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Gestão de processo na fazenda. Atitude melhora 50% seu lucro

por Renata Erler

em 12/04/2022 às 10h35

4 min de leitura

A pecuária é uma atividade multidisciplinar e seus principais indicadores são interdependentes. Isso significa que um indicador ruim vai afetar outros, gerando mais ou menos impacto financeiro. Por isso é importante identificar quais são os indicadores de maior impacto para mapeá-los no processo e começar por eles, buscando uma forma de conciliar eficiência de processos com rentabilidade.

A gestão de processo dentro da fazenda parece simples, mas é trabalhosa e facilmente perde-se o controle. Comumente nos deparamos com situações que mudam a ordem do que faremos no dia, muitas vezes deixando um serviço inacabado para fazer outro, e no final do dia a equipe tem a sensação de ter trabalhado muito e não ter terminado nada, e dessa forma há acúmulo de serviço inacabado, que desestimula a equipe, derruba a produtividade e aumenta custo de produção.

Trator quebra, cerca arrebenta, animal foge, funcionário falta, bebedouro vasa, são inúmeras situações que exigem solução rápida, que quando acumuladas, levam à perda de controle afetando fortemente o resultado. É por isso que alguns estudos apontam que o operacional de uma fazenda pode impactar em até 50% na sua margem de lucro.

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Quando avaliamos o operacional muitas soluções podem ser aplicadas imediatamente sem que haja desembolso, como por exemplo, melhor divisão de lotes, melhora na logística de distribuição de suplemento, controle de altura do pasto, revisão básica das máquinas antes de iniciar o serviço, divisão de funções, treinamento de equipe, ou seja, ações que dependem apenas de organização para que sejam definidos os procedimentos a serem seguidos para cada situação, e uma vez definidos e metas propostas, a equipe deve ser cobrada.

Para entender como ações simples afetam a fazenda, é preciso medir, gerar dados, que serão transformados em um mapa para identificação dos pontos críticos e de melhoria de todo o processo. Nasce assim a base para o planejamento e a gestão.

Esses dados precisam retratar a realidade da fazenda, por isso a equipe deve ser treinada a fim de garantir um bom fluxo de informações fidedignas com a realidade, pois número errado dará origem a um planejamento errado e toda a sua operação será comprometida.

Se o produtor não tem anotações de custos da sua produção, como ele irá otimizar esses custos? Como dizia Peter Drucker, “se você não pode medir, não pode gerenciar”, ao passo que “o que pode ser medido pode ser melhorado”.

Para exemplificar, um dos meus clientes de consultoria disse que queria reduzir a suplementação do gado porque o fluxo de caixa estava ficando comprometido e a solução seria, segundo ele, reduzir o custo e giro de insumo na fazenda.

Em abstrato, esta solução seria a mais óbvia. No entanto, analisando as informações reais que tínhamos em mãos, a redução da suplementação entregaria menor ganho de peso diário e aumentaria o tempo de ciclo, que afetaria para cima o custo da arroba produzida.

Além disso, com os dados ainda mais apurados, conseguimos identificar os animais que estavam performando abaixo do esperado (fundo de lote) e assim, podíamos escolher os animais que continuariam com a suplementação de alto consumo e os que sairiam para a venda, a fim de manter uma margem mínima e ajustar o caixa.

Assim, a organização dos processos e uma base de dados verdadeira é fundamental para escolhermos a melhor solução, que automaticamente deixa de estar na alínea de um problema e passa para uma solução rentável para o negócio.

Dessa forma, é preciso que o produtor faça uma avaliação de seus processos, problemas e desafios para tomar a decisão e escolher quais são as tecnologias que vão auxiliá-lo nesse processo organizacional, assim sua fazenda realmente será otimizada.