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Do campo à tecnologia, da literatura ao turismo de aventura, mulheres capixabas estão transformando conhecimento, criatividade e coragem em negócios. O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios revela algumas dessas histórias e ajuda a mostrar a dimensão de um movimento que já faz parte da economia do Espírito Santo.
Uma premiação pode durar uma noite. O movimento que ela representa continua todos os dias.
É isso que o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios ajuda a enxergar. Ao reconhecer mulheres que transformam ideias em negócios, o prêmio coloca no centro da conversa trajetórias que muitas vezes começam pequenas, enfrentam dificuldades, mudam de rumo e acabam produzindo impactos muito maiores do que os resultados de uma empresa.
As vencedoras capixabas da edição deste ano são um retrato dessa diversidade.
Elas empreendem em áreas completamente diferentes, mas têm algo em comum: encontraram uma oportunidade em suas próprias histórias, conhecimentos e experiências e transformaram isso em trabalho, renda, inovação e desenvolvimento.

“É o momento para celebrarmos o empoderamento feminino e o sucesso destas mulheres capixabas. A história de cada uma delas é um marco de coragem, inovação e superação, pois empreender é assim. Nesta edição, o Espírito Santo triplicou o número de inscritas e isto é uma demonstração do crescimento do empreendedorismo feminino em nosso estado, algo que nos enche de orgulho e alegria”, declarou Alline Zanoni, superintendente interina do Sebrae/ES.
Do propósito ao negócio
Na categoria MEI, Ana Paula Carvalho, da Conectar Sistêmico, transformou a paixão pelas histórias de família em um negócio que aproxima literatura, educação e conhecimento sistêmico.
O caminho não foi linear. Depois da maternidade, buscou mais autonomia, enfrentou dificuldades e chegou a fechar seu primeiro CNPJ. Mais tarde, com novas experiências e a chegada da segunda filha, retomou o empreendimento com outro olhar.

Hoje, trabalha com biografias sob encomenda, mentorias, cursos e obras autorais que abordam temas sensíveis, como luto, adoção e inseminação artificial.
Sua história lembra uma característica presente em muitas trajetórias femininas: empreender também pode ser uma forma de reconstruir a própria vida profissional.
Quando o negócio também cuida da natureza
Na categoria Produtora Rural ou Artesã, a vencedora Thaiz Romão, da Jardim de Mel Brasil, mostra que inovação também pode nascer no campo.
Bióloga e produtora rural, ela encontrou na meliponicultura uma atividade que vai muito além da produção de mel. Ao trabalhar com abelhas nativas sem ferrão, construiu um negócio que reúne educação ambiental, conservação da biodiversidade e geração de renda.

Em um setor ainda pouco estruturado no Espírito Santo, Thaiz avançou com cursos, palestras, consultorias e implantação de meliponários educativos e produtivos.
É um exemplo de como o empreendedorismo rural feminino pode unir produção, conhecimento e sustentabilidade.
Uma Kombi, uma ideia e muita capacidade de adaptação
Na categoria Pequenos Negócios, Virgínia Endlich Fiorese, da Levei Um Bolo, mostra outro ingrediente fundamental para quem empreende: capacidade de mudar.
A empresa nasceu em 2016, com uma Kombi personalizada circulando pela Grande Vitória e levando bolos em embalagens que lembravam presentes.

Em 2020, Virgínia assumiu integralmente a liderança do negócio. Veio a pandemia e, com ela, a necessidade de encontrar novas soluções.
Nasceu então o bolo Feliz Aniversário, acompanhado de um kit comemorativo que permitia celebrar mesmo à distância. O produto ajudou a fortalecer o delivery e abriu caminho para uma nova fase da empresa.
Hoje, a Levei Um Bolo conta com quatro lojas e cerca de 30 colaboradores.
Uma ideia que começou sobre quatro rodas virou uma empresa estruturada.
Tecnologia para medir aquilo que transforma
Na categoria Ciência e Tecnologia, Rayssa Pereira do Nascimento Mendes, da Manacá Social Tech, representa uma face ainda mais estratégica do empreendedorismo feminino.
Sua trajetória começou na educação e em projetos ligados a comunidades vulneráveis, com experiências junto ao Unicef e ao Banco Mundial. Foi nesse percurso que identificou um problema: organizações realizavam ações de impacto socioambiental, mas tinham dificuldade para transformar resultados em dados capazes de orientar decisões.

