Reconhecimento internacional

Azeite capixaba conquista prêmio internacional pelo segundo ano seguido

Azeite produzido no Espírito Santo volta a se destacar no cenário global e reforça a qualidade da olivicultura capixaba

Azeite Altoé 1
O Azeite Altóe foi criado em 2022. Foto: divulgação

Após ter as amostras liberadas na alfândega turca apenas no dia da competição, “aos 45 do segundo tempo”, um azeite produzido em Afonso Cláudio, nas Montanhas Capixabas, volta a colocar o Espírito Santo no mapa internacional da olivicultura. O Azeite Altoé conquistou, pelo segundo ano consecutivo, medalhas em uma das mais importantes competições do setor, o Anatolian IOOC Istanbul (International Olive Oil Competition).

O concurso foi realizado na Turquia, entre os dias 28 e 30 de abril, e reuniu 521 amostras de mais de 20 países, quase o dobro de participantes em relação à edição anterior, o que torna o reconhecimento ainda mais expressivo. Mesmo diante do aumento da concorrência, o produto capixaba não apenas manteve o desempenho, como avançou de categoria.

O destaque ficou para o blend das variedades arbequina e arbosana, que recebeu a medalha Platinum, prêmio máximo de qualidade. Já o azeite monovarietal Koroneiki garantiu medalha de ouro, repetindo o bom desempenho da produção anterior, que havia sido premiada com outra variedade.

Em 2025, o Azeite Altoé foi o primeiro azeite extravirgem do Espírito Santo a obter reconhecimento internacional. Com acidez de 0,57%, abaixo do limite de 0,8% exigido para a classificação extravirgem, o azeite é resultado de uma plantação ainda pequena, com cerca de 1.600 oliveiras. “Em comparação com outros polos produtores do país, a escala é modesta, mas o cuidado em cada etapa tem feito a diferença no resultado final”, explica Leonardo Briosqui Altoé, produtor da marca.

Segundo o olivicultor, um dos principais avanços em relação ao ano passado foi a agilidade no processamento. “As azeitonas passaram a ser colhidas e levadas à fábrica no mesmo dia, em até três etapas diárias, o que contribui diretamente para a preservação da qualidade do azeite.”

Apesar das conquistas, Leonardo diz que ainda há espaço para evolução. “A produção de azeite no Brasil é relativamente recente, especialmente quando comparada a regiões tradicionais da Europa e do Mediterrâneo, onde a atividade existe há milênios. No Espírito Santo, os olivais ainda não completaram uma década. Temos muito a melhorar para chegarmos próximos aos principais azeites brasileiros. Nosso objetivo é evoluir a cada ano, para que, no futuro, estejamos no mesmo nível dos melhores do país”, pontua o produtor.

Leonardo destaca ainda que “além do reconhecimento técnico, a premiação internacional amplia a visibilidade, fortalece o posicionamento do produto no mercado e reforça o potencial do Espírito Santo como região apta à produção de azeites de alta qualidade, mesmo diante de desafios climáticos e estruturais”.

Para os próximos meses, os produtores planejam participar de novas competições internacionais, mas ainda mantêm em sigilo quais serão os próximos desafios.

Anatolian iOOC

O Anatolian iOOC é uma das principais competições do mundo e um dos mais rigorosos e prestigiados concursos internacionais do setor, reconhecido por seu rigor científico ao obter nota 9/10 no ranking mundial.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos