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*Matéria originalmente publicada em 11 de junho de 2021*
Os tempos mudaram, mas as pimentas continuam a cruzar os sete mares do mundo em busca de mercado consumidor. Rolando Martin (63) é proprietário da AgroRosa e o primeiro exportador de pimenta rosa do Espírito Santo. Atual presidente da Associação Capixaba de Exportadores de Pimentas e Especiarias (Acepe), o empresário morou na Europa em meados dos anos 1990. A ideia era auxiliar a família, que exportava manga e mamão para países como Inglaterra, Holanda e Alemanha.
O irmão de Rolando, Antônio Carlos, já falecido, havia trabalhado com exportação da especiaria e, nos anos 2000, os dois decidiram reestabelecer o mercado internacional. “Na época, só quem produzia eram as ilhas Maurício e da Reunião (Ásia), colônias francesas. Foram os primeiros a exportarem para o mundo, mas a qualidade do produto era muito ruim. O Brasil apresentou produto superior em qualidade e ‘bombou’”, conta o empresário.
O irmão foi o pioneiro, mas Rolando continuou os negócios. O pai, Dário Martin, já falecido, foi um dos primeiros a plantar pimenta do reino em São Mateus. E a AgroRosa, fundada em 2004, exporta os dois tipos de pimenta: rosa e do reino, e tem mercado aberto em 50 países, com destaque para a Europa e Estados Unidos.

(Foto: Fabiana Ruas/Incaper)
Em 2016, surgiu a ideia de criar a Acepe, o que consolidou o mercado produtor. Hoje, o Espírito Santo é o maior exportador de pimenta rosa e do reino do país. A associação foi criada para organizar o setor produtivo, especialmente de pimenta do reino. Os 11,4 mil produtores começaram a usar manuais de boas práticas para organizar a cadeia, padronizar e melhorar a qualidade da pimenta.
Esse manual de boas práticas é fundamental, já que pimenta do reino sofre com barreiras lá fora. Um exemplo é quem usa fogo direto na secagem. A exaustão do calor gerado nos secadores movidos pela queima da lenha contamina a pimenta do reino com o PAH (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos), um subproduto do processo de queima da madeira.
Outro tipo de contaminação é por antroquinona, originada da lavagem da pimenta com solução de água e álcool. Nos fornos secadores, a solução é usada na remoção de mofos e bolores na superfície dos grãos, decorrentes da estocagem inadequada, tornando-os aptos para o processamento industrial. Tanto o PAH quanto a antroquinona são aceitas em níveis toleráveis na União Europeia.
“Está difícil vender para a Comunidade Europeia, que é o melhor mercado. Pimenta rosa não tem esses problemas porque é manuseada de forma diferente”.
Para dar uma ideia da força dos produtos capixabas, o Brasil exportou, em 2020, 128 mil toneladas de especiarias, 57% provenientes do Espírito Santo. “Isso é o equivalente 60 mil toneladas de pimenta do reino e 650 toneladas de aroeira, além de 20 mil toneladas de gengibre e 8.000 de cravo da índia, aroeira e outras”, conta Rolando.
Sobre a conquista da Indicação de Origem (IG), o empresário é enfático: “a IG é importante para ter produto diferenciado, como o champagne. Existe todo um modo de se fazer, a procedência, a forma diferenciada de produzir e processar. Cria-se um produto com delimitação da área, regras rígidas de como produzir, higiene, responsabilidade e sustentabilidade, com a certificação de origem”, avalia.
Pimenta orgânica tipo exportação
José Tarcísio Malacarne Júnior é diretor financeiro da Bio Spice Foods, única no mercado capixaba a exportar pimenta orgânica. A empresa é familiar e um dos braços da Brasfoods, grupo de Linhares com 35 anos de mercado externo. Tem a certificação orgânica (Ecocer) há seis anos – é a única do Brasil – e exporta principalmente para Europa, Estados Unidos e Suíça.

(Foto: divulgação)
“A pimenta orgânica tem valor agregado diferenciado e a visibilidade é totalmente diferente. Chama mais atenção, valoriza a marca. Utilizam para a alimentação. Os nossos clientes no exterior são a maioria indústria ou distribuidores”, conta Malacarne.