A ideia ganhou forma na USP e resultou na Manacá, que desenvolve soluções tecnológicas para mensuração de impacto.
Entre elas estão a Flora, plataforma SaaS que utiliza inteligência artificial explicável, e o Saíra, voltado ao monitoramento de resíduos por visão computacional.
Aqui, o empreendedorismo feminino aparece conectado à inovação e a uma pergunta cada vez mais importante para empresas e organizações: como medir o impacto que estamos produzindo?
Do voo livre para o mundo
Na categoria Negócios Internacionais e também como Destaque Turismo, a trajetória de Micheli Sossai Spadeto, da Hike and Fly Turismo de Aventura, mostra como uma paixão pode se transformar em desenvolvimento territorial.
Bióloga e doutora em genética e melhoramento, Micheli já atuava com pesquisa e inovação quando o voo livre entrou em sua trajetória empreendedora.
A criação da Transcapixaba Hike and Fly, competição que combina trekking e parapente, mostrou que esporte também poderia ser uma ferramenta de promoção do território.

A iniciativa passou a movimentar municípios, atrair atletas estrangeiros e projetar o Espírito Santo para além de suas fronteiras.
Desse movimento nasceu a Fly Brazil Adventure, voltada ao turismo esportivo e às experiências de aventura, conectando natureza, cultura capixaba e visitantes de diferentes países.
É o empreendedorismo olhando para o território e percebendo nele uma oportunidade que vai muito além do próprio negócio.
O que essas histórias têm em comum?
Pouca coisa, aparentemente.
Uma escreve histórias de família. Outra trabalha com abelhas. Uma vende bolos. Outra desenvolve tecnologia para medir impacto. E outra leva atletas para descobrir o Espírito Santo pelo ar e pelas montanhas.
Mas existe um fio que conecta todas elas.
A capacidade de transformar conhecimento em oportunidade.
E é justamente por isso que falar de empreendedorismo feminino não é falar apenas de mulheres que abriram empresas.
É falar de autonomia, geração de renda, empregos, inovação, sustentabilidade, desenvolvimento local e transformação social.
É falar também de mulheres que ocupam espaços de decisão e ajudam a mudar a própria percepção da sociedade sobre quem pode liderar, criar e fazer negócios.
O impacto vai muito além do CNPJ
Quando uma mulher empreende, o resultado não fica necessariamente restrito à empresa.
Uma produtora rural pode fortalecer uma cadeia produtiva. Uma empresária pode gerar empregos. Uma empreendedora do turismo pode movimentar restaurantes, hotéis e comércio. Uma empresa de tecnologia pode criar soluções para problemas sociais. Uma profissional pode transformar conhecimento em formação para outras pessoas.
É assim que o empreendedorismo se conecta ao desenvolvimento.
No Espírito Santo, esse movimento ganha ainda mais relevância porque acontece em diferentes territórios e setores. Está na cidade e no campo, nos pequenos negócios e nas empresas de tecnologia, no turismo, na produção rural e na economia criativa.
Por isso, reconhecer essas mulheres é também reconhecer uma parte da força econômica capixaba.
O prêmio termina. O movimento continua.
O troféu é importante. Dá visibilidade, reconhece uma trajetória e cria referências.
Mas talvez o principal valor de uma iniciativa como o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios esteja justamente no que ela provoca depois.
A jovem que olha para uma vencedora e percebe que também pode empreender.
A produtora rural que passa a enxergar seu trabalho como negócio.
A pequena empresária que encontra inspiração para crescer.
A mulher que decide transformar uma ideia antiga em projeto.
Porque histórias como essas não servem apenas para celebrar quem chegou lá.
Elas mostram que existe caminho.
E, quando cada vez mais mulheres ocupam esse caminho, o resultado aparece na economia, nas famílias, nas comunidades e no desenvolvimento do próprio Estado.
O prêmio reconhece algumas delas.
Mas o movimento é de todas.
Fotos: Sebrae/ES






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