Mais lidas 🔥

Onda de frio
Uma das mais fortes massas de ar frio do ano pode alcançar o Espírito Santo nos próximos dias

Cafeicultura sustentável
Estudo mostra como práticas simples podem tornar cafezais mais sustentáveis

Pesquisa científica
Estudo encontra anomalias em 60,5% dos peixes analisados no norte do ES

Café especial
Família de Mimoso do Sul cria linha de cafés especiais inspirada na história dos produtores

Infraestrutura
Ibiraçu vai ganhar 8,14 km de nova pavimentação entre Pendanga e Piabas

Assunto importante no contexto agrícola nacional, a dependência brasileira de fertilizantes vindos de outros países já foi tema de matérias, reportagens e artigos no Portal SNA, como o abrangente e minucioso texto de Hélio Meirelles, diretor executivo da entidade. Considerando a pujança da cadeia produtiva do agro, é um forte contraste com a realidade de concorrentes diretos como EUA e China, únicos rivais que ainda superam o país na tonelagem colhida de grãos. Com as safras recordes, cresce a demanda por fertilizantes e adubos, sem que a indústria nacional desses insumos avance minimamente.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, em 2023 o Brasil produziu apenas 6,8 milhões de toneladas destes produtos, mas precisou de 45,8 milhões para abastecer as lavouras. Assim, o mercado nacional importou 85% dos fertilizantes provenientes de outros mercados, com destaque para a China, a Rússia e o Canadá. As compras internacionais somaram 42 milhões de toneladas, mantendo um pequeno estoque regulador no setor. A maior parte dessa carga entra pelos portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná.
Esse dispêndio financeiro pesa no bolso dos produtores, que destinam praticamente um terço do custo de produção com adubos e fertilizantes, proporção que chega a ser maior quando se fala em soja e milho. Para 2024, os números não devem mudar. O Ministério do Desenvolvimento diz que o país já importou 18 milhões de toneladas dos insumos, tendência que deve se manter com o cultivo de verão e o plantio da safra de soja em setembro. Mesmo em anos de produção constante, a compra de fertilizantes e adubos aumenta, como atestam dados da CONAB: as importações avançaram quase 23% entre 2019 e 2023.
Apesar dos gastos, vantagens de produção local ainda são poucas
Mesmo assim, analistas de mercado e estudiosos da agricultura brasileira não creem numa mudança de cenário. Isso porque, ainda que alto, o custo de importar ainda é menor do que uma produção nacional mais significativa. O Brasil não possui jazidas consideráveis dos principais componentes químicos que compõem os fertilizantes usados aqui, a saber: nitrogênio, potássio e fósforo. Ademais, a extração e preparo industrial desses elementos, caso do nitrogênio, é cara e depende de uma logística de distribuição que o país não possui, além de ensejar elevada carga tributária sobre sua cadeia produtiva.
O potássio ainda é encontrado em quantidades ligeiramente maiores na Amazônia, mas entraves burocráticos para exploração em áreas protegidas. Além disso, a repercussão potencialmente negativa do ponto de vista ambiental pode afugentar investimentos. Ademais, estudos feitos estimam que o gasto seria infinitamente desproporcional ao resultado obtido, R$ 1 bilhão em investimentos a cada um milhão de tonelada produzida de potássio.
Situação semelhante se aplica ao fósforo, encontrado razoavelmente em Minas Gerais e Goiás. Por isso, a dependência de outros países deve continuar, apesar dos planos ousados do atual governo em produzir, até 2050,entre 45% e 50% dos adubos e fertilizantes nacionais para atendimento do agro brasileiro. Especialistas, no entanto, acreditam que essa meta é pouco realista, sobretudo pela pouca oferta de plantas industriais, hoje sob responsabilidade da Petrobras, para processamento dos insumos.
Essas fábricas estão hoje em: Três Lagoas (MS), que segue inacabada há quase uma década e que ainda precisa de recurso bilionário para ser finalizada; a de Araucária, no Paraná, que a companhia anunciou a retomada das operações em 2025, e as plantas em Camaçari (BA) e Laranjeiras (SE). As que estão em funcionamento sofrem para manter as operações e acabam gerando prejuízo assimilado pela estatal.
Uma exceção, vinda do ramo privado, foi a inauguração, em março deste ano, do Complexo Mineroindustrial da EuroChem, em Serra do Salitre (MG), que vai produzir um milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano destinado, exclusivamente, ao mercado interno. O Paraná é o terceiro estado que mais consome fertilizantes com 13,7% do total importado. Perde apenas para o Mato Grosso com 16,6% e o Rio Grande do Sul com 15,7%.
Mas as preocupações também envolvem a segurança alimentar, pois caso algum problema ocorra com os fornecedores habituais do Brasil, a produção nacional pode ficar comprometida. Por isso, mesmo com a continuidade das importações, é necessário estipular metas concretas e factíveis de setor próprio de fertilizantes e adubos. Ademais, pode-se prospectar novos mercados que possam servir como fonte alternativa.
Mesmo com uma produção tímida, o Brasil também exporta fertilizantes e adubos. Neste ano, de janeiro a junho, foram 221 mil toneladas somando R$ 700 milhões. A maior parte das vendas vai para países vizinhos, como o Paraguai, que também não produz esses insumos.




