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A produção agroecológica e orgânica ganha cada vez mais espaço nas propriedades rurais capixabas. E o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) incentiva os agricultores do Espírito Santo a adotarem práticas sustentáveis de produção.
Prova disso é a excursão técnica realizada pelo Incaper em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes/Campus Alegre) e a ONG Grupo Kapi’xawa: um grupo de agricultores do município de Alegre foi até Iconha conhecer a produção agroecológica e o processo de organização (controle social) para o reconhecimento como produtores orgânicos.
O grupo visitou a Associação de Agricultores Familiares Tapuio Ecológico e a Associação de Agricultores Familiares Agroecológica e Orgânica de Campinho Vero Sapore. Os participantes conheceram os locais onde são comercializados os produtos das duas associações, e visitaram duas agroindústrias, uma de pó de café e a outra de bolos, biscoitos, pães, banana passa e doces. Além disso, o grupo também esteve em uma propriedade que está em transição agroecológica, e pôde ver na prática a importância do Plano de Manejo.
Na ocasião, o Incaper destacou a importância de se aplicar as boas práticas exigidas para a certificação orgânica, e de realizar os tratos culturais nas culturas agrícolas, principalmente para banana e café.
“Durante as visitas foi possível observar os critérios para a certificação orgânica da produção vegetal, dentre eles as barreiras vegetais para proteção das unidades de produção orgânica contra contaminantes externos, principalmente propriedades vizinhas sob manejo convencionais, proteção e conservação do solo, diversificação produtiva dentro da unidade de produção, alternativas para combater pragas e doenças em sistemas orgânicos de produção ”, disse o extensionista do Incaper de Iconha, Erivelton Gonçalves da Cunha.
Foram discutidos, ainda, alguns dos critérios para obter a declaração de Organização de Controle Social (OCS) e os procedimentos de controle da qualidade orgânica. “O nosso objetivo é produzir alimentos com sustentabilidade e de melhor qualidade para as famílias consumidoras, com base na organização social que deve ser muito perseverante para não fraquejar diante das dificuldades, procurando resolver conflitos pelo diálogo. É preciso sempre estar aberto para receber visitas, fazer intercâmbios e entender as críticas construtivas e sugestões ”, afirmou a presidente da Associação Vero Sapore, Erenilda Luzia.
Agricultores familiares do município de Alegre, um aluno de Agronomia e o professor da Ufes, Haloysio Michelli de Siqueira, participaram da excursão. A maior parte dos agricultores presentes na visita comercializam seus produtos na Feira Agroecológica da Ufes Campus de Alegre.
“Esta feira foi iniciada em agosto de 2018, com o objetivo de fortalecer a economia solidária e a produção agroecológica local, além de incentivar a inserção dos estudantes nas atividades e contribuir com a sua formação profissional. Ela representa uma ‘vitrine’ para agricultores familiares que avançaram no processo de transição agroecológica em Alegre ”, explicou o professor da Ufes.
“Esta ação promoveu uma troca de experiências de todos os participantes da excursão, agricultores, técnicos do Incaper e parceiros. A excursão é um método que eu particularmente gosto muito de utilizar, pois propicia um maior interesse e consequentemente, uma maior participação do grupo, pois se vê na prática a teoria sendo aplicada. As ações e práticas desenvolvidas pelas duas associações visitadas podem ser utilizadas pelo grupo de agricultores de Alegre na busca de potencializar a produção agroecológica, e futuramente pensar em uma Organização de Controle Social ”, disse Aline Chaves Pereira, economista doméstico do Incaper.




