Mais lidas 🔥

Empreendedorismo no café
Empreendedor transforma Kombi em ponto de venda dos cafés de qualidade que ele mesmo produz

Dia do Agricultor
Do concreto ao cafezal: uma história de transformação no interior capixaba

28 de julho, Dia do Agricultor
O café que trouxe uma geração de volta ao sítio centenário

Redes sociais
Brasil terá um megaterremoto em setembro? Rede Sismográfica desmente previsão

Política agrícola
Projeto cria preço mínimo para proteger produtores de cacau

‘Se não houver frete de retorno, o acréscimo é de 120%, o equivalente a R$ 637,10 por tonelada no percurso Sorriso a Santos’, afirma Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA.Fotos: Sistema CNA
A tabela de preços mínimos do frete rodoviário, criada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), causou prejuízos avaliados em R$ 10 bilhões, somente nos setores de soja e milho, em 20 dias de vigência. Esse dado foi divulgado na quarta-feira (20/6), pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base em informações de entidades de várias do setor.
De acordo com Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, a tabela, nos moldes atuais, resulta em um aumento médio de cerca de 50% nos valores praticados no mercado antes da paralisação, sem considerar o pagamento do frete de retorno. “Também afeta os contratos firmados anteriormente com preços fixados com o comprador ”, afirma.
Segundo a analista da CNA, antes da tabela, o valor do frete de Sorriso (MT), ao Porto de Santos (SP), um percurso de 2.064 quilômetros, era de R$ 290,00 por tonelada. “Aplicando a tabela, o preço chega a R$ 437,55 por tonelada, um aumento de 51% ”, calcula. “Se não houver frete de retorno, o acréscimo é de 120%, o equivalente a R$ 637,10 por tonelada no percurso Sorriso a Santos. ”
Considerando um caminhão que transporta 38 toneladas, a diferença é de R$ 5.606,82 com frete retorno e R$ 13.189,90 sem frete retorno. O valor total praticado antes da tabela ANTT era de R$ 11.020,00, da origem ao destino.
PREJUÍZOS
Para se ter uma ideia, em 15 dias de tabelamento, 6,8 milhões de toneladas de soja e farelo deixaram de ser exportadas. Nesse período 60 navios ficaram parados nos portos. Considerando a demurrage de US$ 25 mil a US$ 35 mil, por navio, os prejuízos diários foram estimados entre US$ 1,5 milhão e US$ 2,1 milhões. No período, as perdas ficaram entre US$ 22,5 milhões e US$ 31,5 milhões, o equivalente a R$ 84,4 milhões e R$ 118,1 milhões. As multas com os navios parados nos portos já passam de R$ 135 milhões no mesmo período.
OUTROS SETORES
Além da soja e do milho, outros setores do agronegócio foram afetados pelo aumento no valor do frete. De acordo com o levantamento da CNA, a partir dos dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a tabela do frete mínimo elevou em 100% o custo das empresas com o transporte interno de café. Na Zona da Mata de Minas Gerais, por exemplo, estima-se que 80% do fluxo da região foi afetado. Além de dificuldade na entrega do grão para torrefadores de regiões distantes, ocorreu o comprometimento entre 50% a 60% do fluxo para os embarques rodoviários internacionais e de 80% a 90% (frota própria) para o transporte da carga aos portos brasileiros.
No caso do arroz, o aumento do valor do transporte rodoviário foi estimado em 100% para as exportações, isso porque 50% dos embarques ficaram parados nos portos. No mercado interno, o aumento variou de 35% e 50%, com reflexos na elevação de 10% do preço do produto para o consumidor final.
Já o valor do frete para transportar o feijão, cresceu entre 14% e 25%. Como resultado, os preços do produto subiram entre 15% e 20% nas gôndolas. Além disso, houve atraso de embarques, cancelamentos de negócios ou ainda renegociação de valores para o envio fora do prazo.
A indústria de aves e suínos também sofreu o impacto do tabelamento sobre o custo do transporte, na faixa de 63%. Além disso, o frete de rações para os animais deve aumentar 83%.
Ainda conforme o levantamento, os segmentos de floresta, papel e celulose registraram elevação média de 30% no frete. Com isso, estima-se aumento de preço dos produtos para o consumidor final, sendo de 5% a 8%, no caso de celulose, de 15% a 20%, no papel, e de 5% a 8%, para os produtos madeireiros.
Segundo informações fornecidas pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas), o custo de frete para o setor foi elevado em 30%, com maior prejuízo no Nordeste, pela ausência de frete retorno.
EFEITOS DO TABELAMENTO
De acordo com o Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (ESALQ&ndash,LOG), de Piracicaba (SP), o aumentos nos preços de fretes rodoviários de forma artificial trazem impactos sistêmicos na economia, inclusive na elevação dos preços de fretes de outros modais de transporte, como ferrovias e hidrovias, que, muitas vezes, precificam a sua atividade em função de descontos no transporte rodoviário de cargas.
Conforme o Esalq-LOG, a formação do frete tende a considerar variáveis como tipo de carga, distância, concorrência entre produtos e regiões, peculiaridades diversas, que nem sempre são computadas no tabelamento. Além disso, o tabelamento encarece o custo do transporte de alguns setores do agronegócio brasileiro, nas análises comparativas dos preços de mercado e dos valores tabelados.
fonte: Agricultra.Gov





