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Depois da crise, a descoberta de um novo negócio fortaleceu a CACAL

"A cooperativa agrária mista de Castelo abadou o laticíiio e investiu na proução de ração paragado. O novo negóciO foi uma solução lucrativa que cresce e mantém a tradição de 50 anos"

por Redação Conexão Safra

em 04/10/2013 às 0h00

8 min de leitura

Depois da crise, a descoberta de um novo negócio fortaleceu a CACAL

Jornalista: Andresa Alcoforado

O que começou com uma fabriqueta apenas para abastecer os cooperados, agora se transformou em um negócio de sucesso



Para muitas pessoas, a derrota é o fi m de projetos para um recomeço distante. Há sete anos, a Cooperativa Agrária Mista de Castelo, CACAL, passou por uma séria crise, viu a indústria de laticínios não gerar mais lucros e ter um custo de produção alto. Com isso, a cooperativa quase fechou as portas. Com a determinação dos agricultores surgiu um novo negócio: a produção de ração para animais. O que começou com uma fabriqueta apenas para abastecer os cooperados, agora se transformou em um negócio de sucesso. São muitas toneladas do produto que abastece todo o Espírito Santo. O faturamento da CACAL gira em torno de R$ 2 milhões por mês. A cooperativa cresce atendendo em todo o estado e tem planos maiores: quer vender também em outros.


A sede da CACAL continua no mesmo endereço, no bairro São Miguel, mas a área que antes era praticamente sem casas se tornou uma rua movimentada, há poucos metros do centro de Castelo. Mais do que o aumento no número de vizinhos, a cooperativa aumentou sua produção e a visão de negócio. Caminhões carregados saem o dia inteiro e a fábrica não para de produzir para dar conta das encomendas. São cerca de 23 mil sacas de ração animal produzidas por mês.


Domingues João Piassi acompanha bem atendo as mudanças, tão de perto que desde 2006 ele ocupa o mesmo cargo, a presidência da CACAL. O cooperado que virou o administrador de um negócio de sucesso fala com tranquilidade sobre as mudanças, ampliações, projetos, investimentos e a expectativa de crescimento.

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“No início tínhamos uma loja de agropecuária, supermercado e o laticínio, uma parte do leite era industrializado, outra vendida para outra cooperativa maior. Foi em março de 2006, que o laticínio parou de funcionar por completo. O custo operacional era alto e a produção era em uma escala muito pequena. O caminho certo foi realmente buscar parcerias. Levamos dois anos para ir ajustando a parte comercial. Nós já fazíamos um tipo de ração que era comercializada para os cooperados, principalmente para que o gado fi casse bem alimentado e a produção não variasse muito na época de seca ”, lembra o presidente.


Dos 270 cooperados, 200 ainda produzem leite e repassam como todos os outros, para a cooperativa parceira de Cachoeiro de Itapemirim, a Selita. Os demais cooperados necessariamente não produzem leite, mas realizam outras ações no campo. Quem está fi liado a CACAL recebe atendimento no campo com máquinas, técnicos agropecuários, têm descontos na ração produzida e também na compra de produtos da loja.


“O acordo com a Selita é antigo, mandamos o leite e a cooperativa de Cachoeiro compra de nós a ração para os seus 2.000 cooperados, mas também vendemos para outras cooperativas como a Colagua, de Guaçuí e a Colamisul, de Mimoso do Sul. Com isso, aumentamos em escala considerável essa estocagem de grãos. Quando vendíamos apenas para associados chegávamos a seis mil sacas no mês, hoje são 23 mil. Nosso diferencial é que não temos a entressafra do leite, as vacas de nossos cooperados produzem a mesma quantidade o ano inteiro. Isso acontece graças à qualidade da ração. Enquanto os outros sofrem, não temos variação nenhuma na produção o ano todo ”, afi rma Domingos.



Pr odução de grãos Futuro da CACAL O pátio da CACAL ficou pequeno para tantos projetos de ampliação e aumento da produção. A estocagem atual é de 500 toneladas, mas está em andamento junto à Secretaria Estadual de Agricultura, Seag, mais duas áreas de estocagens, uma que vai armazenar 416 toneladas e outra para 52 toneladas. Ainda no mês de junho, esse novo parque industrial deve estar em funcionamento.


“Essa ampliação surge de várias formas na CACAL. Nossa loja de produtos agropecuários, por exemplo, ficou pequena para tan- A matéria prima para a produção vem dos estados do Mato Grosso, Minas Gerais e também de estados do nordeste brasileiro. Os minerais e grãos chegam e são armazenados na indústria. Em salas separadas passam por todo o processo de produção, da moagem até a mistura, do ensacamento ao carregamento nos caminhões. A CACAL tem 26 funcionários divididos entre apoio no campo, administração da cooperativa, fábrica e atendimento na loja de produtos agropecuários.


