Rota Quilombola leva vivências, sabores e ancestralidade à RuralturES

Iniciativa de Conceição da Barra apresenta experiências que aproximam visitantes da cultura, da produção e do cotidiano das comunidades quilombolas

Kátia Aparecida, da comunidade Angelim I, em Conceição da Barra e Andréia Costa, da Comunidade Santa Luzia, em São Mateus (foto: Kátia Quedevez/Conexão Safra)
Kátia Aparecida, da comunidade Angelim I, em Conceição da Barra e Andréia Costa, da Comunidade Santa Luzia, em São Mateus (foto: Kátia Quedevez/Conexão Safra)

A conexão com a terra, os saberes tradicionais e o cotidiano das comunidades quilombolas integram as experiências apresentadas por Andréia Costa durante a RuralturES, em Venda Nova do Imigrante. Empreendedora da Comunidade Santa Luzia, em São Mateus, ela participa da feira, que segue até domingo (16), para divulgar produtos, tradições e possibilidades do turismo quilombola.

Andréia explica que a presença em um evento voltado ao turismo rural ajuda a aproximar o público de experiências cada vez mais procuradas por moradores dos centros urbanos. Entre elas estão o contato com a natureza, a tranquilidade e a aproximação com diferentes modos de vida.

Paulo dos Santos e a esposa Lorena Soares, da comunidade quilombola do Coxi, em Conceição da Barra (foto: Kátia Quedevez/Conexão Safra)

“Hoje, você precisa ter a conexão com a terra, chegar, pisar no chão, sentir e se desconectar das tecnologias e desse tempo corrido das grandes cidades. É exatamente disso que as pessoas estão precisando”, afirma.

Segundo Andréia, a permanência nos grandes centros não elimina o desejo de viver, ainda que por alguns momentos, experiências ligadas ao campo e às comunidades tradicionais. “A gente vem mostrar um pouquinho disso para levar essas pessoas a conhecerem a nossa cultura e a nossa vivência. Queremos mostrar quem somos”, destaca.

Tradições que formam o Espírito Santo

Entre as experiências apresentadas pela rota estão o contato com os costumes, o artesanato, os livros que registram histórias das comunidades, a produção de beiju e atividades ligadas ao cultivo e à alimentação. “Os nossos quilombos trazem esse bem-estar de estar em contato com as benzedeiras, de pisar na terra, pegar a fruta no pé e degustá-la naquele mesmo local. É isso que a gente proporciona”, afirma.

Laura Rodrigues, Conceição da Barra, turismóloga e idealizadora da Rota Quilombola (foto: Kátia Quedevez/Conexão Safra)

O estande montado na RuralturES oferece aos visitantes uma pequena amostra dos produtos, saberes e vivências disponíveis nas comunidades. A proposta, porém, não se restringe aos dias do evento. “Aqui é uma vitrine para que as pessoas sintam o gostinho de conhecer o quilombo. A gente vive isso o ano inteiro, todos os dias. O nosso dia a dia é a produção, o cultivo das tradições e a possibilidade de levar tudo isso para outras pessoas”, explica Andréia.

Durante a programação, ela também participou de uma aula-show sobre o preparo do beiju. A atividade apresentou as etapas que antecedem a chegada do produto ao consumidor, desde o descascamento da mandioca até o processamento e a embalagem. “Você começa na segunda-feira e continua durante a semana fazendo todo o processamento para chegar até a sacolinha do beiju”, relata.

Contatos geram vendas e visibilidade

Além da valorização cultural, a participação na feira também abre oportunidades comerciais para as comunidades. Andreia conta que os contatos realizados em edições anteriores resultaram em encomendas de beiju para a Grande Vitória, o Sul do estado e diferentes eventos. Esta é a quarta participação consecutiva da idealizadora da rota na RuralturES. Para ela, os resultados não se limitam à venda direta durante a programação.

“A feira também proporciona publicidade. A gente conhece pessoas que ajudam a dar visibilidade ao nosso trabalho e à nossa região no norte do estado”, finaliza.

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