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A safra de café conilon deve terminar com uma redução entre 25% e 30% nas regiões acompanhadas pela Cooabriel, segundo estimativa do superintendente-geral da cooperativa, Carlos Augusto Pandolfi. A colheita está mais atrasada do que o esperado, mas os resultados observados nas propriedades já confirmam uma produção menor. A entrevista foi concedida durante a Feira de Agronegócios Cooabriel, que acontece até o próximo sábado (25), em São Gabriel da Palha.
Em março, a cooperativa havia projetado uma redução próxima de 15%. Com o avanço da colheita e a avaliação dos grãos retirados das lavouras, a estimativa foi ampliada. “Posso afirmar com absoluta certeza e transparência que teremos quebra de safra. Em março deste ano, antecipei em uma entrevista que teríamos uma redução em torno de 15%. A quebra é real e beira entre 25% e 30%. Precisamos aguardar o término da colheita, que está mais atrasada do que imaginávamos. É uma safra menor e diferente”.
Impacto das projeções
Pandolfi também falou sobre a capacidade das metodologias atualmente utilizadas para antecipar a produção de conilon na região. Segundo ele, algumas projeções foram mantidas mesmo quando os frutos já estavam formados e os produtores identificavam problemas nas lavouras.
“O impacto dessas informações é grande porque nos preparamos para a safra. Em março e abril, os grãos já estavam formados no pé e, mesmo assim, as previsões oficiais erraram. A metodologia de previsão atual não está adequada e se afasta da realidade da nossa região.”
O superintendente-geral acrescentou que as avaliações feitas diretamente no campo não devem ser interpretadas como uma tentativa de interferir na formação dos preços.“Nós acompanhamos o dia a dia do produtor, que avalia a amêndoa no campo e conhece a real situação da lavoura. Não se trata de uma tentativa do produtor de inflacionar preços, mas sim de constatar a realidade”.
Apesar da redução esperada na produção, o mercado interno tem oferecido condições comerciais mais vantajosas para a cooperativa em 2026. A Cooabriel realizou operações pontuais no exterior, mas em volume inferior ao registrado em anos anteriores.
Ao explicar como é definido o destino do café, Pandolfi detalhou a participação da equipe comercial após a decisão de venda tomada pelo cooperado.
“A definição de mercado depende muito do momento de preço. Nós somos prestadores de serviço: armazenamos o café do nosso cooperado, cuidamos do produto que ele cultiva e prestamos todo o suporte. No momento em que ele decide vender para a Cooabriel, nossa equipe comercial entra em ação para negociar. É nessa hora que analisamos o cenário global.”
Além dos preços, a avaliação considera fatores como câmbio, logística e custos associados às operações internacionais. “Neste ano em específico, o mercado interno tem sido muito mais atrativo do que o mercado externo. Nas negociações, pesamos fatores como a trava do dólar, a logística e os demais complicadores inerentes à exportação. Conseguimos realizar negócios pontuais no exterior, mas em menor volume do que no passado, justamente porque o mercado nacional está mais vantajoso”.
Mercado externo
As taxações e demais mudanças nas relações comerciais internacionais permanecem entre as preocupações estratégicas da cooperativa. No entanto, Pandolfi avalia que a menor exposição atual ao mercado externo limita os efeitos diretos sobre a Cooabriel.
“O futuro traz apreensões relacionadas às taxações. Enxergamos o mercado externo como superimportante para a Cooabriel e queremos estar presentes nele, mas também existem outros mercados em que precisamos fazer um bom trabalho.”
A cooperativa considera ampliar novamente as exportações nos próximos anos. Para isso, a estratégia inclui acompanhar as condições de preço e buscar novos destinos comerciais.
“Embora o cenário futuro desenhe volumes maiores de exportação, entendemos que o impacto das taxações pode ser mitigado com a busca por novos mercados. O impacto na cadeia como um todo está posto, mas para a Cooabriel ele é menor, uma vez que nossa participação no mercado internacional no momento é mais reduzida”, concluiu.





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