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A avicultura no Espírito Santo segue em expansão. O Relatório de Produção Animal do Espírito Santo, elaborado pela Gerência de Dados e Análises e divulgado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) no início de setembro, aponta que o estado registrou um plantel de 16 milhões de aves poedeiras no 2º trimestre de 2025.
Com esse volume de animais, surge um desafio diário para os avicultores: o destino dos dejetos. A prática mais comum é misturar as fezes ao pó de serra e deixar a compostagem descansar por 20 a 30 dias. Depois desse período, o material pode ser aplicado nas lavouras como adubo.
“O esterco de galinha é uma importante fonte de matéria orgânica. Ele contém concentrações de macronutrientes essenciais para a nutrição das plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre, além de apresentar teores relevantes de micronutrientes”, explica o engenheiro agrônomo e mestre em agroecologia, Arildo Sebastião Silva.

Nos últimos anos, porém, alguns produtores passaram a investir em tecnologias para transformar os dejetos em um insumo diferenciado e de maior valor agregado. Foi o que fez o avicultor Manfredo Kruger, da Avícola Rio Bonito, em Santa Maria de Jetibá. Há cerca de oito anos, ele adquiriu uma máquina que desidrata e esteriliza o esterco.
Pioneiro no município, Manfredo destaca que, com o equipamento, em vez de aumentar o volume do material com a adição de pó de serra, ele o reduz. “Com o pó de serra, você dobra ou triplica o volume; já esse sistema enxuga, retira a água das fezes e o produto diminui. Fica puro, concentrado e sem odor”. Segundo o produtor, o adubo obtido dessa forma chega a ser 30% a 50% mais caro do que o semicompostado.
O processo é totalmente automatizado: as fezes caem em uma esteira sob as gaiolas das aves e seguem diretamente para a máquina secadora, sem contato manual. O fluxo é diário, evitando acúmulo dentro da granja. O equipamento, que utiliza fogo indireto, tem capacidade de produzir 15 toneladas de esterco em 10 horas.
Marcos Kruger, filho e sócio de Manfredo, responsável pela operação, explica que a principal vantagem do esterco desidratado e esterilizado está na logística. “Por ser concentrado, o volume é menor. O produtor que compra um adubo com 50% de umidade e 50% de pó de serra vai ter mais dificuldade. Já o que tem apenas 15% de umidade e nenhuma mistura é muito mais prático, tanto para transportar quanto para aplicar na lavoura, além de permitir maior automação no processo”, afirma.
O aproveitamento pela planta também é superior. “Enquanto do outro esterco você precisa aplicar um quilo, desse concentrado bastam 300 gramas. O resultado é fantástico”, completa.
A procura pelo produto é crescente. Marcos relata que as vendas alcançam diversos municípios do Espírito Santo e também da Bahia. Entre os compradores, 80% são produtores de café conilon e 20% utilizam o insumo em lavouras de inhame, gengibre, banana, abacate e café arábica orgânico. A aplicação é feita tanto com espalhador de calcário quanto de forma manual.
Um dos clientes é Diecson Donna Cominotti, de Alfredo Chaves, que utiliza o produto há três anos no cultivo de banana e conilon. Para ele, o aproveitamento é total. “É muito bom. A diferença para o esterco com pó de serra é a maior disponibilidade de nutrientes e o melhor aproveitamento pela planta. É 100% de eficiência”, avalia.
Outro benefício relevante é o impacto ambiental. Segundo Marcos, o sistema contribui para manter a água na propriedade. “Durante o processo de secagem, a água das fezes evapora e retorna para a atmosfera, fechando o ciclo natural”, explica.




