Agro em transformação

Do curral ao conilon: o novo mapa do agro capixaba

Municípios historicamente ligados à pecuária leiteira começam a ganhar destaque em uma nova vocação econômica: o plantio de café conilon

Do café ao conilon
Imagem: Conexão Safra/IA

O Espírito Santo vive uma transformação profunda, silenciosa e extremamente estratégica no agronegócio.

Nos últimos anos, o estado consolidou avanços importantes em sustentabilidade, rastreabilidade, inovação e abertura de mercados internacionais, especialmente no café.

Hoje, o café capixaba já é reconhecido mundialmente pela qualidade, pela responsabilidade ambiental e pela força de uma produção construída por milhares de famílias rurais.

Mas uma movimentação recente chama atenção e ajuda a desenhar o futuro do agro no estado.

Em duas extremidades do Espírito Santo, municípios historicamente ligados à pecuária leiteira começam a ganhar destaque em uma nova vocação econômica: o plantio de café conilon.

À primeira vista, parece improvável associar Ecoporanga e Presidente Kennedy. Um no extremo norte, fazendo divisa com Minas Gerais. O outro no litoral sul, na divisa com o Rio de Janeiro.

Distantes geograficamente, os dois municípios passam a compartilhar algo muito maior que localização: ambos começam a ocupar espaço no novo mapa de expansão do conilon capixaba.

Isso não significa, em hipótese alguma, perda de importância da pecuária leiteira, atividade que segue sendo fundamental para a economia, para a geração de renda e para a identidade produtiva dessas regiões. Pelo contrário.

A pecuária leiteira capixaba continua sendo uma das bases mais importantes do agro do Espírito Santo e também vive um momento em que tecnologia, inovação, melhoramento genético e tecnificação no campo se tornam cada vez mais necessários para ampliar produtividade, qualidade e competitividade.

Ecoporanga já vem demonstrando esse movimento há mais tempo.

Em setembro de 2025, já tratávamos deste assunto na reportagem de Rosi Ronquetti.

O conteúdo reportava o crescimento da cafeicultura em municípios do extremo norte, historicamente ligados à pecuária leiteira, que começavam a ganhar destaque no plantio de café conilon como uma nova vocação econômica.

Agora, Presidente Kennedy surge como uma nova fronteira agrícola em ascensão.

O município, tradicionalmente ligado à pecuária, começa a atrair olhares atentos para o potencial do café conilon, impulsionado por fatores estratégicos que vão muito além da lavoura.

Existe ali uma combinação rara e poderosa entre localização privilegiada, capacidade logística, novos investimentos e oportunidades globais.

E é impossível falar sobre esse novo cenário sem mencionar o Porto Central, empreendimento que promete elevar o Espírito Santo a outro patamar logístico e econômico.

A conexão entre produção e exportação nunca esteve tão próxima.

Imaginar toneladas de café conilon produzidas em Presidente Kennedy seguindo diretamente para mercados internacionais por meio do Porto Central já não parece exagero nem projeção distante.

É um cenário que começa a se tornar realidade diante de um estado que aprendeu a transformar potencial em oportunidade.

O mais interessante é perceber como o agro capixaba vem deixando para trás antigos rótulos.

O Espírito Santo já não pode mais ser enxergado apenas como um território tradicional de produção agrícola.

O estado se consolida como um ambiente moderno, competitivo, sustentável e conectado às demandas globais.

Quando regiões historicamente voltadas à pecuária passam a diversificar suas atividades e investir em novas culturas, o que se vê não é substituição, mas fortalecimento do campo por meio da diversificação econômica.

É uma mudança de mentalidade. É o produtor rural entendendo o mercado, acompanhando tendências e buscando alternativas capazes de gerar renda, desenvolvimento e permanência no campo.

Ecoporanga e Presidente Kennedy ajudam a simbolizar exatamente esse novo momento. Dois extremos geográficos unidos pela mesma visão de futuro.

O Espírito Santo do agro já não cresce apenas para dentro. Cresce para o Brasil e para o mundo.

Sobre o autor Kátia Quedevez Kátia Quedevez é jornalista desde 1992 e diretora de comunicação com forte atuação no Espírito Santo. Com formação em Jornalismo e Mestrado em Administração de Empresas com foco em Inovação, ela dirige a editora Conexão Safra, uma referência na produção de conteúdo sobre o agronegócio capixaba em diversas mídias. Sua experiência profissional é versátil, abrangendo liderança comercial, produção e assessoria de comunicação nos setores público e privado, e atuação como professora universitária. Ver mais conteúdos