Novas tecnologias no campo

Filtro solar para plantas aumenta produtividade do café

Fotos: Leandro Fidelis

As plantas também sofrem com o sol. E graças a uma nova tecnologia agro, a proteção dos vegetais está garantida. Trata-se de um filtro solar à base de caulinita processada, calcinada e purificada, que diluída em água, vem demonstrando grande potencial na redução do estresse térmico da planta. 

No Espírito Santo, o filtro está sendo testado nos cultivos de pimenta-do-reino, banana, abacaxi e café. E os resultados já são visíveis para os cafeicultores. A presença da tecnologia está evitando a ocorrência da escaldatura, o principal problema relacionado à produtividade. 

As conclusões são do engenheiro agrônomo e mestrando em produção vegetal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Deivisson Pelegrino de Abreu. Ele vem pesquisando há três anos a eficácia do produto, criado nos Estados Unidos e utilizado em 5 milhões de hectares em 40 países, em campos experimentais de Arábica e Conilon em Atílio Vivacqua, Marechal Floriano e Mimoso do Sul.

O agrônomo virou o garoto-propaganda do filtro solar durante a Exposul Rural, de 11 a 14 de abril, em Cachoeiro, onde um plantio demonstrativo de café recebia os produtores rurais curiosos com a novidade. 

De acordo com Deivisson, são necessárias pouquíssimas concentrações do filtro solar e, no caso do café, recomenda-se utilizar 5% do volume de calda de pulverização. O produto pode ser aplicado com pulverizador costal manual ou motorizado e também lançado por aviões.

“É uma tecnologia atóxica e pode ser usada em consórcio com outros produtos. É também veículo para produtos biológicos e aumenta o prazo de ação de fungicidas, dentre outros”, garante.

Segundo Deivisson, em todos os testes com café realizados até agora houve redução do número de defeitos nas plantas protegidas pelo filtro e até os frutos ficaram maiores. “Isto é muito bom porque os produtores podem ser melhor remunerados”, diz o pesquisador, cujo estudo financiado pela empresa norte-americana está em fase de especialização técnica.

Além disso, o filtro ajudou na marcação da planta, evitando aplicação malfeita. O produto reduz a incidência de luz na parte externa e aumenta na interna com a distribuição da luminosidade no dossel da planta. No caso das folhas, a temperatura reduz em 4%. 

“O café é uma cultura em que a perda provocada pelo excesso de variação de temperatura é visível, tanto nas folhas quanto nos frutos. Com o produto, facilmente percebe-se o valor da tecnologia no salvamento das colheitas”, afirma Fábio Bueno de Mares, coordenador técnico da Nova Source, detentora da patente do filtro solar.

A tecnologia está sendo testada no Cerrado Mineiro, além dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins nas culturas de soja, citrus, meção, melancia, laranja e tomate.

Parceria com cooperativa
A Novasource formalizou parceria com a Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac) para garantir o acesso dos agricultores associados ao filtro solar. Um total de 65 produtores de pimenta-do-reino, café Conilon, mamão, macadâmia, coco, uva, cacau e seringueira está recebendo treinamento para utilização do produto.

Conforme o engenheiro agrônomo Deivisson de Abreu, antes de conhecerem o filtro, os produtores utilizavam a folha da palmeira, da pindobas e do coco como proteção. Porém, devido o aumento do custo para adquirir as mudas dessas espécies e a necessidade de preparar o solo, concluíram ser mais viável o uso do filtro solar.

O pipericultor Antônio Marcos Melo Pereira, da localidade de Cinco Voltas, no município de Boa Esperança aprova os efeitos da tecnologia. Ele só aplicou o filtro nos pés de pimenta-do-reino mais novos, e na comparação com as carreiras de pés desprotegidos, o resultado o surpreendeu. “Usei em janeiro e realmente o produto protegeu as plantas, que sentiram bem menos o sol forte do período”.

Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos