Guaçuí

Sem lances, leilão da Colagua não avança e mantém indefinição sobre futuro da cooperativa

Imóvel oferecido não recebeu proposta, e ausência de interessados mantém aberto o impasse sobre a área, o acesso ao complexo e a tentativa de reativação da estrutura em Guaçuí

Colagua
Foto: divulgação

O leilão da Cooperativa de Laticínios de Guaçuí (Colagua) terminou sem lances nas duas chamadas realizadas nesta semana. A primeira tentativa ocorreu na quinta-feira (25), com lance inicial de R$ 4,8 milhões. Nesta sexta-feira (26), o imóvel voltou a ser ofertado com redução de 50% no valor, por R$ 2,4 milhões, mas também não houve interessados. Na linguagem dos leilões, o resultado é chamado de “deserto”, quando nenhum comprador apresenta proposta.

A ausência de lances foi recebida em Guaçuí como um sinal da força simbólica da Colagua para o município. Empresários ouvidos pela reportagem avaliam que o resultado pode estar ligado à mobilização local em torno da cooperativa e ao reconhecimento de sua importância para a história econômica da cidade.

Com o leilão deserto, a discussão passa a se concentrar no futuro da estrutura. Lideranças locais defendem que o próximo passo seja buscar alternativas para colocar a cooperativa novamente em funcionamento. Segundo empresários de Guaçuí, há conversas e articulações em andamento para tentar viabilizar a retomada das atividades.

O processo já chamava atenção antes mesmo da realização do leilão. Conforme mostrou a Conexão Safra, a área oferecida não corresponde a todo o complexo da cooperativa. O bem levado à venda se refere a uma construção de aproximadamente 2.300 metros quadrados, dada em garantia fiduciária em financiamento contratado junto ao Banco Sicoob Fluminense/RJ.

Outro ponto considerado sensível é o acesso ao imóvel. A área de entrada principal pela BR-482 não integra o leilão. Isso significa que um eventual comprador não teria acesso direto pela rodovia federal, dependendo de entrada pela rua dos fundos e de definições futuras envolvendo áreas comuns e outros imóveis que permanecem sob domínio da cooperativa.

Além das questões físicas e operacionais, há discussão jurídica em andamento. O leilão chegou a ser suspenso pela Justiça, mas foi retomado após recurso da instituição financeira. Paralelamente, tramita uma ação revisional que questiona cláusulas do contrato e aponta possíveis fragilidades na avaliação e no valor atribuído ao patrimônio usado como garantia.

A Colagua é tratada por parte da população como patrimônio econômico, histórico e afetivo de Guaçuí. Ligada à cadeia do leite e à agricultura familiar, a cooperativa marcou a trajetória produtiva do município e da região. Por isso, a ausência de compradores no leilão não encerra o debate. Ao contrário, reforça a pressão por uma saída negociada que preserve a estrutura e permita discutir sua reativação.

Com o resultado das duas chamadas, o futuro da Colagua segue indefinido. Para empresários e lideranças locais, no entanto, o leilão sem lances abre uma nova etapa. O desafio, agora, é transformar a mobilização em uma solução capaz de devolver função econômica ao complexo e manter viva uma marca importante para Guaçuí.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos