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Resgatada ainda filhote, com cerca de seis meses de vida, Brigitte saiu das ruas para construir uma trajetória marcada por cuidado e afeto. Ao lado da tutora, Daiane Ola, viveu quase duas décadas. Aos 19 anos, idade considerada extremamente avançada para cães, começou a apresentar sinais típicos de envelhecimento cerebral. O que parecia apenas “coisa da idade” revelou-se um quadro compatível com Alzheimer canino, também chamado de Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC).
Nos últimos meses, Brigitte passou a se desorientar dentro de casa, olhar fixamente para paredes e apresentar alterações no sono. Dormia durante o dia e ficava agitada à noite, com vocalizações frequentes. Também perdeu hábitos aprendidos ao longo da vida. Segundo avaliação veterinária, os sinais indicavam um quadro neurodegenerativo. Nos dias finais, houve ainda suspeita de comprometimento neurológico mais grave, como tumor cerebral, hipótese que exigiria exames específicos para confirmação.
A história de Brigitte ilustra uma realidade cada vez mais comum. Com a ampliação da expectativa de vida dos pets, doenças associadas ao envelhecimento tornaram-se mais frequentes nos consultórios veterinários.
O que é o Alzheimer canino
O Alzheimer canino, ou Síndrome da Disfunção Cognitiva, é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente cães idosos, geralmente acima dos nove anos. O quadro envolve deterioração progressiva das funções cognitivas, incluindo memória, orientação espacial e reconhecimento de rotinas.
Entre os principais sintomas estão desorientação em ambientes familiares, inversão do ciclo sono-vigília, vocalização excessiva, mudanças de comportamento, incontinência e repetição de movimentos como andar em círculos. O diagnóstico é feito por exclusão, após descartar outras causas médicas que possam provocar sintomas semelhantes.
Como detectar precocemente
Especialistas orientam que tutores observem mudanças sutis no comportamento de cães idosos. Ficar preso entre móveis, esquecer comandos simples, demonstrar ansiedade sem motivo aparente ou alterar o padrão de sono são sinais que merecem avaliação veterinária.
A detecção precoce permite iniciar manejo clínico antes que a doença avance. Embora não exista cura, medicamentos específicos, dieta enriquecida com antioxidantes e ácidos graxos, além de estímulo cognitivo e rotina estruturada, ajudam a preservar a qualidade de vida.
Há prevenção?
Não há método comprovado que impeça o desenvolvimento da doença. No entanto, acompanhamento veterinário regular, controle de doenças crônicas, alimentação equilibrada e estímulos mentais ao longo da vida são fatores associados a um envelhecimento mais saudável.
A trajetória de Brigitte não se resume ao diagnóstico. É também a história de um resgate que virou vínculo permanente. Daiane acompanhou cada fase da cadela, da infância à velhice. Em tempos de adoção responsável e maior longevidade dos animais, relatos como esse reforçam a importância de compreender o envelhecimento pet com informação, atenção e cuidado contínuo.




