Geral

Caparaó Capixaba: um lugar para chamar de “meu”

"""Me sinto com uma missão cumprida e respirando aliviada com essa notícia. Tenho 18 anos de luta com essa região e vou me aposentar aqui"", Dalva Ringuier."

por Redação Conexão Safra

em 04/10/2013 às 0h00

6 min de leitura

COM DESENVOLVIMENTO E SUSTENTABILIDADE

Pregando a certeza do pertencimento da região. o Consórcio Caparaó mudou histórias e trabalha há 14 anos para que a região seja exemplo de proteção ao Meio Ambientee também da população nativa.



O que era apenas um Fórum se transformou em Consórcio e ainda é, só que um Consórcio Público e pode ajudar ainda mais no desenvolvimento dos 11 municípios do Caparaó Capixaba. O Consórcio Caparaó formou milhares de educadores ambientais, apresentou projetos aos governantes e também aos moradores da região. Ao longo de 14 anos desde a sua criação, a região tomou força não só na divulgação turística de suas belezas naturais, mas na luta de direitos e do desenvolvimento dos municípios, que tem os piores Índices de Desenvolvimento Humano do estado, mas que guardam um grande potencial, que pode ser a chave da mudança.

A frente dessa empreitada de sucesso que só cresce está Dalva Ringuier, diretora do Consórcio, funcionária do estado e conhecida como a “Rainha do Caparaó ”, já que respira a região quase 24 horas por dia. Muitas das conquistas obtidas se devem a essa dedicação com a natureza e com os moradores locais. Os projetos desenvolvidos nas rodas de conversa, com os 11 municípios, conquistaram muitos frutos e realizações.

pube

“O Consórcio se tornou público e agora podemos ainda mais. Vamos criar um escritório de projetos para captar recursos para os municípios. Agora, vamos poder prestar serviços para prefeituras, já que muitas delas precisam de boas ideias e projetos ”, afirma a Diretora do Consórcio.

As ideias só foram se tornando realidade porque o Consórcio traçou um Plano de Desenvolvimento que pensou a região para os próximos anos. A previsão é vista de um Caparaó no ano de 2026, tendo como base economia limpa e participação mais ativa da comunidade, contra o turismo desenfreado sem pensar na sustentabilidade, a proteção das nascentes, do solo e das espécies, por exemplo, são algumas dessas lutas.

Depois de tanto pedir melhorias, falar sobre a questão do lixo e do saneamento, uma boa notícia que foi dada recentemente pelo Consórcio Caparaó pode mudar de uma vez a região para melhor. Uma verba do Banco Mundial, cerca de R$ 500 milhões vindos para o Governo do Estado, pretende sanear todos os 11 municípios do entorno do Caparaó Capixaba. Para começar a colocar isso em prática é preciso que haja projetos. Parte deles deve vir da Cesan e outra, dos SAAES.

“A população precisa ficar atenta para que o trabalho seja muito bem feito, tudo isso é um sonho antigo e também um problema antigo. Não é só daqui, o saneamento é um problema mundial. Todos os municípios começaram a ser intimados pelo Ministério Público. Temos planos municipais de resíduos, inclusive com coleta seletiva. Basta agora o interesse dos municípios ”, lembra Dalva.

Os prazos não são longos. Os municípios que tem a Cesan como responsável pela distribuição de água começaram o projeto licitatório, alguns já têm projetos que estabelecem como o saneamento será feito nos municípios. Já os municípios que tem SAAE, que são as autarquias, é necessário que a comunidade cobre de fato dos seus governantes.

“Me sinto com uma missão cumprida e respirando aliviada com essa notícia. Se conseguirmos sanear todos os municípios do Caparaó vai ser a realização de um sonho. Não é pessoal, mas coletivo e vai ser pioneiro no Espírito Santo. Tenho 18 anos de luta com essa região e vou me aposentar aqui ”, afirma Dalva.


Como tudo começou

Foi o Fórum Pró Caparaó, em 1995, que unindo forças conseguiu mostrar para o Governo Federal a importância da abertura de uma portaria capixaba no Parque Nacional, e foi o que aconteceu em Pedra Menina, Dores do Rio Preto. Depois de tantas lutas na defesa pela entrada, da divulgação do roteiro pelo Espírito Santo, hoje o número de visitantes pelo lado capixaba se compara ao da portaria mineira. Tanto que os dois estados começaram a atuar num roteiro de integração, o que gera mais visitação de turistas e divulgação para o Parque Nacional.

O protocolo de intenções deu tão certo que muito do que foi estudado naquela época continua valendo. Da abertura do PARNA depois vieram o Projeto Cama e Café, que começou atendendo de forma solidária os turistas e se transformou em fonte de renda para dezenas de pequenos agricultores. Os agricultores sabiam receber bem, tinham carisma e por que não receber em casa, mostrando aos turistas os costumes simples, oferecendo cama e café por um preço mais em conta? O projeto até hoje é um sucesso.

“O Cama e Café se tornou exemplo e é copiado por várias regiões de estado. Na verdade também copiamos esse projeto dos moldes americanos e deu muito certo no início. Bom dizer que esse projeto é atual e será usado na Copa de 2014, o que nos orgulha muito ”, explica Ringuier.


Atual Presidente acredita no desenvolvimento do Caparaó

O Presidente do Consórcio do Caparaó, Carlos Henrique Storck, assumiu a liderança no início do ano junto com a Prefeitura de Irupi. Ele tem planos para que o Consórcio continue auxiliando no desenvolvimento da região. Como a instituição virou um consórcio público, agora pode ser prestadora de serviços para prefeituras, Estado e até mesmo o Governo Federal. “A participação financeira dos 11 municípios é pequena, as cidades não tem como participar mais porque não tem grandes receitas e nesse ano nos deparamos com as constantes perdas de arrecadação. Não podemos contar só com isso, vamos buscar outros recursos, fazer projetos, prestar serviço ao poder público para que consigamos suprir nosso caixa e desenvolver ainda mais trabalhos na região ”, conta o Presidente.

Para Storck, o Consórcio Caparaó ao longo dos anos vem unindo pessoas de diferentes núcleos. Os resultados são bastante expressivos para uma região tão pobre e longe da
capital. Existem grandes deficiências, a região tem o Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo do Espírito Santo, são municípios pequenos e com poucos investimentos. A ideia é que o Consórcio continue com esse espírito de liderança para representar a região.

pube