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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acaba de criar um serviço com o objetivo de incrementar o nível de competitividade no setor agrícola no país. Trata-se dos sistemas de macrologística, que envolvem estudos, levantamentos e a identificação de obras prioritárias, que têm por finalidade melhorar o transporte e o escoamento da safra nacional. A iniciativa busca a consolidação de estratégias para driblar o problema da logística &ndash, um dos gargalos do agronegócio no Brasil.
“Não estamos preocupados se a macrologística vai integrar uma região com outra, e sim qual o tipo de intervenção deve ser feita para aumentar a competitividade. É um serviço prestado à agricultura que a Embrapa estará sempre aprimorando enquanto ela existir ”, declarou Evaristo Eduardo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite (Campinas/SP).
O projeto da Embrapa foi apresentado na terça-feira, 21 de março, durante almoço realizado na sede da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro. Na ocasião, Miranda também mostrou alguns números relativos ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) &ndash, registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, que compõe uma base de dados para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas e demais formas de vegetação nativa do Brasil.
PERSPECTIVAS
Em matéria de logística para exportação, ao mostrar dados da Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Miranda destacou que, na safra de 2015/16 &ndash, que somou 197 milhões de toneladas de grãos &ndash,, 47,3 milhões de toneladas (47%) foram transportadas por ferrovias, 42,3 milhões de toneladas escoaram por rodovias (42%) e 10,7 milhões de toneladas foram embarcadas por hidrovias (11%). O volume exportado naquela safra foi de 99 milhões de toneladas.
Ao traçar uma perspectiva para 2025, o chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite estimou que a safra deverá atingir 260 milhões de toneladas de grãos, com 118 milhões de toneladas exportadas, e um considerável aumento do escoamento por ferrovias, somando 72 milhões de toneladas (61%). Miranda prevê avanços a partir da ampliação dos armazéns privados e da Conab e do crescimento da capacidade dos portos.
Ele afirmou ainda que é importante promover um trabalho de logística em áreas legalmente atribuídas pelo Governo Federal para unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos de reforma agrária, quilombolas e áreas militares. De acordo com dados da Embrapa e do Mapa, essas áreas, de acesso limitado, e com grande concentração na região Norte, correspondem a 37,1% do Brasil.
ETAPAS
A Embrapa já está na terceira etapa de implementação dos sistemas de macrologística. A primeira fase envolveu o monitoramento das cargas de exportação para a definição de bacias logísticas. “Hoje temos onze portos principais que exportam, e a partir daí identificamos de onde vêm as cargas, de que municípios, a quantidade, e por onde vêm ”, explica o chefe da Embrapa.
Em um segundo momento, as bacias foram qualificadas e quantificadas, com a identificação dos modais (rodovias, hidrovias, etc.) e levantamentos sobre custos de transporte, destinos de chegada e partida dos portos, tipos de embarcação, capacidade dos terminais portuários, entre outros aspectos.
Na atual etapa, foram realizados estudos com o objetivo de propor ao governo opções de obras prioritárias no curto e médio prazo, conforme o modal e os tipos de viabilização (concessão, parceria público-privada e investimento governamental).
Miranda cita como prioridades a finalização da BR-163 e a concessão de duas ferrovias para o setor privado destinadas ao transporte de grãos no Pará.
“Queremos também aumentar o volume da safra exportada pelo Arco Norte, que está saindo por Belém e Amazonas, passando de 18% para 40%, 45%. Precisamos pensar em obras poderiam viabilizar esse aumento ”, complementa.
CAR
Em relação ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), a Embrapa elabora estudos agregados com o Ministério do Meio Ambiente para conhecer a realidade de cada estado em matéria de preservação.
“O objetivo é saber o quanto a agricultura contribui neste setor. Um exemplo típico é o Rio Grande do Sul. Enquanto as terras indígenas preservam 1% do estado, na área agrícola de vegetação nativa, preservada dentro dos imóveis rurais cadastrados no CAR , temos uma parcela de 13% do Estado, e isso é muito significativo. O CAR é muito importante para a preservação ambiental ”, ressalta Miranda.
De acordo com dados da Embrapa, o CAR conta com cerca de quatro milhões de cadastrados. No total, o Brasil possui cinco milhões de estabelecimentos agropecuários. Miranda disse ainda que mais de 65% da região Nordeste ainda não está inscrita no CAR. Já Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, apesar de terem realizado o cadastro, ainda não foram integrados ao sistema.
Em relação ao crescimento da área total de imóveis rurais por região, Miranda ressaltou o exemplo do Amazonas que, de acordo com o último Censo Agropecuário, registrava 55 milhões de hectares de espaço agrícola, e hoje em dia soma 125 milhões de hectares.
ZONEAMENTO
Na ocasião, o diretor da SNA, Jaime Rotstein, questionou o fato de o zoneamento agrícola não prevalecer para a definição de área protegida. Ele argumentou que “área protegida não precisa ter necessariamente solo de excelente classe, ao passo que, quando o solo é de grande potencialidade, pode ser transformado em área protegida ”.
Por sua vez, Miranda disse que, muitas vezes, unidades de conservação não são criadas por interesses biológicos, e citou como exemplo a região amazônica: “Está sendo criada uma muralha verde para impedir o avanço do agronegócio na Amazônia ”, alertou.
NÚMEROS
Em sua apresentação, o chefe da Embrapa mostrou ainda que o Brasil abriga atualmente 1871 unidades de conservação, 600 unidades de terras indígenas, 2471 áreas protegidas e 68 áreas militares. Já os assentamentos da reforma agrária somam 9349.
Em relação à ocupação de terras, 61% do país é composto por vegetação nativa, e 38,7% por propriedades rurais, sendo 11% de vegetação preservada nesses imóveis, 8% de lavouras e florestas plantadas e 19,7% de pastagens. Cidades, macrologística, mineradoras, entre outros, somam 11,3%.
PRESENÇAS
Estiveram presentes à palestra do chefe-geralda Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo de Miranda, o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Alvarenga, um dosvices-presidentes da instituição Hélio Sirimarco, os diretores da SNA Francisco Villela, Rony Oliveira, Rui Otavio Andrade e Tulio Arvelo Duran.
Também participaram Lindolpho de Carvalho Dias, membro do Conselho da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a editora-geral da revista A Lavoura/SNA, Cristina Baran, e o editor da revista Animal Business Brasil, Luiz Octavio Pires Leal.
Foto da capa: Cristina Baran
Fonte:SNA/RJ





