Mais lidas 🔥

Pesquisa científica
Estudo encontra anomalias em 60,5% dos peixes analisados no norte do ES

Cafeicultura sustentável
Estudo mostra como práticas simples podem tornar cafezais mais sustentáveis

Onda de frio
Uma das mais fortes massas de ar frio do ano pode alcançar o Espírito Santo nos próximos dias

Café especial
Família de Mimoso do Sul cria linha de cafés especiais inspirada na história dos produtores

Infraestrutura
Ibiraçu vai ganhar 8,14 km de nova pavimentação entre Pendanga e Piabas

As chuvas torrenciais que atingem o Vietnã há dias provocaram um cenário de devastação humana e econômica e abriram um ponto de atenção no mercado global de cafés. Principal produtor mundial de canéfora, que inclui o conilon e o robusta o país enfrenta enchentes generalizadas no centro e no sul, com efeitos ainda incertos sobre a safra que cuja colheita se concentra entre os meses de novembro e dezembro.
Em algumas localidades, o volume de chuva superou 1,5 metro em três dias, ultrapassando os picos registrados nas históricas enchentes de 1993. Entre as áreas mais atingidas está o planalto central, núcleo da produção de canéfora. A província de Dak Lak, maior região cafeeira do país, decretou estado de emergência após enchentes e deslizamentos danificarem estradas, inundarem milhares de casas e interromperem rotas de escoamento.
Impacto desconhecido
Para o secretário de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo, Enio Bergoli, os efeitos sobre a oferta internacional ainda são difíceis de mensurar. “A chuvarada é um problema sério. A carga da lavoura estava no pé e precisamos ver o nível de prejuízo que existirá, com queda dos frutos no chão, perda de qualidade e queda de barreiras. Ainda não temos essas informações”, afirma.
No entanto, a combinação de incerteza e danos potenciais já liga um “sinal amarelo” no mercado internacional. “Pode ocorrer aumento de preços, mas é sempre muito difícil prognosticar o comportamento do café. Não é somente produção: contratos futuros e outros papéis também influenciam a formação de preços”, explica Bergoli.
O cenário climático adverso soma-se a meses marcados por extremos climáticos no Vietnã. Antes das enchentes atuais, os tufões Kalmaegi e Bualoi deixaram rastro de destruição. Para dar uma ideia, de janeiro a outubro, o país acumula US$ 2 bilhões em prejuízos associados a desastres naturais, segundo estimativas do governo vietnamita.
Tarifaço (in)solúvel
Para além do clima no Vietnã, o Brasil enfrenta outro fator determinante no cenário cafeeiro: a negociação da tarifa de importação de café solúvel pelos Estados Unidos. “Temos expectativa de redução das tarifas nas próximas semanas. O Vietnã tem tarifa de 20%, o México de 25%, a Indonésia de 19%. Nós estamos com 50%. O tarifaço, portanto, inviabiliza as exportações para os Estados Unidos. Mas as conversas entre os setores público e privado dos dois países avançam bem”, observa.
O Espírito Santo, maior exportador brasileiro de café conilon, acompanha de perto os desdobramentos. Em 2024, o Estado embarcou 7 milhões de sacas, o equivalente a 76% das exportações nacionais, além de 571,4 mil sacas de café solúvel. Somente no primeiro trimestre de 2025, já foram exportadas 432,5 mil sacas de conilon e 109 mil sacas de solúvel.





