ocorrência e medidas de proteção ao patrimônio rural.
“Entre as iniciativas implementadas, destacam-se o Cerco Inteligente e a instalação de câmeras de monitoramento, que têm contribuído significativamente para a redução dos índices de criminalidade no meio rural. Embora a insegurança no campo seja um desafio em todo o Brasil, o Espírito Santo tem avançado nesse enfrentamento“, salienta o presidente da Faes, Júlio Rocha.





