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Da organização no campo ao reconhecimento internacional, o caminho da qualidade do café certificado Fairtrade passa, cada vez mais, pela atuação coletiva. Cooperativas e associações de pequenos produtores vêm desempenhando um papel decisivo na elevação do padrão dos grãos brasileiros, combinando assistência técnica, estímulo à melhoria contínua, valorização social e responsabilidade ambiental.
Esse trabalho conjunto ganha visibilidade em iniciativas como o Golden Cup, concurso que se consolidou como vitrine dos cafés Fairtrade do Brasil e evidencia como ações estruturadas no campo se refletem em qualidade, acesso a mercados internacionais e geração de renda para as famílias produtoras.
O concurso de qualidade de café é destinado a premiar os melhores grãos com certificação Fairtrade produzidos por famílias de pequenos produtores e produtoras no Brasil. A realização é da Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores(as) e Trabalhadores(as) de Comercio Justo (CLAC), em parceria com a Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR).
O gerente comercial de café da CLAC, Paulo Ferreira, falou como o concurso, que premiou os melhores cafés arábicas e canephoras do país, abre as portas para mercados e estimula a continua busca por qualidade.
“O Golden Cup é a principal plataforma de qualidade dos cafés Fairtrade do Brasil. Hoje o concurso é reconhecido em nível mundial. Muitos compradores internacionais buscam os cafés premiados no Golden Cup, que ajuda a levar o nome e o trabalho das organizações para o mercado”, destacou Paulo.
Segundo o responsável pelo setor de café da CLAC, esse ano diversos compradores internacionais conheceram os cafés campeões, que foram anunciados durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG), no mês de novembro.
“Esse ano conseguimos a presença de importadores, torradores e donos de supermercados. Dois clientes do Canadá ficaram bastante impressionados com a qualidade e puderam conhecer a história e um pouco do trabalho que as cooperativas e associações realizam. Eles gostaram muito de ver o impacto que o Fairtrade gera, não só na parte produtiva e de qualidade, mas também social e ambiental”, contou Paulo.
Ele explicou que o Golden Cup surgiu inicialmente no Brasil e na Costa Rica, e atualmente é feito em países produtores de café Fairtrade. “Já são 11 edições do prêmio, justamente para mostrar que o café Fairtrade tem qualidade, e não como antigamente era visto, apenas pela parte social e ambiental proporcionadas pela certificação. Conseguimos também posicionar o Brasil como origem de cafés Fairtrade de qualidade”, relembrou.
E foi o Golden Cup um dos principais incentivadores do aumento da qualidade dos grãos, juntamente com outras ações realizadas pelas cooperativas e associações. “Nos últimos anos notamos uma grande evolução, tanto na pontuação dos microlotes premiados, quanto de lotes maiores. Notamos uma consistência de qualidade de todas as cooperativas e associações. É isso que o mercado preza, que é ter uma consistência no volume geral das organizações, para ser uma cadeia de fornecimento confiável para o mercado”, explicou.
O Golden Cup premia os melhores cafés das variedades arábica e canephora, nas categorias Micolotes, que avalia os melhores grãos dos produtores e também o Container Cheio, que avalia um lote geral fornecido pela cooperativa e associação, produzido por um grupo de produtores.
Conilon Capixaba vence duas categorias
Um exemplo de consistência de qualidade é a participação da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), que além de ter conquistado a categoria Container Cheio com café canephora, também teve seus cooperados vencedores da categoria Microlotes. A cafeicultora Neusa Maria da Silva foi a vencedora nacional.
O presidente da Cafesul, Carlos Renato Alvarenga Theodoro, comemorou os resultados conquistados na premiação. “Nós participamos do Golden Cup desde a 1ª edição e para nós tem sido muito bom, pois dá uma visibilidade aos produtores e produtoras. Nos últimos anos as mulheres têm se destacado, vencendo o concurso, como ocorreu este ano. O café da dona Neusa, campeã de 2025, já foi vendido para um cliente da Alemanha. Eles vieram ao Brasil, provaram vários perfis de cafés e o da produtora Neusa agradou muito”, contou Renato.
