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De restos de madeira descartados na roça e na mata, o artesão André Porto, de Ponto Belo, no extremo norte do Espírito Santo, transforma o que antes não tinha valor em peças únicas de uso cotidiano e decorativo. Tábuas de cozinha, molduras para espelho, lareiras ecológicas, imagens sacras, petisqueiras, cubas de pia e abridores de garrafa fazem parte do portfólio produzido artesanalmente.
O início da trajetória no artesanato aconteceu de forma despretensiosa. André fez uma tábua de carne personalizada com a logomarca do convite de casamento de uma prima para presenteá-la. O sucesso da peça, que ela passou a mostrar para amigos e conhecidos, serviu de incentivo para que ele investisse na atividade.
André utiliza principalmente madeiras de aproveitamento, como cedro, sucupira e jacarandá e, em casos mais específicos, recorre à compra de peroba-rosa, adquirida no Paraná, para atender as encomendas. Muitas vezes a matéria-prima chega até ele. “Uso raízes de árvore, troncos, resto de curral, tocos, o que eu encontro eu aproveito. Acontece muito também dos moradores da região, que me conhecem, chegarem aqui na oficina para me avisar sobre peças ocas ou tocos jogados fora”, conta o artesão.

Criado no interior e formado como técnico agrícola, André vê no artesanato uma forma de manter viva a conexão com as raízes do agro. “A área rural não é apenas o local onde encontro a matéria-prima, mas também é uma inspiração para o meu trabalho”. Elementos como cavalos, ferraduras e outros símbolos do cotidiano do campo aparecem com frequência nas peças, reforçando a identidade rural que marca sua produção.
Boa parte das peças produzidas pelo artesão são feitas por encomenda, mas ele também participa de feiras na Grande Vitória e no interior do estado, além de vender pela internet.





