Mais lidas 🔥

Inverno 2026
Como será o inverno 2026 no Brasil? Neutralidade no Pacífico muda cenário

Produção sustentável
Camarão-gigante-da-Malásia cresce longe do mar e amplia fronteiras da aquicultura no ES

Fala, cooperado!
Da cidade ao campo: produtor transforma luto em eficiência na pecuária leiteira capixaba

Turismo
Carnaval diferente: Vila Velha oferece rotas de descanso no campo

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 10 de fevereiro

No Caparaó, tradição, cafeicultura e turismo rural avançam em sintonia e consolidam a região como um dos polos mais promissores do Espírito Santo. No Vale do Guarani, em Piaçu (Muniz Freire), chalés, camping com fogo no chão e cafés especiais convidam o visitante enquanto o município se prepara para receber o novo polo turístico da Fazenda Santa Maria, apoiado pelo Sebrae/ES. A região também integra a Rota do Café Especial do Espírito Santo, ampliando sua visibilidade estadual.
Lançada em dezembro, o primeiro circuito do Caparaó inteiramente voltado aos cafés especiais reúne propriedades, espaços de degustação e experiências imersivas que aprofundam a relação do turista com a cultura do café. A Rota do Café inicia com dez produtores vinculados à Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e prevê expansão em 2026, ampliando o fluxo turístico e consolidando novas oportunidades para a cafeicultura local.
Nesse contexto, o Sítio Alto Cachoeira se destaca como um dos empreendimentos. A iniciativa vem transformando a atividade turística e ampliando a conexão entre visitantes, produtores e a história local. Para a família responsável pela propriedade, a experiência vai além da visitação e do consumo do café. “A Rota do Café é, sem dúvidas, um marco para a cidade e para a região, pois permite mostrar aos turistas a cultura e a tradição do nosso café, recebendo-os na propriedade para conhecer de perto os processos produtivos”, afirma o cafeicultor Eduardo Trindade Vettorazzi.
Em Dores do Rio Preto, mais perto do Pico da Bandeira, o avanço do turismo rural acompanha o crescimento da produção de cafés especiais, que há anos impulsiona a economia do município. No Sítio Dois Corações, Viviane Viletti e Miguel Pereira diversificaram as atividades da propriedade e transformaram o espaço em destino de hospedagem, com chalé voltado para a cordilheira do Parque Nacional do Caparaó. A proposta inclui experiências como panificação artesanal, degustação de cafés da casa e contemplação do entardecer, iniciativa que tem atraído visitantes e motivado o casal a expandir a estrutura com novos chalés e área de lazer.
A qualificação tem sido peça-chave nesse processo. Participante do Projeto Mulheres do Café, iniciativa coordenada pela engenheira agrônoma Patrícia Campbell (Incaper), Viviane se dedica ao aprendizado em barismo, produção e torra de cafés superiores. O sítio também recebe acompanhamento técnico para manejo agroecológico, melhoria da lavoura e participação em programas de compras institucionais, reforçando a integração entre produção agrícola e turismo.
Outro destaque é o Restaurante Engenho do Vovô, comandado por Sandra Moreira, Mestre de Cachaça e chef de cozinha. Com restaurante integrado ao alambique da família, área de café, jardins e lagos, o empreendimento oferece experiências ligadas à gastronomia regional e à cultura da cachaça artesanal. A arquitetura do espaço narra o legado da família, enquanto Sandra se capacita com apoio do Sebrae e do Incaper para aprimorar processos e ampliar a atuação no turismo rural.



O Sítio Águas da Mata Caparaó, administrado por Maria Cristina Moreira, complementa o cenário com hospedagem à beira de lago, trilhas, pesca e observação de pássaros. Pioneira no turismo rural de Dores e presidente da Associação de Empreendedores em Agroecoturismo, Artesanato e Cultura, Cristina alia produção agroecológica de cafés à preservação ambiental e participa ativamente do Projeto Mulheres do Café, além de receber orientação técnica do Incaper para ampliar seus projetos.
Esses empreendimentos têm contado com apoio contínuo do Incaper, que acompanha desde o manejo das lavouras até licenciamento, boas práticas de fabricação e análises de água em parceria com a Ufes. Para a extensionista Priscila Nascimento, ver a evolução das famílias é motivo de satisfação. “É extremamente gratificante ver o quanto eles estão crescendo e se desenvolvendo. Saber que nosso apoio contribuiu para que chegassem até aqui, e ainda irão muito mais longe, nos deixa muito felizes”, afirma.
A expansão das rotas e o fortalecimento das propriedades do Caparaó também refletem um movimento de integração regional sem precedentes. O projeto “Governança sem Fronteiras”, parceria entre Sebrae/ES e Sebrae/MG, busca consolidar o Caparaó como território empreendedor interestadual, fortalecendo pequenos negócios e criando identidade turística comum entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Entre os resultados já alcançados pela iniciativa estão a criação do movimento “Unidos pelo Parque”, que solicitou ao Ministério do Meio Ambiente e ao ICMBio a reestruturação da equipe do Parque Nacional do Caparaó, e a formação do Consórcio de Prefeitos do Caparaó Mineiro. A parceria também formalizou um termo de cooperação técnica entre Sebrae/ES e Sebrae/MG, além do desenvolvimento do branding da Estrada Parque Caparaó, que estabelece identidade visual única para todo o território. “Essa parceria é um marco para a integração entre estados vizinhos. Queremos mostrar que governança não é apenas um conceito, mas uma prática entre líderes e empreendedores que geram resultados concretos para empresas de todos os portes”, destaca o gerente da Unidade Regional Caparaó, Anderson Baptista.
Para Baptista, a consolidação de um território turístico interestadual no Caparaó já é realidade. O gestor destaca que o visitante não percebe fronteiras, e que iniciativas como a formatação da travessia dos Sete Cumes e a ampliação das experiências rurais e de natureza projetam o território nacional e internacionalmente. “Temos atrativos consolidados como o Pico da Bandeira e estamos formatando novos produtos, como a travessia dos Sete Cumes, que certamente projetará o território para todo o Brasil e até internacionalmente”, afirma.
*Com informações do Incaper e Sebrae/ES
Anuário 2025
Ver mais- À sombra do Buda Gigante, Região dos Imigrantes tem raízes pomerana e italiana em harmonia
- Entre tropeiros e inovação: a força do agroturismo nas montanhas capixabas
- Turismo rural redesenha mapa do desenvolvimento do Espírito Santo
- Anuário do Agronegócio Capixaba: entre a fartura e o silêncio da lavoura