O dirigente da cooperativa enfatizou a importância de premiações para ampliar a visibilidade dos cafés. “Os cafés campeões também são levados para feiras na Europa e Estados Unidos. Eu sempre participo de feiras na Europa e estamos abrindo muitas portas. Essa é uma importante ação realizado pela CLAC, que dá visibilidade aos cafés de qualidade”, destacou.
Jovem cafeicultor vende produção para diversos países
Dinamarca, Canadá, África e Estônia. Esses são os países que receberam o café premiado na categoria Microlotes do jovem cafeicultor Fabiano Diniz, de Manhuaçu, na região das Matas de Minas. Produtor da Cooperativa Regional Indústria e Comércio de Produtos Agrícolas do Povo Que Luta (Coorpol), Diniz produz café junto com seus pais e sua irmã.

E para aqueles que gostariam de provar o café arábica campeão do Golden Cup, não precisa viajar para um desses países, pois parte do lote está em cafeterias localizadas em Brasília (DF), Aracaju (SE), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). Além do Golden Cup, o café também venceu outros importantes prêmios regionais e nacionais, inclusive faturando um prêmio na China, comprovando assim a qualidade, que rendeu seus mais de 90 pontos.
“O Golden Cup significa muito para nós, porque foi o nosso primeiro prêmio, em 2021. Em 2022 ganhamos pela primeira vez um título nacional. Depois ganhamos em 2024 e agora em 2025 chegamos ao tricampeonato. Esses cafés vão para feiras internacionais e ajuda muito na divulgação”, informou Diniz. Cada saca de 60 quilos dos grãos premiados foi vendida entre R$ 6 e R$ 10 mil, bem acima do valor atual de mercado.
Ações com produtores elevam qualidade dos grãos no Cerrado
A Associação dos Pequenos Produtores do Cerrado (APPCER), com sede em Patrocínio (MG), foi a campeã na categoria Arábica Container Cheio. A vitória atesta que os cafeicultores associados produzem um padrão de qualidade dos grãos, estimulados e apoiados por ações executadas pela APPCER.

Presidente da associação, Carlos Fardin Nunes descreve algumas ações e projetos voltados à qualidade, desenvolvidos nas propriedades. “Temos um consultor de qualidade de café e há três anos temos ofertado cursos e orientado os cafeicultores durante a colheita, para que façam lotes de café com qualidade, e está dando resultado”, afirmou.
Fardin contou que há 11 anos a APPCER realiza concurso de qualidade entre os associados, para estimular a produção de qualidade. “Sempre buscamos estimular os associados a produzirem com cada vez mais com qualidade, pois sabemos que conseguimos preços melhores e dá visibilidade aos nossos cafés. Os compradores passam a olhar para nós de uma forma diferente, pois sabem que temos um produto melhor”, acrescentou.
O presidente da organização ainda frisou que os jovens estão ainda mais empenhados em produzir cafés diferenciados. “Eles estão buscando conhecimento e levando para as propriedades. E vemos esses resultados a cada ano melhorando. Isso é importante porque fortalece todo o grupo e gera uma certa competição saudável entre os associados, mas todos trocam experiências e se ajudam a sempre melhorar”, disse.
Carlos Fardin comemorou o resultado no Golden Cup. “A premiação comprova que nosso trabalho junto aos associados está dando resultado. A BRFAIR e a CLAC estão trabalhando para dar cada vez mais visibilidade aos cafés certificados de qualidade no mercado externo. Os pequenos produtores do Brasil estão fazendo muito café de qualidade e estamos mostrando para o mundo esses cafés de alto nível”, concluiu.
Fairtrade – A certificação Fairtrade é um selo global de Comércio Justo que garante um comércio mais justo para produtores, assegurando-lhes um preço mínimo, prêmio adicional para investimentos, melhorias nas condições de trabalho e proteção ambiental, através de padrões rigorosos e auditorias independentes, visando reequilibrar o comércio e empoderar produtores, trabalhadores e comunidades através de produtos como café, cacau, açúcar, algodão e flores. Na América Latina e Caribe é coordenado pela CLAC, e tem no Brasil a BRFAIR como coordenadora nacional.



