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Geral

Vila dos Pescadores, o sustento que vem do mar

por Redação Conexão Safra

em 07/10/2013 às 0h00

6 min de leitura

Uma vida inteira dedicada à pesca e a principal fonte de renda de muitas famílias que moram em Itaipava, em Itapemirim. As histórias de pescadores se confundem e o amor pela profi ssão é passado de geração em geração. O distrito se destaca por ser um grande porto pesqueiro, que detém a maior produção de atum do Estado, além de ser considerado o maior porto pesqueiro artesanal do Brasil.


Com mais de 50 anos de pesca e há 13 anos à frente da Associação dos Pescadores e Armadores de Pesca de Itaipava (Apedi), Jorge Fernandes Freitas, conhecido como ‘Jorge Viana’ disse que a pescaria está no sangue. “Sou nascido e criado na pesca. A minha vida toda foi a pescaria. Trabalhei durante 33 anos como mestre de pesca ”, contou.


O mestre de pesca é quem comanda o pessoal da embarcação e tem autonomia para dar ordens. Jorge contou que das 300 embarcações, 146 estão associados, em sua maioria, com capacidade em torno de sete a 20 toneladas. A produção média de pescado está em torno de 400 toneladas/mês. “


Cada embarcação tem o mínimo de seis tripulantes e vai de 10 a 12 no máximo. A Associação ajuda, principalmente, os pequenos pescadores. Lá oferecemos, além de arcar com os custos da Marinha, consultório odontológico e um suporte de rádio. Temos uma estação costeira 24 horas que atende ao País com quatro rádios e quatro operadores ”, explicou o presidente.


As famílias dos pescadores também são envolvidas na atividade que se tornou a principal fonte de renda do distrito. “Hoje temos a maior frota pesqueira do Brasil e Itaipava é o maior reduto de pesca do Espírito Santo. As esposas e fi lhos também têm um papel fundamental na atividade e contribuem para a pesca artesanal. Essa é a principal fonte de renda dos nossos moradores. O salário é bom e dá para o pescador viver bem ”, continuou Jorge.


No distrito está instalada uma das principais empresas exportadoras de produtos pesqueiros do Estado, a Atum do Brasil Ltda, que exporta para oito países, entre Europa, Estados Unidos e Canadá. A empresa possui consumo médio de pescado de 250 toneladas/mês.

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Frota pesqueira


A dinâmica das frotas pesqueiras no processo de avaliação de estoques se constitui em elemento fundamental para o entendimento das variações dos dados de captura e o esforço de pesca, variáveis fundamentais para qualquer modelo de avaliação de estoques. Entre as frotas, cuja dinâmica é pouco conhecida, estão aquelas que praticam a pesca oceânica, que atuam sobre recursos migratórios e têm como principais recursos alvo os atuns e espécies afins.


Nesse cenário está Itaipava, voltada para a pesca de recursos pelágicos com pescarias de artesanais a semi-industriais como o espinhel de meca, o espinhel de superfície e principalmente a linha de caída e o corrico, com o atum como base. A frota de Itaipava apresenta uma homogeneidade quanto às embarcações, são todas fabricadas com o casco de madeira, casaria na popa, motoração média de 150 Hp e comprimento médio de 12,6 metros, adaptadas à pesca de linha onde o convés permite desenvolver diversas artes de pesca ao mesmo tempo.


“Os barcos são fabricados aqui mesmo e pelos próprios pescadores. Os peixes que pescamos são vendidos para todo o Brasil, em sua maioria são: meca, atum, dourado, tubarão e peixes afi ns. Não temos defeso, porém só pescamos com anzol, nada de rede. Somos fi scalizados diariamente pela Polícia Ambiental e pelo Ibama ”, comentou o presidente da Apedi. Os barcos de 16 a 18 metros de comprimento médio têm um custo de R$ 12 a R$ 20 mil. “Nesse custo de viagem estão incluídos os apetrechos, gelo, óleo, rancho (comida), entre outras coisas. O ganho de cada pescador varia de época e da safra, mas o salário é bom. A engrenagem que move a pesca enfraquece o comércio local ”, explicou.


Terminal pesqueiro


Em 2007, o governo do Estado concluiu a primeira fase do Projeto de Terminal Pesqueiro, quando foi feito um molhe com estrutura de enrocamento de pedra arrumada para o abrigo ao Norte dos barcos da frota pesqueira de Itaipava. A obra contribuiu num primeiro momento para manter os procedimentos de aportagem das embarcações de pesca dessa localidade, evitando a migração para outros Estados, como ocorria anteriormente.


Por questões técnicas do projeto anterior, com a construção do molhe Norte, a enseada abrigada de Itaipava sofreu processo de assoreamento. Diante disso, em abril de 2008, foi fi rmado um termo de convênio de cooperação técnica entre o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) e o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Espírito Santo (DER-ES) para a elaboração de projeto de Restauração Litorânea e da Construção do Terminal Pesqueiro na Praia de Itaipava.


“Hoje precisamos mais uma vez do apoio do governo do Estado e o Casagrande tem buscado nos ajudar. Não temos suporte para atender nossas demandas. Nossas principais reivindicações são a reconstrução do terminal pesqueiro, área turística e local para lancha e jet sky ”, completou o presidente.


A reconstrução do Terminal de Pesca de Itaipava já foi debatida entre o governador Renato Casagrande e o Ministério de Pesca. O investimento anunciado foi de R$ 45,5 milhões.


O que prevê o projeto


– Cais de atracação dos barcos de pesca com extensão de 120m e 10m de largura, que possibilitará a atracação simultânea de cerca de oito barcos para atividades de descarregamento do pescado e de abastecimento,

– Serão construídos 14 boxes para comercialização do pescado, com área de 50m cada,

– mini-mercado e bazar destinados ao suprimento de víveres para embarcações pesqueiras e venda de artefatos de pesca,

-restaurante e lanchonete, área para serviço/administração,

– estação de tratamento de esgoto, subestação e posto para abastecimento de diesel,

– estacionamento para veículos de passeio (135 vagas) e para caminhões (12 vagas),

– posto de abastecimento de veículos junto à via de acesso principal incentivando empresas especializadas em abastecimento de derivados (bandeiras),

– rampa pública integrado ao terminal pesqueiro e o molhe para movimentação de embarcações entre o mar e a terra,



– play ground integrando a área do terminal pesqueiro à área destinada ao atracadouro de embarcações de recreio,

– atracadouro para barcos de recreio anexo ao terminal pesqueiro numa extensão de 90 m de cais acostável por 8 metros de largura.


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