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Em São Roque do Canaã, o poder público tem avançado. A secretária municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, Eliane Renata Cimero Calci, afirma que o município tem grande potencial e crescimento visível no setor. “O agroturismo e o turismo rural são vetores estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável do meio rural. Não é apenas lazer; agrega valor à produção tradicional e melhora a qualidade de vida dos moradores.”
A Secretaria buscou apoio do Sebrae para acompanhar 15 empreendimentos, entre cachaçarias, espaços de lazer, agroindústrias e serviços gastronômicos. “A ideia é criar uma rota estruturada, mas para isso é preciso organização, diagnóstico e planejamento turístico. E estamos avançando”. O Sebrae já apresentou o diagnóstico e os planos de ação para adequação dos empreendimentos.
Em 2023, o Consórcio Intermunicipal do Noroeste do Espírito Santo (CIM Noroeste), que reúne 15 municípios, criou a Câmara de Turismo e deu início a uma série de ações para alavancar o setor, em suas mais variadas vertentes — especialmente o agroturismo — na área de abrangência do Consórcio. Um dos projetos desenvolvidos foi o “Decola Turismo”, realizado por uma empresa terceirizada, com apoio financeiro do Sebrae.
Ao longo de um ano, o programa formatou experiências turísticas, qualificou mais de 180 empreendedores e organizou roteiros do território, além de fortalecer a presença digital e as estratégias de visibilidade. Ao final, os empreendedores receberam um portfólio turístico como resultado do trabalho desenvolvido na região.
O diretor da Câmara de Turismo do CIM Noroeste, Aldecir Bassetti, destacou que o primeiro e mais importante passo para a criação da Câmara foi o convencimento dos gestores. “Vimos a necessidade de criação da Câmara e partimos para o convencimento, a sensibilização dos prefeitos sobre a importância de olhar e trabalhar esse setor nos municípios. Essa não foi uma tarefa fácil, mas, com o tempo, eles entenderam a relevância e abraçaram a causa.”
Bassetti lembra que, antes da criação da Câmara, as secretarias municipais de Turismo funcionavam como uma pasta única, sempre vinculadas a outras áreas, como Esporte e Lazer, Cultura e até Educação. Aos poucos, esse cenário vem mudando. “Já temos prefeituras com a Secretaria de Turismo separada, com um secretário dedicado exclusivamente ao tema.”
Em 2024, o Sebrae inaugurou um escritório em Pancas para atender empreendedores de toda a região e fomentar o agroturismo e o turismo de aventura, muito presentes no território. “Muitos empreendedores não percebem o valor do turismo rural para o negócio. Nosso trabalho é estruturar e ampliar a visibilidade desses empreendimentos. Atuamos na roteirização, na articulação com agências e guias e no fortalecimento da oferta turística local”, explica Carla Bortolozzo, gerente Regional Central.

De mãos dadas
O associativismo, ferramenta antiga e eficaz, também tem impulsionado o agroturismo e o turismo rural. Em 2023, uma lei estadual criou a Rota do Agroturismo de Linhares e Região, abrangendo o Distrito de São Rafael e seu entorno, além de Rio Bananal, Marilândia e Governador Lindenberg. A rota reúne mais de 30 empreendedores — de uva, cafés especiais, vinhos, mel, licores, vinagre artesanal, doces caseiros, flores e hortaliças. Também inclui cachoeiras, rampa de voo livre e o Cruzeiro de Alto Liberdade.
Para organizar e fortalecer o grupo, foi criada a Associação da Rota de Agroturismo das Montanhas. “Nosso papel é formar uma rede de apoio para incentivar, capacitar e fortalecer os empreendedores”, diz a presidente, Kelly Cristina Ramos. Ela lembra que unir o grupo foi o primeiro desafio. “Foi preciso mostrar a importância de trabalhar juntos e do impacto do agroturismo no desenvolvimento regional.” Uma das conquistas foi a parceria com a Prefeitura de Linhares para criar o Festival de Inverno, que acontece em junho. A associação também luta por melhorias nas estradas de acesso aos pontos da rota.
Pancas também conta com entidade própria: a Associação de Turismo de Pancas (Aturp), criada há dois anos, é formada por 33 associados. O município já é destaque em turismo de aventura e atrativos naturais, como os Pontões Capixabas, a Pedra do Camelo, a Pedra Agulha e a Pedra do Leitão. “Estar associado significa união, representatividade e capacidade de transformar demandas em resultados concretos”, afirma a presidente, Audiceia Chiaato, que é produtora rural e proprietária do Recanto da Prata.
Apesar dos desafios, como a necessidade de capacitar melhor os empreendedores, a Aturp já articula a criação do Centro de Atendimento ao Turista.
Rotas que movem o interior
Em 2023, João Neiva ganhou a Rota dos Queijos, criada pela Lei 11.802/2023. Localizada às margens da rodovia 259, a rota tem 9,5 km e contempla cinco queijarias: Giacomin, Trevo, Bergantini, Del Caro e Vila Veneto. O presidente da Associação, Pedro Henrique Borline, explica o impacto após a criação da rota. “As queijarias já existiam há algum tempo, mas com a criação da rota, esse roteiro se tornou mais forte, mais visível, mais divulgado e visto, não só pelos capixabas, mas também para turistas de todo o país. A rota fez toda diferença e incentivou novos empreendedores”, frisa Borline.

Na rota, o visitante pode também conhecer a arquitetura dos casarões históricos de imigração italiana e adquirir uma variedade de produtos artesanais, como capeletti, macarrão, biscoitos, chocolates, goiabada, embutidos, cachaça, cerveja e até instrumentos musicais.
Movimento semelhante ocorre em São Mateus, onde a Associação Agricultura Forte solicitou à Assembleia Legislativa a criação da Rota das Especiarias, aproveitando o forte potencial local de pimenta-do-reino, pimenta-rosa, macadâmia, beiju, café, cacau e coco. O município tem Indicação Geográfica para as pimentas. “O turismo rural pode agregar muito valor às produções. Com apoio técnico, vamos organizar e capacitar os produtores para receber visitantes”, afirma a diretora executiva da associação, Fernanda Marin Permanhane.
A rota foi sancionada em junho de 2025 e já está em fase de diagnóstico e capacitação. Sete famílias participam inicialmente, com possibilidade de ampliar o grupo. A denominação da rota não foi escolhida por acaso, e não restringe a participação apenas aos produtores deste segmento. O nome, segundo Fernanda, “carrega um valor simbólico e histórico importante: as especiarias tiveram papel fundamental nas grandes navegações e no desenvolvimento econômico mundial. São Mateus possui um porto histórico que fez parte desse processo e pode ser mais bem explorado como atrativo”, enfatiza. O lançamento oficial está previsto para o primeiro semestre de 2026. Participam da gestão Sebrae, Sindicato Patronal Rural, Incaper, Prefeitura de São Mateus e Senar.
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