Mais lidas 🔥

Inovação na piscicultura
Tilápias ficam mais saudáveis com uso de planta medicinal

Agricultura familiar
Capixaba vence concurso nacional de inventos com descascador de café portátil

Agro capixaba
Preço do mamão Havaí despenca e atinge mínima no Espírito Santo

Tempo e agronegócio
El Niño está chegando! Saiba como o fenômeno vai impactar na agricultura brasileira

Duas histórias, uma conexão
Quando o sotaque da roça sobe ao palco, e vence!

A expansão das cervejarias artesanais no Espírito Santo tem ampliado a geração de bagaço de malte, um resíduo que pode ser reaproveitado na agricultura. Na Unidade de Referência em Agroecologia (URA) do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em Domingos Martins, o material é utilizado na preparação de fertilizantes orgânicos, em uma iniciativa que busca ajudar agricultores a produzir com menos custos e de forma mais sustentável, além de garantir uma destinação ambientalmente adequada ao subproduto.
O bagaço de malte tem altos teores de nitrogênio e é um insumo disponível em diversas regiões do país, com custo relativamente baixo. Na URA, o material — doado por uma cervejaria — passa por um processo de fermentação para a produção do composto orgânico conhecido como bokashi, utilizado na adubação de hortaliças, frutíferas e outras culturas conduzidas em sistemas agroecológicos.
Segundo o pesquisador Jhonatan Marins, coordenador da unidade, o bagaço de malte tem papel fundamental na formulação do fertilizante. “Além de fornecer nitrogênio na forma de matéria orgânica, o bagaço funciona como fonte de energia para os microrganismos responsáveis pela fermentação do composto”, explica.
Atualmente, o bagaço de malte é utilizado em misturas que combinam diferentes resíduos orgânicos, como casca de café, casca de banana, folhas de leguminosas e biomassa vegetal triturada. Essa combinação garante a fermentação adequada do material e resulta em um fertilizante estável, eficiente e adaptado às necessidades das culturas.
“O bokashi precisa passar por um processo de acidificação. Sem isso, o material pode apodrecer e perder qualidade. O bagaço de malte ajuda justamente a garantir essa fermentação correta”, destaca o pesquisador.
Além do uso agronômico, o aproveitamento do bagaço de malte permite substituir insumos mais caros, como o farelo de trigo, comumente utilizado nesse tipo de composto. “O bagaço cumpre a mesma função, mas com custo bem menor, o que torna o sistema mais viável para os agricultores”, afirma Marins.
Na unidade, o biofertilizante já vem sendo aplicado em áreas de hortaliças e, mais recentemente, no cultivo de milho. A proposta agora é ampliar a produção do composto e avaliar sua eficiência em diferentes culturas e áreas.
“A ideia é estruturar uma biofábrica de baixo custo, capaz de produzir grandes volumes de fertilizante, tanto para atender a URA quanto para uso em áreas externas”, pontua. Segundo ele, o objetivo é calcular os custos e comprovar a eficiência agronômica do insumo em sistemas orgânicos e agroecológicos.
O interesse dos agricultores pela tecnologia já é crescente. “Muitos produtores têm procurado a unidade para conhecer a experiência. A meta é instalar unidades demonstrativas em propriedades rurais e ampliar o acesso a esse tipo de fertilizante”, completa.
Ainda de acordo com o pesquisador, em breve será realizado um Dia de Campo sobre o tema. Produtores interessados em aprender o processo de produção do fertilizante com uso de bagaço de malte podem agendar visita à URA pelo e-mail jhonatan.goulart@incaper.es.gov.br. A unidade fica no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), localizado na Fazenda do Estado, em Aracê, Domingos Martins (BR-262, km 94).




