Mais lidas 🔥

Reaproveitamento
Sustentabilidade: borra de café vira adubo orgânico

Viticultura capixaba
Produção de uvas ganha espaço em Jerônimo Monteiro

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 13 de julho

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 10 de julho

Experiências no campo
Entre montanhas e sabores: novo roteiro turístico encanta visitantes em Linhares

O café brasileiro ficou fora da nova tarifa adicional de 25% determinada pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. A cobrança entra em vigor no dia 22 de julho, mas a lista de exceções preserva diferentes categorias do produto, evitando uma barreira que poderia reduzir a competitividade das exportações e elevar os preços no mercado norte-americano.
A relação oficial publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) inclui café verde, torrado, descafeinado, cascas, sucedâneos com café, café solúvel sem sabor, extratos, essências, concentrados e preparações à base de café. Com isso, tanto a matéria-prima quanto produtos industrializados de maior valor agregado escaparam da sobretaxa.
A decisão norte-americana leva em consideração a capacidade de abastecimento interno. Segundo o USTR, foram retirados da taxação produtos que não podem ser cultivados ou fabricados nos Estados Unidos em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, além daqueles cuja taxação poderia provocar desabastecimento ou impactos mais amplos sobre a economia.
No caso do café solúvel, as manifestações recebidas pelo órgão destacaram que o produto brasileiro não está disponível em volume equivalente entre fornecedores norte-americanos. Também apontaram que outros países não conseguiriam substituir de forma confiável a quantidade enviada pelo Brasil nem atender a todas as especificações técnicas exigidas pela indústria dos Estados Unidos.
Benefícios ao Espírito Santo
A exclusão beneficia diretamente o Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café conilon e segundo maior produtor nacional de café quando consideradas as variedades conilon e arábica. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) indicam que o estado responde por 68,9% da produção brasileira de conilon e por aproximadamente 75% das exportações nacionais dessa espécie.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e especialista em mercado do agronegócio, Marcus Magalhães, avalia que a decisão preserva um importante canal de comercialização para a produção e para a indústria capixaba.
“Para o Espírito Santo, este cenário é excelente. Convém recordar que o estado possui três indústrias de café solúvel, duas em Linhares e uma na Grande Vitória, que necessitam de mercados abertos para operar em sua capacidade produtiva total, sem interrupções operacionais ou ociosidade”, afirma.
Na prática, a isenção não significa uma alta automática no preço pago ao cafeicultor. O principal efeito imediato é a retirada de um risco comercial. Caso a tarifa fosse aplicada, o produto brasileiro chegaria mais caro aos compradores norte-americanos, o que poderia reduzir encomendas, pressionar margens ou estimular a busca por fornecedores alternativos.
Ao manter o café fora da sobretaxa, os Estados Unidos preservam a competitividade do produto brasileiro e permitem que contratos, embarques e negociações continuem sem o acréscimo de 25%. Para produtores, cooperativas, corretores e exportadores, o resultado representa maior previsibilidade em um mercado marcado por oscilações de preços, câmbio, estoques e oferta mundial.
“Operar sob regras claras e estáveis, livre de oscilações abruptas no mercado, é fundamental. Além disso, a possibilidade de expandir a presença em mercados já consolidados, como o norte-americano, é extremamente benéfica para as nações produtoras. Obstáculos como tarifas, embargos e dificuldades burocráticas são severamente prejudiciais aos produtores”, diz Magalhães.
A decisão também demonstra o peso do Brasil no abastecimento internacional. O país é o maior produtor mundial de café e fornece volumes que não podem ser substituídos rapidamente por outra origem. Para Magalhães, essa posição dá ao Brasil maior capacidade de negociação, embora exija estratégias comerciais mais firmes.
“Qualquer taxação sobre o produto brasileiro resultaria, inevitavelmente, no aumento de preços para o consumidor final, visto que o mercado global depende dessa oferta. Não há nenhuma outra nação capaz de suprir a economia global com a quantidade de café que exportamos anualmente. Isso demonstra a solidez e a relevância da cafeicultura nacional”, afirma.
Jogo de ganha-ganha
A isenção também atende aos interesses dos Estados Unidos. Uma tarifa adicional elevaria os custos de importadores, torrefadores, fabricantes de bebidas e redes de varejo. Parte desse aumento poderia chegar ao consumidor, pressionando o preço do café e de produtos derivados.
“O Brasil consolida-se como o maior produtor mundial de café, enquanto os Estados Unidos figuram entre os maiores mercados consumidores. A exclusão do produto de novas barreiras tarifárias beneficia ambas as partes. Viabiliza nossas exportações e permite que o mercado norte-americano contenha as pressões inflacionárias ao manter a bebida acessível à população”, explica Magalhães.
Além da manutenção do mercado norte-americano, o setor capixaba acompanha a abertura gradual do mercado europeu. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi assinado em janeiro e está em aplicação provisória desde 1º de maio de 2026. Para o café solúvel, a tarifa europeia de 9% será reduzida progressivamente ao longo de quatro anos.
A combinação entre a isenção nos Estados Unidos e a redução das barreiras na União Europeia amplia as possibilidades de diversificação dos destinos. Esse movimento é especialmente importante para o Espírito Santo, que concentra parte relevante da produção de conilon utilizada na fabricação de solúvel e abriga unidades industriais voltadas ao mercado externo.
“Diversificar compradores e abrir novos mercados assegura maior sustentabilidade aos preços pagos aos cafeicultores. O panorama atual para o café brasileiro é promissor, permitindo exportações sem novas barreiras alfandegárias e com capacidade de abastecimento global”, conclui Magalhães.






Comentários 0