Quem acompanhou de perto essa implantação foi Edson Perim Galvão, quando estava encerrando o curso de zootecnia na UFRRJ, tos materiais, e também o número crescente de vendas. Então, no local onde funcionava o laticínio, que estava em pé até hoje porque não sabíamos exatamente se um dia voltaríamos a utilizá-lo, vai virar a partir do próximo mês uma grande loja e com anexos também de escritórios ”, afirma Domingues. A tecnificação está acontecendo também com os agricultores no campo, mais máquinas para o atendimento e projetos que visam melhoramento genético e aumento da produção leiteira. Tanto que os cooperados fazem Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Há 18 anos é o zootecnista que faz as misturas, avalia as novidades do mercado e percebe o espaço que a cooperativa vem ganhando nas vendas.

“Logo no início tínhamos muita dificuldade de conseguir colocar esse produto no mercado, o ramo é disputado e com muitas empresas que tem grandes capitais de investimento. Mas as coisas mudaram e nossa cooperativa praticamente dita o preço de mercado agora no Espírito Santo. A oscilação dos grãos é muito grande, mas é fato que somos muitas vezes líderes ”, destaca Edson.


Futuro da CACAL

O pátio da CACAL ficou pequeno para tantos projetos de ampliação e aumento da produção. A estocagem atual é de 500 toneladas, mas está em andamento junto à Secretaria Estadual de Agricultura, Seag, mais duas áreas de estocagens, uma que vai armazenar 416 toneladas e outra para 52 toneladas. Ainda no mês de junho, esse novo parque industrial deve estar em funcionamento.


“Essa ampliação surge de várias formas na CACAL. Nossa loja de produtos agropecuários, por exemplo, ficou pequena para tantos materiais, e também o número crescente de vendas. Então, no local onde funcionava o laticínio, que estava em pé até hoje porque não sabíamos exatamente se um dia voltaríamos a utilizá-lo, vai virar a partir do próximo mês uma grande loja e com anexos também de escritórios ”, afirma Domingues.


A tecnificação está acontecendo também com os agricultores no campo, mais máquinas para o atendimento e projetos que visam melhoramento genético e aumento da produção leiteira. Tanto que os cooperados fazem Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Há 18 anos é o zootecnista que faz as misturas, avalia as novidades do mercado e percebe o espaço que a cooperativa vem ganhando nas vendas. “Logo no início tínhamos muita dificuldade de conseguir colocar esse produto no mercado, o ramo é disputado e com muitas empresas que tem grandes capitais de investimento. Mas as coisas mudaram e nossa cooperativa praticamente dita o preço de mercado agora no Espírito Santo. A oscilação dos grãos é muito grande, mas é fato que somos muitas vezes líderes ”, destaca Edson. parte de planejamentos vindos do Governo do Estado e também da própria parceira Selita, que trabalha com pastagem rotacionada.


50 anos de história, como tudo começou…

A história da Cooperativa Agrária Mista de Castelo começa dentro da primeira Associação de Produtores Rurais de Castelo, no ano de 1962. A cooperativa foi fundada no ano seguinte, em 9 de novembro de 1963, por 32 produtores rurais que colocaram o nome de Cooperativa Agrária de Castelo, CAC. Esse fato foi realmente o que impulsionou a pecuária leiteira em Castelo e nos municípios próximos. O primeiro presidente eleito foi Edson Guimarães.


Mas até que toda a documentação ficasse pronta, a CAC só começou a produzir de fato quatro anos depois, já que na época o serviço de inspeção ficava na capital do estado do Rio de Janeiro, até que toda burocracia ficasse pronta, foram muitas viagens até o Rio. A primeira carga foi enviada para o Leite Glória, mas logo nos primeiros anos a cooperativa começou a enfrentar dificuldades e teve repassar o leite para a Cooperativa de Laticínios de Cachoeiro, hoje Selita.


A história da CACAL se mistura com a produção leiteira em Castelo e também da região. Já naquela época se pensou em fazer armazéns e silos para depósito e comercialização de cereais. Tanto para alimentação do gado, como para abastecer as propriedades em outros serviços. A CACAL influencia a economia na região há 50 anos e tem participação na história de muitas pessoas


CACAL em números

– Fundada em 9/11/1963
– Atualmente conta com 270 cooperados
– 73% dos cooperados são agricultores familiares
– O faturamento mensal da CACAL chega a R$ 2milhões
– São vendidas de 40 a 45 toneladas por mês de sal mineral
– A cooperativa tem 26 funcionários, mas
atinge cerca de cinco mil pessoas
– Os cooperados têm direito a máquinas, qualificação
e atendimento de técnicos agrícolas
– Os cooperados produzem de 28 a 30 mil litros de leite por dia
– São quase 23 mil sacas de ração produzidas por mês
– Produzem também sal mineral com
suplementação de nutrientes

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