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A adoção de árvores nas pastagens, prática ainda incomum na pecuária brasileira, pode ser a chave para recuperar áreas degradadas, aumentar a produtividade do rebanho e fortalecer a agricultura familiar. É o que indica um estudo conduzido pelos pesquisadores Maurício Lima Dan, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Sustanis Horn Kunz, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Karla Maria Pedra de Abreu, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que resultou no recém-lançado Pastagem Arborizada: Guia de espécies arbóreas potenciais para sistemas silvipastoris.
A publicação reúne anos de pesquisa em propriedades da macrorregião Sul do Espírito Santo — área historicamente marcada por degradação do solo, fragmentação das propriedades e baixa produtividade das pastagens. Segundo o levantamento, 12,8% das pastagens da região estão degradadas, o equivalente a 48,5 mil hectares. Apesar disso, o Sul continua sendo um polo importante: concentra 31,8% de todo o rebanho bovino do estado e quase metade da produção de leite.
Alternativas
A pesquisa contextualiza que boa parte da degradação atual é herança de ciclos econômicos anteriores, especialmente o período pós-cafeicultura, quando pastagens foram implantadas “em solos já cansados”, sem adubação e sem técnicas de conservação. Com o tempo, práticas inadequadas — como superlotação animal e ausência de manejo do solo — agravaram o quadro.
“Com a erradicação dos cafezais, aos poucos, os cafeicultores passaram a investir na pecuária leiteira, devido à menor necessidade de mão de obra para o desenvolvimento e manejo. Essas pastagens foram implantadas em solos em processo de degradação, causado pela cafeicultura, anteriormente praticada em áreas desmatadas com fogo, nas quais se explorava a terra sem nenhuma adubação, o que ao longo dos anos prejudicou a capacidade produtiva inicial”, explica a publicação.
Os autores defendem que a arborização das pastagens, por meio de sistemas silvipastoris (SSP), pode reverter esse cenário ao integrar árvores, forrageiras e gado na mesma área, com benefícios produtivos, ambientais e econômicos. Entre os achados do estudo, os pesquisadores destacam que árvores estrategicamente distribuídas no pasto melhoram a fertilidade do solo ao ciclar nutrientes das camadas profundas; favorecem a infiltração de água e reduzem a erosão; aumentam a biodiversidade de microrganismos a aves e polinizadores e geram conforto térmico ao rebanho, reduzindo estresse e aumentando produtividade. A literatura reunida no guia mostra ganhos expressivos: vacas em sistemas arborizados podem produzir até 24% mais leite, graças ao microclima mais ameno.
Sequestro de carbono
O estudo reforça que a combinação entre pasto e árvores também colabora com o microclima, atuando como “quebra-ventos, que ao diminuir a velocidade das rajadas e promover a circulação do ar, atenua o efeito dessecativo sobre o solo e as forrageiras e como filtros da radiação eletromagnética, que podem diminuir a incidência da radiação solar global, amenizar a temperatura do ar sob as copas das árvores, em dias quentes, e diminuir as perdas de calor do sistema em noites e dias frios, melhorando o conforto térmico dos animais”.
As análises resultaram na seleção de dez espécies prioritárias para uso em sistemas silvipastoris na região, entre elas:
- Angico-branco (Albizia polycephala)
- Angico-vermelho (Anadenanthera colubrina)
- Ipê-verde (Cybistax antisyphilitica)
- Cabiúna (Dalbergia nigra)
- Pau-d’alho (Gallesia integrifolia)
- Camboatá (Cupania oblongifolia)
- Siriba (Ramisia brasiliensis)
- Ipê-tabaco (Zeyheria tuberculosa)
Essas espécies apresentam características desejáveis: copas leves, boa adaptação regional, baixa competição com gramíneas e múltiplos usos, de sombreamento a materiais para construção, frutos e folhas para alimentação animal e até potencial apícola.
Embora a implantação de um sistema silvipastoril tenha custo inicial maior que o de uma pastagem convencional, o estudo mostra que os retornos econômicos compensam. Além da renda com madeira, produtos não madeireiros e incremento da produção animal, há economia em fertilizantes e irrigação quando o sistema atinge estabilidade.





