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Pesquisas desenvolvidas no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Vila Velha, estão transformando resíduos agrícolas de inhame e gengibre em novos materiais sustentáveis, como bioplástico e papel, com potencial de aplicação no meio rural e na indústria.
Um dos projetos trabalha com a produção de papel a partir do resíduo do gengibre. Depois da extração de óleos essenciais e de extratos vegetais, o bagaço da raiz passa a ser utilizado para a preparação das fibras que dão origem ao papel. O material já foi produzido em laboratório, mas ainda está em fase de melhoria, principalmente para aumentar sua resistência.
A ideia é chegar a um papel feito 100% de gengibre ou com adição de celulose. Conversas, nesse sentido, já estão acontecendo com uma fabricante de papel capixaba. A proposta futura é desenvolver caixas de papelão para exportação da especiaria, criando um ciclo em que o resíduo retorna ao produtor em forma de embalagem.
Outro destaque é o desenvolvimento de um bioplástico feito a partir do amido do inhame, cultura amplamente produzida no Espírito Santo. O projeto aproveita o descarte do tubérculo para extrair o amido e transformá-lo em um material biodegradável. A proposta é utilizar o bioplástico principalmente em embalagens de frutas, com o objetivo de aumentar o tempo de prateleira dos produtos.
A equipe estuda ainda a incorporação de óleos essenciais de gengibre ao bioplástico, buscando conferir atividade antimicrobiana ao material. Atualmente, o bioplástico está em fase de aprimoramento, pois a película ainda não atingiu a espessura e a resistência ideais.
As iniciativas são coordenadas pelo professor Hildegardo Seibert França, que orienta os trabalhos. As duas pesquisas surgiram a partir da demanda de alunos do ensino médio integrado, aproveitando o fato de que o gengibre já vinha sendo utilizado em outros estudos, o que gerava resíduo disponível para reaproveitamento.
O principal objetivo dos estudos, segundo o professor, é “reaproveitar refugos e resíduos de produtos agrícolas, que normalmente seriam descartados, para transformá-los em novos produtos com valor agregado, promovendo a economia circular”. Após o aperfeiçoamento dos processos e os ajustes técnicos necessários, a equipe pretende entrar com pedido de patente das tecnologias desenvolvidas.
Ainda de acordo com Hildegardo, “a expectativa é que, com o avanço dos estudos, as tecnologias possam ser transferidas para o mercado, fortalecendo a inovação, a sustentabilidade e o desenvolvimento rural capixaba”. Hildegardo conta que além do impacto ambiental positivo, os projetos têm forte caráter educacional, ao integrar alunos do ensino médio em pesquisas aplicadas e alinhadas às demandas do setor produtivo.
O projeto teve início no começo deste ano e conta com parceiros do meio rural: um produtor e exportador de gengibre de Santa Maria de Jetibá fornece as sobras de gengibre. Já o inhame é disponibilizado por um produtor de São Bento de Urânia, interior de Alfredo Chaves.





