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A professora Letícia Dalmazo Melotti trocou a sala de aula pela propriedade rural da família em São Domingos do Norte em 2015. Está investindo em café conilon de qualidade e se tornou uma microempreendedora rural, como ela mesma se identifica. Seu interesse pela agricultura nasceu depois de participar da Semana Internacional do Café (SIC) em 2018, com a caravana do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES).
“Já sabia que algumas famílias produziam conilon de qualidade no Estado e me interessei pelo assunto. Me inscrevi para participar da SIC e chegando lá conheci um outro mundo sobre degustação e barismo. Voltei com a certeza de que no ano seguinte levaria o meu café para ser provado por especialistas no evento ”, declarou Letícia.
Foi exatamente o que a produtora rural fez. Com o auxílio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-ES aprendeu a trabalhar melhor com o café, conhecendo técnicas de manejo da produção e entendendo a importância da gestão para o controle de gastos e receitas da propriedade.

“Plantei o café em 2015, mas tinha algo que me incomodava principalmente na época da colheita. Eu não queria ser igual a todo mundo. Queria fazer algo diferente. Desse incômodo, surgiu a possibilidade do ATeG e foi quando aprendi a técnica e adquiri todo o conhecimento que eu precisava ”, revelou Letícia.
Antes da SIC 2019, fez a análise sensorial de seu café em três locais diferentes no Espírito Santo e em todos eles conquistou mais de 80 pontos na bebida. “Quando levei o café para a SIC, um barista fez a prova e muitos produtores que estavam participando também. Todos ficaram satisfeitos com a qualidade ”, disse.

Os resultados expressivos que Letícia colhe com a produção cafeeira de qualidade são frutos de um esforço e dedicação constantes. Todo o processo é feito de forma artesanal em sua propriedade: a “boia ” para a separação do café com defeitos, a seleção manual de grãos verdes e maduros, a secagem em terreiro coberto, com monitoramento frequente da temperatura e da umidade, e a armazenagem apenas em sacos novos são alguns dos cuidados diários.
A produtora também disse que busca estar sempre atenta às novidades do mercado. “Para adquirir conhecimento sobre a produção e aprimorar meus processos, além de receber a Assistência Técnica e Gerencial faço treinamentos presenciais e on-line. O Senar é um braço que temos na propriedade que clareia o caminho pra gente ”, afirmou Letícia.
Hoje Letícia já comercializa seu Café Dal Maso moído e em grãos e pensa em produzir cápsulas. Ela faz vendas até mesmo pela internet. No futuro, a produtora ainda deseja ter um espaço para a recepção de turistas que passarem pela cidade.“Como moramos bem próximo da rodovia, penso em ter um espaço para a prova do café e, quem sabe um dia, uma cafeteria ”, revelou.
Ela não descarta a possibilidade de voltar a trabalhar com educação, aliada à agropecuária. “Pretendo ainda retornar à sala de aula e levar as atividades simultaneamente. Ser professor é trocar ideias e eu também amo isso ”.




