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Após o leilão da Cooperativa de Laticínios de Guaçuí (Colagua) terminar sem lances, empresários do município defendem a criação de uma frente local para tentar reativar a cooperativa. A proposta é reunir o Sindicato Rural, a Associação Comercial, produtores, cooperados e instituições ligadas ao cooperativismo em um grupo de trabalho voltado à retomada das atividades da antiga indústria de laticínios.
A movimentação ocorre depois de duas tentativas frustradas de venda do imóvel. Na primeira chamada, o lance inicial era de R$ 4,8 milhões. Na segunda, o valor foi reduzido pela metade, para R$ 2,4 milhões, mas também não houve interessados. Com o leilão deserto, lideranças locais passaram a discutir alternativas para evitar a perda de função econômica da estrutura e construir uma saída para recolocar a Colagua em operação.
A defesa da retomada também ganhou apoio público da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Espírito Santo (Unicafes-ES). Em nota oficial assinada pelo presidente Davi Dutra de Barcelos, a entidade se posicionou contra o leilão da Colagua e classificou a cooperativa como um patrimônio do desenvolvimento regional do Sul do Espírito Santo.
No comunicado, a Unicafes-ES afirma que a Colagua foi fundada em 28 de fevereiro de 1958 por 22 agricultores e tem 68 anos de história. A entidade sustenta que a crise financeira atual decorre de um período curto de má gestão anterior e não apaga “as décadas de viabilidade econômica” nem o potencial produtivo da cooperativa.

A organização também defende a construção de um plano urgente, baseado na união de produtores e cooperados, com mudança no modelo atual de gestão e entrada de uma nova diretoria voltada à retomada das operações. A nota cita ainda a busca por alternativas jurídicas para suspender o certame por meio de um plano de recuperação, com acordo junto aos credores e homologação judicial.
Para a Unicafes-ES, a liquidação da Colagua traria prejuízos aos produtores locais, não resolveria de forma adequada o passivo com os credores e poderia destruir uma marca reconhecida no mercado de lácteos. A entidade afirma que o patrimônio da cooperativa é avaliado em mais de R$ 20 milhões e que sua desestruturação poderia desamparar centenas de famílias de produtores de leite da região de Guaçuí.
A nota também aponta que, com governança restabelecida e apoio da federação, a Colagua teria capacidade de reativar suas atividades e escoar a produção de leite, queijo e manteiga por meio de mercados institucionais e compras públicas. Entre os caminhos citados estão programas governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), além de mercados em outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo.
A eventual reativação da Colagua é vista por lideranças locais como uma alternativa para preservar a estrutura industrial, fortalecer a agricultura familiar e devolver protagonismo à cadeia do leite no município. A avaliação é que a ausência de lances no leilão abriu uma nova etapa para negociação, articulação política e organização dos produtores.
Embora ainda não haja um plano fechado, a proposta de criação de um grupo de trabalho indica uma tentativa de transformar a mobilização em ação prática. A ideia defendida por empresários é reunir capacidade técnica, representação institucional e apoio cooperativista para avaliar dívidas, estrutura física, modelo de gestão, mercado comprador e condições reais de retomada.
Para a Unicafes-ES, a saída passa pela preservação da cooperativa e pela participação articulada de produtores, instituições e poder público. A entidade afirma, na nota, que a união dos produtores, somada ao amparo estratégico das instituições, pode resguardar a Colagua para que ela continue gerando renda e desenvolvimento no Sul Capixaba.





