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Ameaça à cafeicultura brasileira

O Brasil alcançou um marco histórico no mercado de trabalho. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o menor registrado para um trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012.
A população ocupada também atingiu o maior patamar da série, com 103,3 milhões de pessoas trabalhando, enquanto o contingente de empregados do setor privado com carteira assinada chegou a 39,4 milhões, novo recorde.
Para o Conselho Nacional do Café (CNC), os indicadores reforçam a relevância das políticas de geração de emprego, da formalização das relações trabalhistas e, sobretudo, do diálogo permanente entre Governo, trabalhadores (as) e setor produtivo.
Cafeicultura se destaca na geração de empregos formais
Neste contexto, dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstram a força da atividade cafeeira na geração de oportunidades formais de trabalho. Somente em junho, o cultivo de café registrou saldo positivo de 4.630 empregos formais, distribuídos por 464 municípios brasileiros. A atividade ficou entre as principais responsáveis pela geração de empregos no setor agropecuário naquele mês.
No acumulado do primeiro semestre, o cultivo de café alcançou aproximadamente 29,2 mil novos postos formais de trabalho em 663 municípios, evidenciando a capacidade da cafeicultura de gerar renda, oportunidades e proteção social nas regiões produtoras. O resultado acompanha o ciclo produtivo da cultura, especialmente o período de colheita, mas também evidencia a crescente importância da formalização das relações de trabalho no campo.
É nesse ambiente que o Conselho Nacional do Café destaca o trabalho desenvolvido, ao longo dos últimos anos, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e com as entidades representativas da cafeicultura.
O CNC deu o start e tem participado ativamente dessa construção, levando ao Governo Federal as demandas e particularidades dos produtores de café e contribuindo para a construção de soluções que sejam, simultaneamente, socialmente responsáveis, juridicamente seguras e economicamente viáveis.
O CNC também destaca a participação das entidades da iniciativa privada do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) que integram e contribuem para o diálogo no setor, entre elas CNA, Cecafé, ABIC, ABICS e organizações representativas dos trabalhadores, além dos órgãos do Governo Federal e instituições internacionais.
Um dos pontos considerados fundamentais pelo CNC nessa agenda é a conscientização de produtores, trabalhadores e trabalhadoras sobre os benefícios da formalização. Durante as discussões com o Governo Federal, ganhou especial importância a necessidade de esclarecer que o trabalhador que recebe Bolsa Família não perde automaticamente o benefício ao conseguir um emprego formal.
Essa informação foi amplamente divulgada pelo Governo Federal e pelo próprio ministro Luiz Marinho durante ações e visitas às regiões produtoras, contribuindo para combater um receio que, durante anos, dificultou a formalização de trabalhadores temporários da cafeicultura.
Mudanças necessárias
Apesar de todos os avanços ainda existem dificuldades que precisam ser enfrentadas. O Conselho Nacional do Café já formalizou os temas junto ao MTE e tem trabalhado para que sejam efetivamente acatados. “As propostas de melhoria apresentadas pelo CNC ao MTE buscam alterações fundamentais como a implantação da dupla visita, a extensão das horas laborais durante a colheita já que o trabalhador temporário ganha por produtividade. Embora trabalhadores urbanos e rurais estejam submetidos à legislação trabalhista, são atividades com características, ambientes e dinâmicas completamente distintas, o que exige uma aplicação adequada e compatível das normas. Além disso, a responsabilização de ambas as partes no caso do não uso do equipamento de proteção individual (EPI) se fornecido e orientado seu uso corretamente; da simplificação do processo de formalização da carteira de trabalho; e o avanço nos contratos entre o legislado e o acordado, entre outros”, explicou Silas Brasileiro, presidente do CNC.
Por fim, o Conselho reforça a importância que todo esse trabalho seja cada vez mais educativo e orientativo.





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