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Renata Erler

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Desmistificando a atividade de cria

por Renata Erler

em 31/05/2020 às 16h05

4 min de leitura

A partir da década de 1990, o cenário da pecuária brasileira sofreu uma alteração positiva com os confinamentos se profissionalizando e com a aceleração da recria dos animais pós-desmama, mas não imprimimos o mesmo ritmo para a atividade de cria.

Provavelmente, a cria tenha ficado por último porque temos um perfil de produtores imediatistas, e com isso queremos um resultado a curto prazo, o que não ocorre na pecuária, muito menos na cria.

Esta característica cultural traz uma redução drástica da oferta do principal insumo da pecuária, que é o bezerro, e isso limita nossa capacidade produtiva total. Precisamos encontrar um equilíbrio, mostrando a rentabilidade e a lucratividade da atividade de cria quando manejada de forma correta.

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Hoje o rebanho de fêmeas em idade reprodutiva no Brasil é de 56 milhões, e apenas 60% produzem um bezerro por ano, com uma idade média ao primeiro parto de quatro anos e um intervalo entre parto em torno de 18 meses.

Avaliando o impacto da idade ao primeiro parto e do IEP (intervalo entre parto), uma vaca que tem a primeira cria aos 48 meses (quatro anos) de idade e com um IEP de 18 meses, terá gerado no final de 135 meses cinco bezerros, ao passo que se essa mesma vaca tivesse a idade de primeiro parto de 36 meses (três anos), com IEP de 14 meses, produziria nesse mesmo período sete bezerros.

Num rebanho de 100 vacas isso representa 200 bezerros, sendo vendidos desmamados no final do período de 135 meses, geraria um faturamento bruto de R$ 350 mil, demonstrando que reduzir idade ao primeiro parto e IEP afetam diretamente o faturamento da fazenda e, consequentemente, a rentabilidade.

A idade ao primeiro parto tem relação direta com o peso, já que os animais atingem a puberdade quando chegam ao peso de 300 a 330 kg. Sabendo disso, um programa nutricional estratégico será fundamental para aumentar o ganho de peso diário e dessa forma antecipando a idade ao primeiro parto.

Para facilitar o entendimento do impacto da nutrição na atividade de cria, comparo fazendas equivalentes em manejo e pasto, onde a única mudança será a suplementação estratégica.

Fazendo uma avaliação de custo médio por vaca em uma propriedade sem uso de tecnologia, usando suplementação mineral linha branca com 80g de fósforo o ano todo, mais pastagem e mão de obra, teremos um custo total de R$ 551,70/vaca/ano, com taxa de desmame de 50%, ou seja, em um lote de 100 vacas, teremos um custo total de R$ 55.170,00 para produzir 50 bezerros, sendo o valor de venda médio de R$ 1.750,00 por bezerro com faturamento total de R$ 87.500,00.

Considerando o uso de um pouco mais de tecnologia, com uma suplementação ideal (mineral e proteinado na época correta), teremos, em média, um custo total de R$ 632,00/vaca/ano, porém com uma taxa de desmame de pelo menos 60%. Então, em um lote de 100 vacas teremos um custo total de R$ 63.200,00, para produzir 60 bezerros com valor de venda de R$ 1.750,00 por bezerro, com faturamento total de R$105 mil/ano.

Para utilizar uma suplementação correta de acordo com a categoria e a época do ano, foi preciso investir R$ 8.030,00 a mais, porém, esse investimento trouxe um incremento R$ 17.500,00, ou seja, 4,5 bezerros foram necessários para pagar o investimento, e seis bezerros foram somados ao lucro anual.

Então a nutrição é o grande balizar de uma cria rentável. O primeiro ponto de atenção é o pasto, pois precisamos garantir volume e qualidade, e o segundo ponto é a suplementação estratégica que garanta o resultado esperado.

Atendendo esses dois pontos básicos, daremos condições para que os animais respondam e exponham seu potencial genético, e somente a partir daí, conseguiremos fazer o descarte justo de vacas vazias e aumentaremos nossos índices zootécnicos.

Temos muitas oportunidades dentro da atividade de cria para torná-la mais produtiva e mais rentável, lembrando, procure sempre um profissional capacitado para trazer segurança ao seu negócio.

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