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Incaper apresenta experiência de agroecologia em Iconha no Seminário de Boas Práticas de Ater

Durante o Seminário Nacional de Boas Práticas de Ater...

por Redação Conexão Safra

em 04/12/2015 às 0h00

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Durante o Seminário Nacional de Boas Práticas de Ater, que ocorre em Brasília entre os dias 1 e 3 de dezembro, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) apresentou uma experiência exitosa no eixo Ater e Desenvolvimento Sustentável. O extensionista do escritório local de Iconha Fábio Lopes Dalbom e o agricultor Natanael Adami Justi relataram a experiência de agroecologia e organização social realizada nesse município.

Intitulada “Agroecologia, Agricultura Orgânica e Ater participativa e inclusiva: bases para a sustentabilidade da agricultura familiar ”, a prática trouxe resultados muito significativos para os agricultores no município em diversos âmbitos, como a organização social, diversificação da produção, acesso a políticas públicas, recuperação ambiental e melhoria da qualidade de vida das as famílias.
Durante esse processo, por exemplo, houve o fornecimento de alimentos orgânicos de qualidade superior para cerca de 10.000 pessoas/ano, entre alunos, consumidores da feira e beneficiários de políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

“Foram comercializados, aproximadamente, R$ 500 mil por ano de banana orgânica, o que representa R$ 25 mil por família por ano. Deixaram de ser lançados no meio ambiente cerca de 8 mil quilos de agrotóxicos e deixaram de ser utilizados 1.400 toneladas por ano de adubos químicos ”, relatou Fábio.
Além disso, aproximadamente 25 nascentes foram conservadas e preservadas e 20 propriedades deixaram de lançar efluente sem tratamento nos cursos hídricos.

Histórico da Boa Prática
A história começou em 2007, um pouco antes do técnico de Ater do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Fábio Lopes Dalbom chegar a uma pequena comunidade de agricultores familiares em Iconha, município do Sul do Estado do Espírito Santo. Os produtores, até então, plantavam apenas café e banana pelo sistema convencional, fazendo uso de agrotóxicos, produtos químicos e sem agregar valor à produção &ndash, os poucos produtos eram vendidos com a intervenção de atravessadores, o que gerava quase nada ou nada de lucro.

“Eles tinham organizações, mas não tinham tanto poder de intervir na realidade, tinham uma estrutura frágil. E dentro dessa realidade, focamos em trabalhar o processo de fortalecimento das organizações dos produtores e agricultores familiares ”, conta Fábio, que começou o trabalho em 2010. E deu certo. O trabalho intenso de transformação resultou na formalização de associações, como a Tapuio Ecológico, e na criação de uma cooperativa, a dos Agricultores Familiares Sul Litorânea do Estado do Espírito Santo (Cafsul), da qual Natanael é sócio-fundador.

A partir do trabalho de conscientização com os agricultores, a equipe técnica de Ater conseguiu melhorar a produção na comunidade. Hoje, quase 100% dos associados possuem certificação orgânica e produzem de forma agroecológica. “A assistência técnica tem um papel decisivo nesse processo. Mas, claro, a autonomia tem que ser do produtor. Mas ter buscado as políticas públicas e ter socializado com eles foi fundamental, até mesmo para apoiá-los nesse processo de entender melhor o sistema de produção sustentável ”, explica Fábio.

Atualmente, os agricultores familiares vendem seus produtos, que agora são bem diversificados, para programas do Governo Federal, como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (Pnae). Também por meio de ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), os produtores melhoraram a infraestrutura das associações e da cooperativa, com galpões, locais apropriados para a produção e câmaras frias. “Essa estrutura é muito importante para o escoamento da produção ”, enfatiza o agente de Ater.

Agroecologia
Fábio acrescenta mais conquistas a essa lista. “Conseguimos que esses agricultores tivessem acesso a feiras agroecológicas e orgânicas do Estado e eles começaram a vender para o PAA e Pnae com o valor agregado, já com 30% a mais, por serem produtos orgânicos. Agora, estamos trabalhando a certificação de mais 40 cooperados para que eles vendam produtos orgânicos e capacitando outros 40 para entrarem nesse processo ”, orgulha-se.

Natanael conta que o começo não foi fácil, mas o resultado compensou todo o esforço. “Foi muito difícil quando começamos. Nós certificamos a propriedade, mas não tínhamos apoio e nem mercado para isso. Hoje, não. Somos praticamente 100% orgânicos. Temos parcerias, estrutura montada, as propriedades orgânicas, todas, têm plano de manejo, melhorou muito ”, garante.
Para Natanael, a mudança para o sistema agroecológico foi de extrema importância. “Pelo sistema convencional e com os atravessadores, a gente vendia uma caixa de banana na feira por R$ 10,00. Hoje, conseguimos em torno de R$ 60,00 R$ 70,00. Se não fosse essa transição e o apoio técnico, a gente não conseguiria trabalhar. Temos uma estrutura boa, agora a gente consegue manter a mercadoria, deixá-la com boa qualidade ”, comemora.

Fonte: Incaper

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