Mais lidas 🔥

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 29 de junho

Retomada rural
Governo do Brasil anuncia pacote bilionário para áreas rurais do Rio Doce

Direitos territoriais
Comunidade quilombola do Espírito Santo tem território reconhecido

Agricultura
Nova portaria simplifica irrigação para agricultores

Mel Bel
Engenharia, tradição e mel se encontram em Domingos Martins

“
| “Precisamos definir uma proposta que resolva o passado e o futuro. Isso poderá ser feito por meio de medida provisória ou projeto de lei. A medida provisória tem muito mais agilidade e rapidez para resolver o problema e virar a página ”, diz o presidente da FPA, deputado Nilson Leitão. Foto: Divulgação |
Representantes do agronegócio de todo o país estão se mobilizando para reverter a cobrança da Contribuição Social Rural (Funrural) para o produtor pessoa física. Ancorados em estudos, que contestam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da cobrança, instituiçõese parlamentares do setor definem estratégias nos âmbitos jurídico e legislativo, além de manifestações para evitar a criação de um passivo de bilhões de reais aos produtores rurais de todo o país.
De acordo com o deputado federal Nilson Leitão, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o setor trabalha para apresentar uma proposta única que resolva a questão.
“Precisamos definir uma proposta que resolva o passado e o futuro. Isso poderá ser feito por meio de medida provisória ou projeto de lei. A medida provisória tem muito mais agilidade e rapidez para resolver o problema e virar a página ”, salienta o parlamentar.
Ventila-se que a ideia, que vemsendo discutida dentro da FPA, é propor a substituição do Funrural por uma contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento.
CÁLCULOS
Estudo da Federação da Agricultura do Estado doRio Grande do Sul (Farsul) aponta que o desconto previdenciário sobre a folha de pagamento é mesmo menos oneroso e, portanto, o mais indicado. Levantamento da entidade destaca que o pagamento do Funrural é 49,9% maior do que a opção de recolhimento sobre a folha de pagamento.
Segundo o relatório da Farsul, o resultado está diretamente ligado ao fato da agropecuária ser hoje uma atividade intensamente ligada em capital e não mais em mão de obra.
“Atualmente, o maquinário sofisticado e de alta tecnologia realiza o trabalho pesado, exigindo menos trabalho humano. A pesquisa aponta que a contribuição previdenciária baseada no faturamento significa pagar sobre o trabalho das máquinas ou ter uma visão antiga do cenário rural ”, destacao estudo.
Dados compilados pela Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra (Andaterra), por sua vez, sustentam a tese de quebra da igualdade e da isonomia tributárias com a cobrança do Funrural para o produtor rural pessoa física, tendo como base os cálculos feitos sobre a receita bruta da produção, comparados com os cálculos da contribuição social sobre a folha de pagamento dos seus empregados.
Na avaliação da instituição, a inconstitucionalidade da cobrança do Funrural se evidencia na medida em que o empregador urbano recolhe a contribuição social patronal somente sobre a folha de salários, enquanto o empregador rural recolhe sobre a receita bruta da comercialização da produção, pagando, em média, cinco vezes mais que o urbano.
IMPACTO
Como exemplo, a Andaterra analisou o impacto do Funrural sobre a produção agrícola no Cerrado da Bahia. Com base em uma amostra de 15,15% da área em produção com as culturas de soja, algodão e milho, a receita bruta anual apurada nesta área é de R$ 1,9 bilhão, o que gera uma contribuição para o Funrural no valor de R$ 43,8 milhões.
Já a folha de pagamento de mais de 3,2 mil funcionários empregados nesta área, estimada em R$ 85,8 milhões, gera uma contribuição de INSS/Senar de R$ 19,1 milhões.“Só nesta amostra, os produtores contribuem com R$ 24,5 milhões a mais pela opção do Funrural ”, aponta a análise.
MANIFESTAÇÃO
Capitaneados pela Andaterra, cerca de quatro mil agricultores partem para Brasília no próximo dia primeiro de maio, com o objetivo de sensibilizar o STF, o Senado Federal e a Opinião Pública sobre a questão. De acordo com o presidente da Associação, Sérgio Pitt, existem ao menos três frentes a serem trabalhadas e que podem mudar este cenário de imbróglio acerca do Funrural.
A primeira, diz ele, será o julgamento dos embargos que serão impetrados tanto pela Andaterra, como por uma série de outras entidades do setor, após a decisão do STF. O dirigente acredita na possível reversão de pelo menos um voto contrário, “o que seria suficiente para virar o placar ”, explica. Os embargos garantem uma sobrevida do processo, impedindo que ele tramite em julgado enquanto houver questionamento.
Outra carta na manga, segundo Pitt, é o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) de número 4395, cujo relator é o ministro Gilmar Mendes, que já votou pela inconstitucionalidade do Funrural. Essa ADI foi proposta pela Associação Brasileira de Frigoríficos em 2010 e, se julgada procedente, se sobrepõe a qualquer outra ação, inclusive ao resultado da votação do STF.
A última trincheira, pontua o presidente da Andaterra, seria o Senado Federal votar uma resolução tirando do ordenamento jurídico a lei 8540/92, julgada inconstitucional pelo STF. No Senado, esta proposta de resolução está sob a relatoria do Senador Eduardo Amorim de Sergipe, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), parado desde 16 de março de 2016.
NOTA OFICIAL
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enviou hoje, 27 de abril, uma nota oficial sobre o Funrural, que a equipe SNA/RJ veicula na íntegra:
A Frente Parlamentar da Agropecuária vai utilizar de todos os instrumentos legais, constitucionais e políticos para resolver o assunto Funrural. Estamos elaborando uma ação política (medida provisória ou projeto de lei) para resolver o passado e o futuro do Fundo. Lembramos que o próprio relatório da Reforma Previdenciária já extingue o Funrural, ao que somos favoráveis.
Ao mesmo tempo, estamos discutindo uma nova forma de contribuição mais vantajosa, acessível e simplificada ao produtor. Esse é o papel político do Congresso Nacional. Apresentar alternativas para o passado e o futuro. Quanto ao acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF), a Frente Parlamentar da Agropecuária, junto com o Congresso Nacional e o Instituto Pensar Agro (IPA), está acompanhando e ouvindo todos os setores, aguardando a sua publicação para entendê-lo e, em seguida, utilizar todas os instrumentos possíveis nesta situação.
Quanto ao movimento dos produtores em Brasília, a FPA estará sempre ao lado deles. Estaremos juntos na audiência pública marcada para o próximo dia 3 de maio, no Senado. O evento é uma iniciativa de integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária. Estaremos juntos para mais essa vitória.
Deputado Federal Nilson Leitão
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária
Fonte: Jornalista Ronaldo Luiz Mendes (colaboração de SP)com nota oficial da FPA e edição da equipe SNA/RJ





