Mais lidas 🔥

Irregular
Fiscalização intercepta transporte de café sem documento fiscal no Norte do ES

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 04 de maio

Crédito rural
Comitê aprova distribuição bilionária do Funcafé; veja detalhes

Agro em alerta
Produção de morango avança no Brasil e exige atenção contra praga de difícil controle

Previsão do tempo
Agência dos Estados Unidos já prevê possibilidade de El Niño forte em 2026

O acordo Mercosul-União Europeia já movimenta as agroindústrias brasileiras em uma agenda que vai além da redução de tarifas. Antes mesmo de os efeitos comerciais aparecerem com mais clareza, empresas do setor ampliam investimentos em rastreabilidade, conformidade e integração de dados para comprovar a origem da matéria-prima e o controle dos processos produtivos.
Em mercados externos mais exigentes, escala, eficiência e qualidade seguem importantes, mas já não bastam para garantir competitividade. A capacidade de comprovar a origem, o processamento, a armazenagem, o transporte e a entrega final dos produtos ganha peso nas relações comerciais.
Segundo o diretor de agronegócios da Senior Sistemas, Fernando Silva, o acordo tende a acelerar uma transformação que já estava em curso no setor.
“Mais do que criar uma exigência nova, o acordo Mercosul-União Europeia acelera uma agenda que já vinha ganhando força no agro. O que muda, na prática, é que não basta mais dizer que a operação segue boas práticas. Será cada vez mais necessário comprovar isso com rastreabilidade, dados confiáveis e evidências ao longo de toda a cadeia”, afirma Silva.
A exigência alcança diferentes etapas da operação agroindustrial. A rastreabilidade precisa acompanhar a originação, o recebimento da matéria-prima, o processamento, a armazenagem, a expedição e a logística. Qualquer falha nesse percurso pode comprometer a capacidade de comprovação da empresa diante de auditorias, clientes ou exigências contratuais.
A originação passa a ocupar posição estratégica, por reunir informações sobre procedência, documentos de entrada e vínculo com fornecedores. A logística também ganha novo peso. Erros na movimentação, mistura de lotes, falhas de armazenagem ou problemas no transporte podem prejudicar o histórico do produto e enfraquecer a confiança na cadeia.
O avanço, no entanto, ocorre em ritmos diferentes. Alguns segmentos, como o algodão, já operam com níveis mais maduros de rastreabilidade para atender mercados internacionais. De acordo com a Senior, a empresa atende três das cinco maiores tradings do país nesse setor. Na base da companhia, 72 das 100 maiores empresas do agro brasileiro são clientes, e cerca de 50 podem ser beneficiadas de forma mais direta pelo acordo.
Apesar disso, parte das agroindústrias ainda depende de controles manuais, planilhas e registros dispersos entre diferentes áreas. O problema aparece quando a empresa precisa reunir documentos rapidamente para responder a uma auditoria, uma exigência comercial ou uma demanda contratual.
Nesses casos, a falta de integração gera retrabalho, demora na consolidação de informações, decisões mais lentas e maior exposição a riscos fiscais, contratuais e logísticos. Em vez de apoiar a competitividade, a operação perde eficiência justamente no momento em que o mercado exige respostas rápidas e consistentes.
“Quando surge a exigência de comprovar uma informação, a resposta não pode depender de buscas em diferentes áreas nem de esforço manual para reunir dados. Sem informação consolidada e validada, a empresa perde agilidade, aumenta custos e enfraquece sua capacidade de resposta”, diz Silva.
A gestão documental também pode ter impacto financeiro relevante. Segundo a avaliação da Senior, o benefício tarifário associado ao acordo UE-Mercosul pode representar entre 2% e 5% do faturamento, a depender do produto, do volume exportado e das condições contratuais.
Por outro lado, falhas documentais, como inconsistências na comprovação de origem, podem gerar custos adicionais, perda de benefícios tarifários e capital imobilizado na operação. Em determinados contextos, os impactos podem ficar entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões por operação, conforme o porte da empresa e as variáveis envolvidas.
Nesse novo cenário, a preparação das agroindústrias será medida menos pela quantidade de relatórios produzidos e mais pela capacidade de localizar documentos, rastrear lotes, reunir evidências e responder ao mercado com segurança. A cobertura da rastreabilidade, a qualidade documental na entrada, o tempo de resposta, o volume de retrabalho e a visibilidade logística passam a ser indicadores centrais de competitividade.
Para Silva, maturidade operacional significa reduzir o intervalo entre a pergunta e a prova.
“Nesse novo cenário, maturidade operacional é reduzir o tempo entre a pergunta e a prova. Quanto mais rápida e consistente for a capacidade de reunir evidências, maior tende a ser a preparação da agroindústria para competir em mercados mais exigentes”, conclui o executivo.




