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Acostumados ao trabalho árduo do campo desde a infância, Diogo Henrique Calincani, 31 anos, e Tiago Abreu, 27, moradores de Santana do Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, transformaram a rotina diária em conteúdo para as redes sociais e já somam mais de 1,3 milhão de seguidores.
Conhecidos nas redes como “os meninos”, eles trabalham em uma propriedade rural, e compartilham diariamente vídeos sobre o cotidiano no campo e em casa, de maneira leve e sempre sorridentes.
Antes de se conhecerem, cada um tinha planos diferentes. Tiago sonhava em trabalhar com o público. “Queria ser dançarino ou fotógrafo. Sempre quis ser reconhecido”, diz.

Já Diogo pensava em seguir carreira como professor de Geografia. Enquanto o sonho não se concretizava, fazia diversos trabalhos temporários, como buffet e decoração de festas. “Sempre lutei para ter minhas coisas”, resume.
A presença na internet surgiu de forma espontânea. Diogo publicava vídeos dançando sozinho, até o dia que Tiago levou para casa uma caixa de som. Os dois gravaram um vídeo dançando juntos e decidiram postar. O vídeo alcançou milhões de visualizações.
O bordão “né, amor?” logo se tornou marca registrada dos vídeos. De acordo com eles, a expressão já fazia parte da rotina do casal antes mesmo da fama digital. “A gente nunca se chamou pelo nome. Sempre foi ‘amor’. Nos vídeos saiu de forma natural e o público gostou”, explicam.
Preconceito e repercussão
Com a repercussão, vieram tanto seguidores quanto críticas.
Mesmo diante de comentários negativos, decidiram continuar produzindo conteúdo.
Segundo eles, a exposição também trouxe episódios de preconceito, principalmente nas redes sociais.
Comentários ofensivos e ataques virtuais chegaram a envolver familiares. “O que mais doeu foi quando atingiram nossas mães”, relatam.
Após críticas direcionadas à família, optaram por reduzir a participação delas nos vídeos. No ambiente de trabalho, dizem que nunca sofreram discriminação por parte dos patrões, mas que enfrentam comentários de terceiros no entorno.
Apesar da projeção nas redes, o sonho permanece ligado à terra. O objetivo é conquistar um pedaço próprio para produzir e construir a própria história no campo.
Enquanto isso, seguem dividindo a rotina entre o trabalho rural e a produção de conteúdo, mantendo a simplicidade que, segundo afirmam, é a maior riqueza que possuem, e o respeito entre eles e com os seguidores.
“O que mostro na internet é a minha simplicidade. Trabalhar sujo não é vergonha”, afirma Tiago.





