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Colunistas

Preço baixo diminui exportação de café do Brasil

por Silas Brasileiro

em 19/04/2023 às 6h00

3 min de leitura

Continua sendo noticiado por alguns analistas e empresas de consultoria que a safra de café 2023/2024 será muito superior que a previsão apresentada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo estando em um ano de bienalidade negativa.

Não gostamos da expressão “especulação”, no entanto, é o que se verifica nesses informativos que são publicados insistentemente. O Conselho Nacional do Café (CNC) continua insistindo que os números oficiais do país são os mais coerentes e avaliamos que a Conab é o órgão que pesquisa, através das principais fontes isentas – de forma mais confiável – a previsão de safra. Além disso, a companhia conta com uma equipe competente que vai a campo aferir as informações adquiridas.

Outra abordagem que necessitamos colocar para esclarecimento é que teremos um estoque de passagem baixo, ainda a ser publicado, mas que somado à safra que será colhida, proporcionará um volume de café suficiente para abastecimento interno e fidelização do mercado externo, embora com uma oferta estreita.

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Quanto ao desempenho dos embarques no primeiro trimestre de 2023, não existe nenhuma correlação com as safras anteriores. Tivemos safra recorde em 2020 e outras duas comprometidas em 2021 e 2022. O baixo volume de embarque não foi em razão do resultado dessas safras e da oferta de café menor para o mercado pelos produtores e cooperativas.

O motivo real, quando muitos não querem citar ou admitir, é o preço baixo praticado pelo mercado. Exigências de consumidores, principalmente, mercado europeu, cada vez mais oneram o custo do café que nós produzimos. No entanto, por outro lado, não reconhecem que devem valorizar o café produzido dentro do princípio da sustentabilidade.

É sempre nós, produtores, que pagamos a conta. Já é hora de admitir que estamos prontos a atender as solicitações do mercado. Contudo, necessário se faz, que os pequenos produtores sejam remunerados, inclusive, para continuarem suas atividades.

O mercado não avalia que no futuro poderemos diminuir a oferta de café, pelo desestímulo em não reconhecer que devem pagar um preço justo pelo café produzido. Essas considerações se tornam necessárias para mostrar uma realidade que, embora presente, sequer é avaliada.

Outro ponto fundamental é quanto ao estímulo para o aumento do cultivo do café, que é feito permanentemente pelo mercado, esquecendo que maior produção/oferta trará um desequilíbrio entre oferta e demanda. Assim, mais uma vez, os produtores pagarão o preço.

Se hoje em que há um equilíbrio entre a oferta e a demanda quase não se reflete em preço, imagine amanhã, com excesso de oferta?! Essa propalada informação de que haverá incremento no consumo é enganosa, para não dizer perigosa para os produtores, pois com a crise mundial comprometendo a renda dos principais consumidores – que estão envolvidos em guerras, sofrendo com taxa de juros elevadas, inflação e problemas de instituições financeiras em importantes centros mundiais, consumindo recursos substantivos – fará com que o crescimento do consumo de café seja mantido, quando muito tendo um pequeno acréscimo.

Voltando ao Brasil, em uma condição de clima normal com a área cultivada de 2,26 milhões de hectares, com média (baixa) de 33 sacos por hectares, será suficiente para atender o consumo interno de 21/22 milhões de sacas de 60kg e uma exportação de 40 milhões de sacas em média, teremos superávit entre oferta e demanda, como já destacamos em um clima favorável à produção.

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