Mais lidas 🔥

Premiação internacional
Do cafezal ao Vale do Silício: capixaba conquista prêmio internacional com invenção

Lucas Souza Alves, jovem do Caparaó, especialista em cafés, morre aos 24 anos em grave acidente

Café de valor agregado
Nova modalidade de café chega ao Vale do Jequitinhonha com financiamento do BNB

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 26 de agosto

Artigo
Ameaça à cafeicultura brasileira

O que é agricultura orgânica? Como ela se conecta com a agricultura biodinâmica, a agricultura natural, a agricultura regenerativa e a agroecologia? Quais os princípios, como é regulamentada e como pode ser certificada? Essas são algumas das perguntas respondidas pelo curso on-line “Produção Orgânica: princípios e regularização”, que acaba de ser disponibilizado pela Embrapa Territorial na plataforma e-Campo. Com 22 horas de duração, a capacitação é gratuita e oferece certificado a quem concluí-lo e obtiver média superior a 70% nas avaliações.
Clique aqui para se inscrever
“O curso se destina aos produtores rurais e demais interessados que desejam conhecer conceitos, princípios e as principais ações para a regularização da produção de orgânicos no Brasil”, explica a pesquisadora Cristina Criscuolo, coordenadora do projeto na Embrapa Territorial e uma das instrutoras da capacitação.
O treinamento é composto por quatro módulos. No primeiro deles, a pesquisadora Gisele Vilela, da Embrapa Territorial, apresenta conceitos e o histórico dos movimentos que originaram a agricultura orgânica. Além das aulas ministradas, a capacitação traz vídeos com a visão de lideranças ligadas à agricultura orgânica, biodinâmica, natural, agroecológica e regenerativa. Contém também entrevistas com agricultores que praticam algumas dessas modalidades de produção.
“Desejávamos trazer depoimentos que expressassem a vivência e aprendizado nos principais modelos de uma agricultura de base ecológica”, afirma Vilela. Ela explica que o conteúdo central do curso apresenta referências de estudos científicos que corroboram com os princípios e práticas da agricultura orgânica. Além disso, ela complementa, a equipe também queria apresentar algo sobre algumas correntes em agricultura de base ecológica. “Muitas dessas correntes estão embasadas em princípios éticos e filosóficos e que através dos últimos séculos acumularam conhecimento prático e teórico. Para falar sobre estas correntes e os conhecimentos associados, nada melhor do que as lideranças e agricultores que norteiam suas vidas com estes princípios e práticas há muitos anos”, comenta.
O segundo módulo trata dos princípios e das práticas recomendadas para manejo do solo e das culturas. O terceiro explora as normativas relacionadas à produção orgânica no Brasil. Aborda também os tipos de certificação disponíveis e as opções existentes de acordo com o perfil e necessidade dos agricultores. No último módulo, Criscuolo mostra como utilizar a Organoteca, uma ferramenta em que se pode buscar tecnologias da Embrapa aplicáveis na produção orgânica, além de vídeos, cartilhas, programas de rádio e outras publicações técnicas. Outra ferramenta apresentada é uma planilha de custos voltada para o gerenciamento de propriedades rurais de pequeno porte. O recurso é apresentado pelo pesquisador Juan de Souza, da Embrapa Territorial, que a elaborou. Tanto a planilha quanto a Organoteca integram o ambiente virtual Pró-Orgânico, lançado em 2023.
Uma vez realizada a inscrição, o usuário terá acesso às videoaulas e a outros conteúdos, podendo acessá-los em qualquer horário, pelo computador, tablet ou smartphone, na plataforma e-Campo. Esta oferece mais de 100 capacitações gratuitas e já emitiu mais de 150 certificados.
Experiência transformada em capacitação
Além de conteudista, a pesquisadora Gisele Vilela assumiu o papel de designer instrucional do curso e se valeu, nessa missão, das experiências com produção orgânica em diferentes momentos da sua carreira como engenheira agrônoma. O interesse começou ainda na graduação em Agronomia, no final da década de 1980, com a participação em grupos dedicados ao tema e a motivação dos livros de Ana Maria Primavesi – precursora da agroecologia no Brasil e pesquisadora sobre produção orgânica.
Vilela foi uma das sócias-fundadoras da Associação de Agricultura Orgânica, em São Paulo, a primeira organização voltada à temática. Já formada, atuou na assistência técnica a agricultores do Sul de Minas Gerais que buscavam adotar práticas sustentáveis. “Havia um movimento no Brasil de algumas organizações para prestar assessoria a pequenos produtores, no que se chamava de agricultura alternativa, na época”, relata. “Nós organizávamos fóruns nacionais e os agricultores eram incentivados a serem experimentadores, fazíamos experimentação e seleção de variedades dentro das propriedades, junto com os agricultores. Foi um aprendizado muito grande”, lembra.
A pesquisadora também trabalhou durante oito anos no Instituto Biodinâmico, uma das maiores instituições de certificação de produtos orgânicos do País.
Na Embrapa Territorial, está liderando o segundo projeto voltado ao segmento. No primeiro, já concluído, foram desenvolvidos formulários digitais para certificação da produção orgânica, além do ambiente digital Pró-Orgânico. O novo projeto deve aprimorar e ampliar o uso dos formulários que, além de facilitar o trabalho de preenchimentos por parte dos produtores, permitem gerar um banco de dados sobre o setor.
Vilela diz que já vinha pensando em formas de difundir informações sobre a produção orgânica e a ideia do curso foi oportuna. “Observo falta de informações a respeito do que é realmente a produção orgânica, há um certo desconhecimento sobre os princípios que levaram a normativa a ser como ela é”, diz. Anteriormente, ela ministrou cursos online sobre o tema para a Prefeitura de Campinas, no período em que foi representante da Embrapa Territorial no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsan) do município.




