Cana e café puxam queda de 0,58% nos preços agropecuários em junho

Grupo formado pelos dois produtos recuou 4,71% no mês e neutralizou as altas registradas nos segmentos de hortifrutícolas, grãos e pecuária

cana de açucar
Foto: Freepik

Os preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros registraram queda nominal de 0,58% em junho, na comparação com maio. O resultado foi pressionado principalmente pelo grupo formado por cana-de-açúcar e café, que apresentou retração de 4,71% no período, segundo o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea).

A redução do IPPA-Cana-Café foi suficiente para superar as altas observadas nos demais grupos acompanhados pelo indicador. Os preços dos produtos hortifrutícolas avançaram 1,16%, enquanto grãos e pecuária tiveram elevações de 0,08% cada.

Mesmo com a queda mensal, os preços agropecuários apresentaram desempenho superior ao dos produtos industriais. O Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento – Oferta Global – Produtos Industriais (IPA-OG-DI) recuou 1,66% em junho.

No mercado internacional, os preços dos alimentos medidos em dólares diminuíram 0,34% no mês. O efeito foi revertido pela desvalorização de 2,89% do real frente à moeda norte-americana. Com a variação cambial, os alimentos internacionais ficaram 2,54% mais caros quando os valores foram convertidos para reais.

Queda chega a 9,52% no primeiro semestre

Entre janeiro e junho de 2026, o IPPA/Cepea acumulou redução de 9,52%. Todos os grupos pesquisados registraram preços inferiores aos observados no início do ano, com a maior retração concentrada novamente no segmento de cana e café.

O IPPA-Cana-Café caiu 22,51% no primeiro semestre. Na sequência aparecem os grãos, com redução acumulada de 8,60%; os produtos hortifrutícolas, com queda de 4,65%; e a pecuária, com recuo de 4,34%.

A trajetória dos preços agropecuários contrasta com o resultado dos produtos industriais. O IPA-OG-DI acumulou alta de 0,69% entre janeiro e junho, enquanto o indicador do Cepea permaneceu em terreno negativo.

Os preços internacionais dos alimentos ficaram praticamente estáveis em dólares no primeiro semestre, com redução de apenas 0,03%. Em reais, entretanto, a queda chegou a 10,64%, influenciada pela valorização de 10,51% da moeda brasileira frente ao dólar no período.

Os dados mostram que o câmbio produziu efeitos diferentes ao longo do ano. Embora a valorização do real tenha ampliado a redução dos preços internacionais convertidos para a moeda brasileira no acumulado de janeiro a junho, a desvalorização registrada somente em junho fez os alimentos importados voltarem a subir em reais naquele mês.

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