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Um registro fotográfico feito por uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou um caso raro de alteração genética em um periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), em São Félix do Tocantins, no Tocantins. A imagem foi produzida pela analista ambiental Bianca Montanaro durante uma atividade de observação de aves.
O fenômeno observado é conhecido como cianismo, uma condição relacionada à ausência de pigmentos responsáveis pelas cores amarela, laranja e vermelha, chamados psitacina. Como a coloração verde das aves resulta da combinação entre os tons amarelo e azul das penas, a falta desses pigmentos faz com que o animal apresente coloração predominantemente azul.
Segundo Bianca Montanaro, flagrantes desse tipo em vida livre são incomuns e têm valor científico. “Flagrantes desse tipo em vida livre são raros e valiosos, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a variabilidade natural das espécies e reforçar a importância da conservação da biodiversidade”, afirmou.
O registro foi feito de forma ocasional, quando o indivíduo era observado em meio a um bando que se alimentava em uma plantação de milho. A ocorrência chama atenção justamente por envolver uma espécie com padrão de coloração considerado estável na natureza.
De acordo com as informações divulgadas, o cianismo afeta, em geral, apenas a coloração do animal, sem evidências de prejuízos diretos à saúde. Ainda assim, essa alteração pode representar desvantagens no ambiente natural, como menor capacidade de camuflagem, maior exposição a predadores, dificuldades de reconhecimento entre indivíduos da mesma espécie e possíveis impactos no sucesso reprodutivo.
A condição é genética e pode ser comparada, em termos gerais, ao albinismo em seres humanos. Mesmo assim, sua ocorrência tende a permanecer rara em populações naturais, já que indivíduos com essa característica podem ter menor taxa de sobrevivência e reprodução.
Do ponto de vista biológico, alterações como o cianismo ajudam a evidenciar a variabilidade genética das espécies e contribuem para a compreensão dos mecanismos de herança e expressão de pigmentos. Sob a ótica ecológica, também podem influenciar a dinâmica populacional ao afetar a sobrevivência e a interação entre os indivíduos.
O periquito-de-encontro-amarelo é uma espécie amplamente distribuída no Brasil, comum em áreas abertas, regiões do Cerrado e ambientes urbanos, com ocorrência frequente no Tocantins. Na natureza, porém, variações como a registrada pelo Ibama são consideradas raras e pontuais.




