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A inteligência artificial deixou de ser uma aposta distante e passou a ocupar um papel estratégico no agronegócio brasileiro. Em um setor que respondeu por 25,13% do PIB nacional em 2025, segundo levantamento do Cepea/CNA, a tecnologia vem sendo usada para ampliar produtividade, reduzir perdas, monitorar riscos e reforçar a segurança dos alimentos que chegam ao consumidor.
O avanço ocorre em um ambiente cada vez mais digitalizado. O Radar Agtech Brasil 2025 contabilizou 2.075 agtechs no país, número 5% superior ao registrado no ano anterior. Segundo o levantamento, 83% dessas startups já utilizam inteligência artificial em seus processos, produtos ou soluções, o que mostra a consolidação da tecnologia no ecossistema de inovação agroalimentar.
Na prática, a IA passou a atuar em diferentes etapas da cadeia produtiva. No campo, sistemas de visão computacional analisam imagens de satélite, sensores de solo e registros operacionais para identificar falhas, prever riscos e apoiar decisões sobre irrigação, aplicação de insumos, sanidade vegetal e qualidade da produção. O objetivo é tornar a tomada de decisão mais rápida, precisa e baseada em dados.
A tecnologia também tem impacto direto na segurança alimentar. Com o uso de algoritmos, grandes empresas conseguem acompanhar padrões de qualidade, detectar inconformidades e acelerar processos de certificação exigidos por mercados internacionais, como União Europeia e China. Em um cenário de regras sanitárias e ambientais mais rígidas, a capacidade de comprovar origem, manejo e conformidade dos produtos tornou-se um diferencial competitivo.
O monitoramento inteligente não termina na porteira. Na logística, ferramentas como os gêmeos digitais, que criam representações virtuais da cadeia de suprimentos, permitem simular cenários de risco, ajustar rotas e acompanhar condições de transporte e armazenagem. Sensores conectados podem medir temperatura, umidade e vibração em tempo real, reduzindo perdas e ajudando a preservar a qualidade dos alimentos durante o deslocamento.
“A inteligência artificial não é mais um acessório, mas o sistema imunológico da cadeia de suprimentos. Ao integrarmos dados de telemetria com modelos de deep learning, temos a capacidade de antecipar contaminações cruzadas e falhas de armazenagem com uma precisão superior a 95%. Para as empresas, isso significa não apenas conformidade regulatória, mas a proteção direta da reputação da marca e a garantia de que o consumidor terá um produto seguro em sua mesa”, afirma Willian Ribeiro, líder em projetos estratégicos e porta-voz da BlueShift.
A rastreabilidade é outro eixo central dessa transformação. Com sistemas inteligentes de gestão, produtores, cooperativas, agroindústrias e distribuidores conseguem reunir informações sobre origem, produção, transporte, armazenamento e destino dos alimentos. Esse processo viabiliza o chamado “passaporte digital” do produto, que pode ser acessado pelo consumidor por meio de QR Code.
A tendência também alcança pequenas e médias empresas, especialmente diante de exigências internacionais como a legislação antidesmatamento da União Europeia. A adoção de plataformas digitais permite organizar dados de propriedades, fornecedores e processos produtivos, facilitando auditorias e ampliando o acesso a mercados mais exigentes.
Com o cruzamento de informações de campo, laboratórios, centros de distribuição e sistemas de gestão, a inteligência artificial fortalece uma nova etapa do agro brasileiro. Mais do que produzir em grande escala, o desafio passa a ser produzir com precisão, transparência, segurança e capacidade de comprovação.




