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Um casal de cafeicultores de Ibatiba, no Sul do Espírito Santo, protagonizou uma história incomum no meio dos cafés especiais capixabas e concursos de qualidade. Em 2021, Elena Aparecida Moreno e o marido, Silvestre Andrade, decidiram participar do certame na cidade de origem. No entanto, eles enfrentaram um desafio peculiar: não tinham infraestrutura adequada para secar o café em sua propriedade, no Córrego Floresta.
Apesar de ter sido criada no campo, Elena nunca havia cuidado diretamente de uma plantação de café. Ao assumir a lavoura, se deparou com uma safra de “café vermelho deslumbrante” e decidiu transformá-lo em um café especial. O problema era que ela havia vendido uma parte de seu sítio e não possuía um terreiro para secar os grãos.
Determinada a prosseguir com seu projeto, Elena teve uma ideia ousada. Ela improvisou um local para secar o café no meio da lavoura, estendendo uma lona e colocando os grãos cuidadosamente debaixo das plantas de café. Enquanto secava o primeiro lote, seu marido retornou de Vitória, onde residem, e expressou suas dúvidas sobre o plano. Porém, Elena decidiu enviar o café já seco para a capital, a fim de finalizar a colheita restante.
Para sua surpresa, o café secado na varanda e no terraço do apartamento do casal na capital obteve uma pontuação impressionante de 85,5 pontos em termos de qualidade, garantindo o segundo lugar no concurso de Ibatiba em 2021. “Muitos especularam que o sucesso se deveu à ‘praia que o café pegou’ devido à menor umidade em Vitória”, conta Elena, que presidente a Associação de Cafés Especiais de Ibatiba.
Essa experiência inédita de secar o café em um apartamento evidencia a determinação e a criatividade de Elena para superar obstáculos. Sua história destaca a paixão e o esforço dedicados pelos produtores de café capixabas, mesmo diante de desafios inesperados.
O engenheiro agrônomo Fabiano Tristão, gerente de Ater do Incaper, avalia que a qualidade obtida pelo casal está mais ligada ao cuidado com os grãos maduros, e não à maresia, o que segundo ele, exigiria um trabalho de pesquisa mais minucioso. “Provavelmente eles fizeram a colheita seletiva e aplicaram boas práticas na secagem, removendo de hora em hora, por exemplo. Esses fatores foram mais determinantes no resultado”.

Segundo o professor João Batista Pavesi Simão, do Ifes campus Alegre e orientador da Caparaó Júnior, a umidade relativa alta não “combina” com a qualidade do café. Ele destaca que, como exemplo, todos os 35 materiais genéticos de café do Estado de Goiás que apresentam potencial para a qualidade foram secados em ambiente sombreado, dentro de um laboratório, sobre bancadas de granito. Isso ocorreu porque a umidade relativa do ar na região é em torno de 20%, evidenciando a importância do controle da umidade para garantir a qualidade do café.





