Entrave na produção do primeiro azeite do Espírito Santo

A primeira safra do Estado está prevista para fevereiro e março de 2021, mas o processamento do fruto pode ficar comprometido sem a agroindústria pronta em tempo hábil

Cultivos em Santa Teresa (ES). (*Foto: Leandro Fidelis/Arquivo Safra ES)

O capixaba vai ter que esperar um pouco mais para experimentar o primeiro azeite genuinamente da terrinha. O subsecretário de Estado da Agricultura (Seag), Michel Tesch Simon, confirmou para esta semana uma reunião com a Prefeitura de Santa Teresa, Incaper e Associação de Olivicultores do Espírito Santo (Olives) para apresentar uma contraproposta de investimento para construção da agroindústria onde o produto será fabricado.

O valor inicial do repasse para a prefeitura seria de cerca de R$ 1 milhão, porém a última revisão do projeto pela Seag diminuiu o investimento quase pela metade, contrariando as expectativas dos produtores.

A primeira safra oficial do Estado está prevista para fevereiro e março de 2021 (em 2018, foram colhidos 150 kg de azeitona
no plantio experimental
do Incaper
e há notícia de outros 100 kg em um cultivo particular). Embora as chuvas e os invernos mais frios dos últimos dois anos tenham contribuído para o desenvolvimento dos primeiros cultivos, iniciados em 2015, principalmente em Santa Teresa, a estimativa de colheita é de 24 toneladas a menos que os indicativos apresentados no projeto inicial à Seag, alega Simon.

“O Incaper vai redimensionar esse modelo de negócio e apresentar ao grupo uma contraproposta, além de discutir a estrutura da agroindústria com base na nova estimativa de safra (10,5t) para avançar na contratação e no orçamento da obra ”, declarou o subsecretário.

*Arquivo Safra ES

Michel Simon afirmou que o Governo do Estado dispõe de recursos, e a pandemia não atrasou os trâmites do repasse.

“Não foi questão orçamentária. Temos de ter zelo grande porque lidamos com recurso público e a base de produção da azeitona ainda não está consolidada. Não se trata de cultura tradicional, ainda não tivemos a primeira safra como parâmetro para os próximos anos. Por mais que o Estado tenha capacidade de investimento, é preciso gerar rendimento aos produtores, e não custo, daí a necessidade de o projeto ser viável ”, concluiu Simon.

Michel Tesch Simon é o subsecretário de Estado da Agricultura. (*Foto: Divulgação)

Alternativa para processar azeitona e não perder produção

Quem investiu na novidade nas montanhas espera o devido retorno. Todas as apostas dos produtores estão na florada das oliveiras entre setembro e outubro. O Estado tem 200 hectares plantados, com previsão de 34,5t na safra de 2021/2022, 228% a mais que a primeira.

No entanto, o tempo curto até a safra do primeiro trimestre do ano que vem preocupa os 18 produtores dos cultivos iniciais de 2015. O processamento dos frutos pode ficar comprometido sem a agroindústria pronta a tempo no terreno cedido em comodato pela Prefeitura de Santa Teresa à Olives.

O presidente da associação- que conta com 56 associados, Marco Aurélio de Castro, informou que já estuda como alternativa o transporte da produção em câmara fria para uma agroindústria em Minas Gerais ou o aluguel de equipamentos para fabricar o azeite em estrutura improvisada em Santa Teresa.

A distância é de cerca de 700 km até a unidade prestadora do serviço, na Serra da Mantiqueira, região conhecida pela olivicultura nacional. “O maior problema é a logística. A azeitona precisa ser processada no mesmo dia em que foi colhida, se não se deteriora e o azeite perde qualidade ”, diz o presidente.

Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos