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Explorando o potencial do setor florestal: oportunidades e desafios

por Almir Amed Deud

em 30/08/2023 às 6h10

5 min de leitura

Explorando o potencial do setor florestal: oportunidades e desafios

*Foto: AssCom ES Madeira

O Estado do Espírito Santo tem boa vocação para desenvolvimento da atividade florestal, seja via plantios de espécies com potenciais econômicos, seja de espécies para recomposição da flora dado a sua diversidade de ambientes. A variação de altitude desde o nível do mar até as montanhas da região Serrana com suas diferentes características edafoclimáticas permitem uma ampla margem para escolha do que melhor se adapta em cada situação segundo o perfil, capacidade e conhecimento de cada investidor, desde o pequeno produtor até as grandes empresas do setor.

As pesquisas para melhoramento genético ao longo dos anos têm resultado em melhores adaptabilidades e consideráveis ganhos em produtividade e qualidade dos materiais. Isso constitui ponto favorável para investimentos mais assertivos.

Os indicativos de demandas crescentes de madeiras de florestas cultivadas em benefício da preservação das florestas nativas sinalizam que investir adequadamente em plantios ambientalmente corretos, além de ser lucrativo, é ambientalmente sustentável, o que abre caminhos para os mercados cada vez mais exigentes e por vezes restritivos.

As inovações oriundas de estudos cada vez mais intensivos têm ocorrido com certa rapidez. A tecnologia cada vez mais moderna tem estado disponível. São fatores positivos para o desenvolvimento do setor em toda a sua cadeia produtiva. Em contrapartida, pesando desfavoravelmente, existem as ‘”oportunidades escondidas’’, aquelas que não chegam ao conhecimento dos que já trabalham ou dos que pretendem trabalhar na atividade. O conhecimento através da busca é o que determinará a maior ou menor chance de êxito nessa atividade, o que também é comum em qualquer outra.

Assim, no caso de implantação de florestas seja com pinus, eucalipto ou outras pretendidas, há que se planejar para o que se quer plantar, para qual destinação, para qual produto final, qual a qualidade requerida, etc. para definir previamente qual espécie plantar e qual manejo deverá ser feito para que o objetivo seja alcançado. Não haver percalços, nem frustração, até porque, por serem de ciclos relativamente longos, qualquer falha pode resultar em mudança considerável no resultado ou até inviabilizar a matéria-prima para o produto inicialmente pretendido.

As operações de colheita, baldeio e transporte florestal oneram sobremaneira os custos, daí a necessidade de estudar e definir com extremo cuidado os sistemas possíveis de serem empregados de acordo com a viabilidade para cada realidade.

Quanto ao processamento industrial valem os mesmos princípios. Tudo estudado com antecedência em função da matéria-prima disponível, da capacidade de suprimento ao longo de um tempo previamente estimado, das dimensões das madeiras que passarão por beneficiamento, quanto as bitolas após beneficiadas, se passarão por secagem ou não, se natural ou em estufas, se para mercado apenas de serradas, ou de aplainadas, ou de componentes, se submetidas ou não a tratamentos, entre outros, e então estudar a planta industrial, máquinas e equipamentos mais apropriados compatíveis com o volume que se pretende trabalhar.

Quanto às “oportunidades escondidas’’, essas uma vez desvendadas podem ser o diferencial tanto para a viabilização da atividade como um todo, bem como para maximizar a rentabilidade do negócio em toda cadeia produtiva. Para tal, o estudo de mercados tanto local, regional, nacional ou externo devem ser cuidadosamente analisados e avaliados. O fato de desconhecer, e devido a isso, desconsiderar as potencialidades de diferentes mercados com seus respectivos produtos diferenciados acabam muitas vezes por limitar o foco em produtos primários. Muitos empreendedores produzindo algo semelhante, acirrando a concorrência, reduzindo margem de lucro, e por vezes, até inviabilizando a atividade.

A melhor oportunidade, muitas vezes, pode estar numa agregação de valor via produtos de maior valor agregado que é imprescindível que seja conhecida e convenientemente avaliada. Entre tantos desafios, independentemente do que se decida fazer, está a deficiência de pessoal qualificado que supra as demandas das oportunidades de trabalho, e até mesmo, em alguns casos, faltam trabalhadores para as tarefas mais simples. Isso não raro limitando a expansão, e até reduzindo algumas atividades independentemente de serem nas áreas rurais ou urbanas.

A Feira Espírito Madeira 2023, que ocorrerá em Venda Nova do Imigrante (ES), de 14 a 16 de setembro, chega num momento muito oportuno para que os interessados por assuntos ligados ao setor florestal em suas mais diversas ramificações possam interagir com profissionais das mais diversas áreas e empresas expositoras, conhecer sistemas de produção, industrialização, mercado, máquinas e equipamentos, tecnologias disponíveis e mais uma infinidade de informações, produtos e recursos disponíveis que agregam para o conhecimento, facilitando as tomadas de decisões, desenvolvimento e crescimento dessa atividade tão relevante e de tão grande importância ambiental, social e econômica.

*Almir Amed Deud- Experiência em gerenciamento de plantios florestais, manejo para usos múltiplos e industrialização PMVA (Produtos Maiores Valores Agregados) e comercialização.

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