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Entrevista

‘Permanência da família rural no campo depende de melhora na sua economia’

Produtores rurais, suas mulheres e filhos estão no foco das ações do novo secretário de Agricultura do ES, José Roberto Macedo Fontes

por Redação Conexão Safra

em 27/09/2022 às 17h56

6 min de leitura

‘Permanência da família rural no campo depende de melhora na sua economia’

Foto: arquivo pessoal

Engenheiro agrônomo e doutor em Fitotecnia, o novo secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), José Roberto Macedo Fontes, completa um mês à frente da pasta. Chamado para o cargo justamente por seu perfil técnico, José Roberto assume a Secretaria em um período de escassez hídrica que atinge principalmente o Sul do Estado.

Formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Fontes já foi secretário Municipal de Agricultura, de Planejamento e de Saúde de Linhares e coordenou o tema “Agricultura” na Agenda 21 de Linhares. É também membro da Câmara Técnica de Fruticultura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e diretor Executivo da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex)

Na entrevista a seguir, conversamos com José Roberto sobre crise hídrica, falta de mão de obra no campo e os planos para os próximos meses na Seag.

 

Conexão Safra: Como o nome do senhor surgiu para assumir a pasta da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca?

Fontes: Foi um convite direto do governador, conversa pessoal e direta. Ele conhece o meu trabalho não só quando estive à frente da pasta municipal da Agricultura, mas também de outros trabalhos que fiz com consultoria. E nesse momento, viu que seria interessante meu perfil técnico para assumir a Seag.

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Conexão Safra: O que vai mudar na Agricultura do Estado com o senhor à frente da Secretaria? Quais são os seus planos?

Fontes: Uma ação que não seria uma mudança, mas de intensificação das ações principalmente em relação ao jovem e à mulher no campo. Dando suporte não somente ao produtor rural, como também para suas esposas e filhos, e assim dar valor ao produto agropecuário.

Os planos são muitos. Estamos realizando várias avaliações de programas e políticas públicas ocorridas até hoje no Estado para que possamos melhorar. Essa é uma orientação do governador Casagrande para que possamos fazer o processo de melhoria contínua. Os planos é estarmos sempre atentos nesse diagnóstico de campo para estar à frente do agronegócio e proporcionar caminhos bem traçados para nossa economia capixaba que vem do exuberante agronegócio que temos.

Conexão Safra: A mão de obra no campo é um dos grandes gargalos no agronegócio capixaba e brasileiro. Como a Seag avalia essa questão em âmbito estadual?

Fontes: A mão de obra já vem sendo problema nas últimas décadas no Brasil e agora tem se intensificando. Temos um Estado que está se industrializando muito, o que é bom para economia, sem sombra de dúvidas, mas causa um pouco de problema para a mão de obra rural.  O que temos feito é justamente intensificar o trabalho com jovens rurais e as esposas dos produtores, agregando maior valor ao produto rural e, assim, garantindo a permanência da sua atividade em campo. Uma vez melhorada a economia da família do produtor rural, a permanência na propriedade é uma consequência.

E o convite para outros que desempregados na cidade, a partir do momento em que você tem um empreendimento com sucesso, consegue trazê-los de volta ao campo pagando salários melhores, porque, como eu disse, um empreendimento bem sustentável economicamente permite isso. A partir do momento em que você agrega valor ao produto, tem remuneração mais elevada, também pode contratar com salários melhores, atraindo de volta aqueles desempregados na cidade.

Conexão Safra: Quais ações estão previstas para minimizar os efeitos de uma possível crise hídrica?

Fontes: Já vivemos em vários municípios, principalmente no Sul do Estado, uma crise hídrica. A Seag tem buscado apoiar os municípios com maquinário, doações de equipamentos que permitem as prefeituras e associações fazerem trabalhos de apoio, evitando que aconteçam, principalmente, a morte de animais por falta de pastagem ou qualquer outro alimento. Esses equipamentos permitem fazer silagem, buscar, de certa forma, outros componentes alimentícios para alimentação do gado, seja ele de corte ou leiteiro, que são os principais alvos da seca.

Além disso, temos buscado uma ação mais direta, junto à Defesa Civil do Estado. Alguns desses municípios já estão decretando calamidade pública, dessa forma temos possibilidade de ação via Defesa Civil estadual juntamente com a do município, para socorrer esses produtores que estão sofrendo diretamente esse impacto.

Temos também o programa hídrico que o Estado tem feito, com vários investimentos em armazenamento de água, de barragens e busca de programas sustentáveis de manutenção do balanço hídrico nas propriedades. Estamos conversando diretamente com os secretários municipais de Agricultura para, juntos, delinearmos novas ações de curto prazo para diminuir o impacto da crise hídrica.

 Conexão Safra: Quais as áreas do agro capixaba pretende priorizar em suas ações, já que se trata de um mandato (teoricamente) curto?

Fontes: Vamos propor um trabalho mais técnico, com foco justamente na gestão com relação ao suporte aos nossos braços, que são Incaper, Idaf e Ceasa, para que efetivamente possamos avançar com políticas públicas. Lembrando que a Seag já é uma gigante no que diz respeito a fornecer serviços, trabalhos e programas para o produtor rural. Acredito que vamos intensificar esse trabalho.

A Seag vem não só fazendo políticas públicas com relação a orientação ao homem do campo e à pesquisa e à defesa sanitária, mas também com muito apoio a infraestrutura rural em todos os municípios do Estado. Vamos priorizar ações que ainda precisamos bater metas, ações que ainda precisam de acompanhamento de perto, que precisam ser finalizadas.

Conexão Safra: Existe a possibilidade de permanecer no cargo caso o atual governo seja reeleito?

Fontes: Não estamos focando nisso no momento e nem deveríamos. Precisamos focar nas ações imediatas, urgentes de acontecer. Não é uma coisa que me preocupa nesse momento. O convite foi aceito e estou atento a isso para que possamos finalizar da mais forma possível esse período. E se surgirem novos desafios frente à pasta da Seag, estarei aberto também a essa conversa para colaborar, mas não é uma coisa que entrou em nossas discussões agora. Deve entrar somente no momento certo. Estou muito à vontade quanto a isso, podendo colaborar nesse período que me foi concedido.